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CNN Portugal mostra, em Odemira, piscina em obras no alojamento local de Luís Neves

Engenheiro e construtor discutem planta de casa em construção, enquanto cinegrafista grava cena.

A discussão sobre as obras no alojamento local do ministro da Administração Interna, Luís Neves, em Odemira, ainda está longe de arrefecer. Nesta segunda-feira, a CNN Portugal divulgou imagens do que foi construído na propriedade - uma piscina - depois de o próprio ministro ter afirmado que se tratava apenas de um tanque. Apesar de ser obrigatório, a Câmara Municipal de Odemira não recebeu qualquer pedido de licenciamento.

No centro do caso estão as intervenções feitas pelo empreiteiro João Carvalho, da Construbarcelos, no alojamento local (no modelo de hospedagem tipo Airbnb) de Luís Neves, num monte em São Teotónio. O profissional é conhecido do governante desde os tempos em que este passou pela Polícia Judiciária (PJ) e, nesse período, ganhou contratos públicos com a instituição na ordem dos dois milhões de euros. Após estabelecerem uma relação de amizade e confiança, Luís Neves convidou o empreiteiro para dar algumas “opiniões” sobre a propriedade em Odemira - mas, na prática, o construtor acabou também por ficar com a empreitada.

O que se sabe agora é que o “tanque” descrito por Luís Neves é, afinal, pelas imagens divulgadas pela CNN, uma piscina - sem o devido licenciamento. "Relativamente ao pedido enviado, não foi possível encontrar qualquer processo de licenciamento/comunicação de obras para os dados de pesquisa fornecidos", lê-se na resposta enviada pela Câmara Municipal de Odemira à CNN Portugal. A autarquia classifica a intervenção como “obra urbanística”, o que implica autorização camarária.

No domingo, na entrevista ao mesmo canal, o ministro afirmou que “o edifício não tem um metro a mais” e, por isso, não considerou necessário avançar de imediato com o licenciamento. "As obras são três paredes e uma casa de banho com sete metros quadrados, um alpendre e um tanque. É disto que estamos a falar", acrescentou.

Na mesma entrevista, o ministro disse ainda que mais de 70% dos contratos do empreiteiro assinados com a PJ ocorreram num período em que ele ainda não liderava a polícia. Sobre o custo das obras, afirmou que o valor final deverá ficar entre 20 mil e 30 mil euros. No entanto, como os trabalhos ainda não terminaram, Luís Neves tem adiantado pequenas quantias na ordem dos cinco mil euros “para pequenas despesas e para fundo de maneio”. Ele recusou divulgar as faturas, mas garantiu que estão todas no E-fatura e declaradas às finanças.

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