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Ao volante do Fiat Bravo: primeiras impressões

Carro hatch vermelho Fiat Bravo 2025 exibido em salão de automóveis com luz branca e fundo cinza.

Dar a primeira volta num carro novo costuma ser aquele momento em que você percebe, em segundos, se o acerto ergonômico está do seu lado - ou não. No Bravo, a posição ao volante começa com alguns detalhes que incomodam: o volante fica levemente desalinhado, com a borda direita mais distante do que a esquerda, e a base do banco é plana demais. Você acaba “sentado por cima” dele, com pouca área de contato do corpo, e as coxas ficam no ar, sem apoio. O volante, em si, é bem acabado e bonito - mas foi praticamente o único ponto da posição de dirigir com que eu realmente me entendi.

Nesta volta curta pelas estradas relativamente lisas perto de Bolocco, guiamos a versão a diesel de 150 bhp. Como acontece com a maioria dos diesels dessa categoria (Golf incluído), é um motor barulhento, com aquela aspereza típica do diesel entrando com força na cabine.

Em compensação, anda bem: o MJET common-rail puxa forte em baixa e entrega bastante torque. O câmbio é aceitável, com engates longos, porém firmes e precisos. No diesel 16 válvulas, são seis marchas; já no diesel 8v de 120 bhp, você fica com apenas cinco.

Estou especialmente curioso para dirigir as versões a gasolina, principalmente a 1.4 FIRE turbo de 150 bhp. Esse motor, leve e eficiente, deve combinar com o Bravo - ainda mais por causa do chassi esperto: a rigidez torcional melhorou 50% em relação ao Stilo anterior, e dá para sentir isso assim que o carro começa a andar.

O conforto ao rodar é bom, e parece que a Fiat investiu tempo e dinheiro no ajuste dos amortecedores. Vamos esperar para cravar um veredito sobre a dinâmica depois de rodar bastante em estradas britânicas, comparando lado a lado com os rivais, mas as primeiras impressões indicam um compromisso de primeira entre conforto e controle. É a melhora mais evidente em relação ao “modelo anterior do segmento C da Fiat”.

A direção elétrica também não decepciona: é leve, objetiva e direta e, como no Punto, tem o modo “City”, que alivia bastante o peso para facilitar manobras em baixa velocidade. A visibilidade não é das melhores, por causa das colunas A e C largas, mas esse preço foi pago pelo estilo - e provavelmente foi uma escolha acertada. O espaço interno parece apenas razoável.

O novo Bravo levou só 18 meses para ser desenvolvido do zero, o que deve ser algum tipo de recorde para um carro tão importante no mercado. Dá para questionar se isso não é pouco tempo, mas vejo como um sinal positivo: designers e engenheiros provavelmente trabalharam com eficiência máxima, com menos interferência da gerência intermediária e de marketing preso a grupos de foco.

O uso de ferramentas modernas de projeto por computador também ajudou: grande parte dos testes dinâmicos foi feita virtualmente, e os protótipos só foram construídos no fim do programa.

No geral, tudo indica que a Fiat acertou o pacote quase na medida certa, e é provável que esse carro ajude a acelerar o bom desempenho da marca na Europa. Há limitações, mas a conclusão é simples: se você curtir o visual, não deve se frustrar com a experiência ao volante.

Se a Fiat conseguir se livrar da imagem de “baixo custo” no Reino Unido, montar bem e colocar um preço competitivo - isto é, deixar claro que é barato de comprar -, o novo Stilo vai fazer um sucesso enorme. Desculpe, Bravo. Eu quis dizer Bravo.

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