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Mercedes GLC 300e 4Matic: análise detalhada e nota 7/10

Carro SUV Mercedes-Benz azul em movimento em estrada cercada por campo e céu nublado.

GLC 300e 4Matic… dá para decifrar esse nome?

Senta que lá vem história. O GLC é o utilitário esportivo (crossover) médio-compacto da Mercedes. Existe também a versão cupê, mas aqui o foco é a carroceria “normal”. O “300” não tem a ver com cilindrada: o motor a combustão é 2,0 litros. A lógica do número é sugerir algo como “potência de três litros”… mais ou menos.

A letra “e” indica que se trata de um híbrido plug-in a gasolina. E a Mercedes ainda oferece alternativa: há também o “de” - que não é “em francês” (embora seja), e sim, neste caso, o híbrido plug-in com motor a diesel. Por fim, “4Matic” significa tração integral, item de série nas versões híbridas.

Trem de força do Mercedes GLC 300e 4Matic

Um motor pequeno para um carro grandinho, não?

Sim, mas os 211 bhp do motor a combustão vêm acompanhados de um motor elétrico, resultando em 320 bhp no total do sistema. É aquele tipo de híbrido em que motor elétrico e motor térmico entregam força passando pela mesma caixa automática.

Dá para usar como elétrico no dia a dia, só para rodar de boa?

A bateria tem 13,5 kWh, o que rende 26 milhas de autonomia - algo em torno de 42 km - desde que você dirija no ritmo bem comportado do ciclo WLTP. Para a cidade, acelera o suficiente sem drama. No modo 100% elétrico, até dá para esticar para velocidade de via expressa, mas isso é um jeito eficiente de matar a autonomia. A menos que você tenha “uma casca de ovo entre o pé e o acelerador”, o motor a combustão tende a entrar em ação por volta de uns 110 km/h (algo como 70 mph) de qualquer maneira.

Ainda assim, para trajetos tranquilos de bairro em modo elétrico, a proposta é realista - e silenciosa. E, mesmo com o motor elétrico trabalhando através do câmbio, você quase não percebe as trocas.

Desempenho, retomadas e freios

Beleza. E como ele se sai como um crossover de 320 bhp?

O 0–62 mph (0–100 km/h) vem em animados 5,7 segundos. Só não confunda isso com respostas sempre instantâneas. Se você vinha rodando com leveza e o motor térmico está “dormindo”, ele leva um instante para acordar, reduzir uma ou duas marchas, encher a pressão e começar a puxar. A boa notícia é que todo esse ritual acontece de forma suave - e dá para se antecipar com um toque na borboleta de redução (a da esquerda).

O motor faz um som um pouco “tilintante”, mas o conjunto entrega de um jeito realmente convincente: a integração é tão bem feita que, se você se concentrar no som do sistema de áudio, quase esquece que há algo além de um carro a gasolina silencioso e rápido.

Ele também reboca duas toneladas, o que deixa claro que a intenção é séria.

E o pedal de freio merece elogio: a progressividade é bem natural, algo que nunca dá para considerar garantido quando existe mistura entre frenagem regenerativa do elétrico e freio convencional.

Consumo, regeneração e impostos

E toda essa regeneração e “mágica” de híbrido… economiza mesmo?

Eu registrei cerca de 17 km/l (40 mpg) num trajeto de aproximadamente 64 km (40 milhas) com uma tocada bem vigorosa. No dia a dia, você provavelmente veria algo como 21 km/l (60 mpg) na maioria das vezes para um percurso desse tamanho, indo de bateria cheia a vazia. Os números oficiais são 117 mpg e 59/km. Assim, você não cai abaixo do limite de tributação de 50 g/km.

Se a sua prioridade for escapar do imposto BIK ou se você precisar de melhor economia em cruzeiro quando a bateria estiver zerada, existe também o GLC 300 de, com o mesmo sistema híbrido ligado a um motor a diesel. Eu experimentei isso no GLE 300 de maior e, infelizmente, o funcionamento tende a ser mais truncado no geral. Fique atento.

Conforto, cabine e tecnologia a bordo

Ok, chega de conjunto mecânico. E o resto do GLC, como é?

É muito bom, de verdade. Por fora, ele é compacto e discreto o suficiente para não chamar atenção de todo mundo; por dentro, sobra espaço para um grupo de adultos. Aliás, ele é maior do que a primeira geração da Classe M.

A construção passa sensação de solidez e o isolamento é excelente. Ele tem aquele “ar de Mercedes” reconfortante - não no estilo espalhafatoso que alguns modelos novos às vezes adotam, mas com a dignidade da aristocracia de Untertürkheim.

O ponto mais chamativo é que agora ele recebeu a interface da geração atual da Mercedes. Faz um monte de coisas inteligentes, mas antes você precisa encarar os touchpads sensíveis demais nos raios do volante.

O acerto de suspensão prioriza conforto, não esportividade: o rodar é bem absorvente e a agilidade não é destaque. Mesmo assim, dá para acelerar o ritmo e ele continua cooperando - embora isso peça uma estrada interessante. No uso normal, o GLC não faz questão de envolver o motorista e tampouco incentiva.

E, curiosamente, o pacote completo de assistentes de condução não está disponível no híbrido. Só que, como ele é tão estável e suave, basta fazer você mesmo - dirigir por conta própria - e isso não exige esforço algum.

7/10

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