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RUTA Block 3: teste na Ucrânia em 2027 e meta de produção em escala
Foi divulgado hoje que a Ucrânia pretende realizar, em 2027, testes do novo míssil de cruzeiro europeu RUTA Block 3, com alcance de 2.000 km. O sistema está sendo desenvolvido pela empresa neerlandesa Destinus em cooperação com a alemã Rheinmetall. A iniciativa busca ampliar as capacidades europeias de ataque de longo alcance por meio de uma arquitetura industrial distribuída entre Países Baixos, Ucrânia e Alemanha, com a meta de viabilizar a fabricação em grande escala.
Família RUTA e cronograma (Blocks 1 e 2 como base do Block 3)
De acordo com a Destinus, o RUTA Block 3 integra uma família de mísseis que já inclui variantes em diferentes fases de desenvolvimento e produção. O RUTA Block 1 já está em produção seriada nos Países Baixos. Já o RUTA Block 2, desenvolvido com apoio da plataforma tecnológica ucraniana Brave1, vem passando por testes de voo em território ucraniano e tem previsão de iniciar a ampliação de produção em 2026. A partir dessa base tecnológica, o Block 3 pretende entrar na categoria de mísseis de longo alcance, com 2.000 quilômetros.
Especificações previstas do míssil de cruzeiro europeu
O futuro míssil deverá contar com ogiva de 250 quilogramas e empregar o motor turborreator Destinus T220, que ainda está na fase de projeto. O pacote também incluirá um sistema avançado de navegação autônoma, pensado para atuar em cenários nos quais os sinais GNSS estejam degradados ou sob interferência, além de capacidades de guiagem terminal e detecção de alvos que seguem em desenvolvimento. Outro ponto previsto é uma arquitetura padronizada de lançamento baseada em contêineres ISO, permitindo emprego a partir de meios terrestres, marítimos e de posições fixas.
Produção distribuída e parceria Destinus–Rheinmetall
Segundo a empresa, o programa foi estruturado para remodelar a capacidade europeia de ataque preciso de longo alcance, substituindo estoques limitados por uma produção industrial sustentada. O arranjo industrial ficará dividido em três polos principais. Nos Países Baixos, a Destinus atuará como autoridade de engenharia e design e manterá a produção central da família RUTA. Na Ucrânia, a companhia participará tanto do desenvolvimento quanto dos testes operacionais do Block 3 e fabricará componentes essenciais do míssil.
Joint venture na Alemanha e entregas previstas
Na Alemanha, está prevista a criação da joint venture Rheinmetall Destinus Strike Systems, voltada a ampliar a capacidade de fabricação, a integração final e a certificação dos sistemas para a Bundeswehr e outros clientes institucionais europeus. A produção na unidade de Unterlüß começaria com os mísseis RUTA Block 1 e RUTA Block 2 entre 2026 e 2027. O RUTA Block 3 entraria posteriormente, após a conclusão dos testes de voo e do processo de certificação.
“O continente europeu está entrando em uma nova era de defesa em que o fator decisivo já não é apenas a existência de armas de precisão, mas a capacidade de produzi-las, repô-las e evoluí-las em escala industrial durante operações prolongadas de alta intensidade”, afirmou Mikhail Kokorich, diretor executivo da Destinus. Ele acrescentou que “o RUTA Block 3 foi projetado em torno dessa realidade: uma arquitetura europeia soberana, produção industrial distribuída e capacidade de escalar rapidamente entre nações aliadas”.
Na mesma direção, Armin Papperger, diretor executivo da Rheinmetall AG, declarou que “as capacidades de ataque profundo de precisão, isto é, a capacidade de atingir alvos estrategicamente importantes com precisão milimétrica mesmo em profundidade dentro do território inimigo, contribuem para uma dissuasão crível e são de grande importância em termos de política de segurança”. Ele também disse que a empresa espera formalizar a joint venture com a Destinus antes do fim do ano e iniciar a entrega dos primeiros mísseis fabricados em Unterlüß antes do encerramento de 2026.
A Destinus destacou ainda que o desenvolvimento do RUTA Block 3 toma como referência as lições operacionais obtidas na guerra na Ucrânia e que todas as atividades associadas ao programa serão conduzidas conforme as normas nacionais e europeias aplicáveis. A empresa ressaltou igualmente que a produção, a exportação e a evolução do sistema estarão sujeitas a controles governamentais e às regulamentações europeias vigentes de exportação.
Imagens meramente ilustrativas.
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