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A Austrália decidiu acelerar a virada de chave: em vez de depender apenas de compras no exterior, quer produzir em casa mísseis de cruzeiro antinavio Naval Strike Missile (NSM). Esse movimento ganhou um novo impulso depois que o governo de Anthony Albanese assinou com a Noruega um Memorando de Entendimento (MoU) para aprofundar a cooperação na aquisição, fabricação e manutenção desses mísseis em território australiano. O acordo, anunciado em 14 de maio, faz parte da estratégia de Canberra para reduzir a dependência externa em munições de longo alcance e consolidar o país como um polo regional de produção de mísseis ao lado de parceiros aliados.
O entendimento também se encaixa na chamada Strike Missile Family, que reúne Austrália, Noruega e outros dez países - todos clientes do Naval Strike Missile e do Joint Strike Missile (JSM), desenvolvidos pela norueguesa Kongsberg Defence & Aerospace. De acordo com o comunicado do Ministério da Defesa australiano, o acordo deve ampliar a troca de informações e a colaboração industrial entre os participantes, apoiando os esforços da Austrália para adquirir, fabricar e sustentar ambos os sistemas, em linha com a Estratégia Nacional de Defesa 2026 e o Guided Weapons and Explosive Ordnance Plan 2024.
A iniciativa se apoia em um investimento de até 850 milhões de dólares australianos para viabilizar a fabricação e a manutenção local dos mísseis de cruzeiro antinavio NSM, JSM e componentes prioritários. Isso inclui a construção de uma nova planta em Newcastle, que deve começar a produzir mísseis para as Forças de Defesa Australianas e para países parceiros a partir de 2027. Ao mesmo tempo, o projeto integra um pacote maior, estimado em até 36.000 milhões de dólares australianos ao longo da próxima década, voltado a acelerar a aquisição e a produção nacional de munições de maior alcance.
No caso da Marinha Real Australiana, o NSM tem papel central no processo de modernização das capacidades de guerra de superfície. A Austrália já havia escolhido o míssil para substituir gradualmente os veteranos RGM-84 Harpoon nos navios de superfície, incluindo os destróieres da classe Hobart e as fragatas da classe Anzac, reforçando a capacidade de ataque naval a distância. Em especial, o sistema norueguês se destaca pelo perfil de voo sea-skimming, baixa assinatura radar, guiagem inercial/GPS, navegação adaptativa sobre o terreno e um buscador infravermelho de imagem na fase terminal, o que permite engajar alvos navais e, dependendo da configuração, objetivos terrestres costeiros.
Vale mencionar que a Marinha Real Australiana empregou os mísseis no exercício RIMPAC 2024, marcando um novo marco nas capacidades navais de seus navios. Os NSM foram adquiridos como parte de um acordo assinado com a norueguesa Kongsberg em 2023, tendo sido selecionados no âmbito do Project Sea 1300.
A produção local também deve ser entendida em paralelo com a recente seleção da fragata japonesa Mogami Melhorada para o programa australiano de fragatas de propósito geral. Como foi informado, a Austrália acertou com o Japão a compra inicial das três primeiras unidades da classe, com ampliação posterior para 11 navios. Essas futuras fragatas também estão previstas para integrar o Naval Strike Missile, o que tende a consolidar o NSM como o míssil antinavio padrão da frota de superfície australiana nas próximas décadas.
Para o ministro da Indústria de Defesa, Pat Conroy, o acordo com a Noruega busca fortalecer os estoques de armamentos, gerar empregos locais e avançar rumo a uma defesa “feita na Austrália”. No plano estratégico, o recado é ainda mais amplo: Canberra pretende deixar de ser apenas um comprador avançado de mísseis e passar a atuar como produtor dentro de uma rede aliada de suprimentos, em um cenário regional no qual manter arsenais de longo alcance se tornou prioridade para a dissuasão no Indo-Pacífico.
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