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Furtos de cobre em postos de carregamento de veículos elétricos levam operadores a instalar geolocalizadores nos cabos

Homem de colete amarelo conectando cabo a carro em posto de recarga de veículos elétricos.

Operadores de postos de carregamento de veículos elétricos passaram a instalar geolocalizadores nos cabos dos carregadores para tentar conter os furtos de cobre - um metal com alto valor comercial. Esse tipo de crime começou a aparecer em Portugal no início de 2025 e, em pouco mais de um ano, a GNR já contabilizou 101 ocorrências.

A GNR começou a registrar furtos de cobre em postos de carregamento de veículos elétricos em 2025 e, só naquele ano, foram contabilizadas 75 ocorrências.

Até 31 de maio deste ano, foram somados mais 26 furtos, totalizando 101 casos registrados pelas autoridades.

De acordo com o major Hugo Almeida, da Divisão de Análise e Investigação Criminal da Direção de Investigação Criminal da GNR, quem pratica esse tipo de furto atua principalmente durante a noite e usa "a uma ferramenta simples, como um alicate de corte" para retirar os cabos de carregamento. Em seguida, o cobre é separado do revestimento plástico e o metal - mais valioso - é vendido.

Medidas de combate

Diante dessa sequência de furtos, operadores da rede pública de carregamento elétrico vêm reforçando a segurança dessas infraestruturas. Em declarações ao JN, o major Hugo Almeida afirma que as empresas estão apostando em soluções tecnológicas para diminuir a vulnerabilidade dos equipamentos.

"A instalação de sistemas de geolocalização nos próprios cabos, que permite que depois de cortado seja possível localizar o cabo, é uma das soluções", descreve.

Além disso, segundo o oficial da GNR, foram adotadas "tecnologias de marcação forense e de proteção física dos cabos", assim como mecanismos de alerta capazes de indicar rapidamente quando um posto fica inoperante e, com isso, acelerar a resposta ao furto.

"As empresas têm vindo a adaptar-se", conclui o major Hugo Almeida, demonstrando convicção de que as medidas implementadas ajudaram a reduzir a expressão do fenômeno. "Continua a ocorrer, mas já não com a dimensão do ano passado", afirma.

A Associação Portuguesa de Operadores e Comercializadores de Mobilidade Elétrica (APOCME) também informa que "os operadores têm vindo a reforçar medidas de monitorização, deteção, videovigilância e proteção física dos equipamentos".

"Este é um fenómeno criminal muito associado à expansão da rede de carregamentos elétricos e principalmente à valorização do cobre no mercado paralelo", destaca ainda Hugo Almeida. "O valor do cobre tem vindo a aumentar" e "isto pode ser a justificação para que [os cabos dos carregadores] sejam um objeto apetecível para as redes criminosas", complementa.

O oficial da GNR também ressalta que o cobre furtado dos postos de carregamento é, "muitas vezes, introduzido nos circuitos legais de receção de cobre". "Até ao momento não temos qualquer identificação de circuitos ilegais de cobre". Ainda assim, o registro da identidade de quem entrega o metal nesses locais acaba sendo importante para a investigação. v

Furtos deixam carregadores inoperacionais

Além do prejuízo material, os furtos têm deixado vários postos de carregamento indisponíveis, obrigando motoristas a buscar alternativas. "Este fenómeno não afeta apenas as empresas (...). Afeta também uma panóplia de utilizadores de veículos elétricos", alerta o major Hugo Almeida. A APOCME também sustenta que o impacto aparece "na disponibilidade do serviço e na experiência dos utilizadores" e acrescenta que os custos dessas ocorrências retiram recursos que poderiam ser direcionados à expansão da rede. Já a Associação Portuguesa do Veículo Elétrico reconhece que os furtos "têm impacto na experiência do utilizador", mas não vão travar o crescimento da mobilidade elétrica em Portugal.

Furtos por distrito

Em 2025, Setúbal foi o distrito com mais furtos de cabos, com 32 ocorrências, seguido por Lisboa (22), Santarém (12), Leiria (5), Évora (4) e Aveiro (1). Neste ano, até o fim de maio, Setúbal seguia na liderança, com 11 casos, à frente de Lisboa (8), Évora (4) e Porto (3) - distrito que não havia registrado nenhuma ocorrência em 2025.

Detenções

Em 2025, a GNR prendeu dois indivíduos em flagrante delito, suspeitos do furto de mais de 100 carregadores, em diferentes postos de carregamento.

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