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A330neo da GOL pode voar na Etihad antes de chegar ao Brasil

Dois homens de terno apertam as mãos na pista de aeroporto, com avião Etihad Go ao fundo e miniaturas na mesa.

A330neo da GOL pode estrear fora do Brasil

O primeiro Airbus A330neo destinado à GOL Linhas Aéreas ainda não está pronto - e há chance de o seu primeiro emprego ser bem longe do país: nos Emirados Árabes Unidos.

Enquanto aguarda a chegada de cinco unidades do Airbus A330-900neo que antes pertenciam à concorrente Azul Linhas Aéreas, a companhia brasileira começou recentemente sua operação intercontinental na rota Rio de Janeiro (Galeão) – Nova York (JFK). Para isso, está a utilizar um Airbus A330-200 da empresa irmã Wamos Air, também controlada pelo Grupo Abra, com tripulação estrangeira a operar os voos.

A lógica é acelerar o início dos serviços internacionais da GOL, aproveitando a janela de demanda relacionada à Copa do Mundo, mesmo antes de os seus próprios A330-900neo entrarem em operação. Ainda não existe uma data oficial confirmada para a incorporação dessas aeronaves, mas a expectativa é que isso aconteça até o fim deste ano.

O que prevê o acordo Etihad Airways–Grupo Abra

Um novo entendimento, contudo, pode alterar o caminho de alguns desses jatos - inclusive com a possibilidade de voarem primeiro no exterior. No acordo anunciado hoje entre a Etihad Airways e o Grupo Abra, que controla a Avianca, a GOL e a Wamos Air, as partes definiram bases para “explorar oportunidades por meio do desenvolvimento de malha, programas de fidelidade, arranjos de leasing de aeronaves, serviços de ACMI e colaboração comercial abrangente“.

Na sequência, o comunicado detalha que “a GOL e a Etihad pretendem avaliar um potencial arrendamento (dry lease) de um Airbus A330-900neo, com início em novembro de 2026, enquanto a Wamos Air deve apoiar os planos de expansão da Etihad com a disponibilização de até três aeronaves a partir de março de 2027“.

A parte envolvendo a Wamos Air não surpreende tanto, já que a empresa hoje atua sobretudo com voos fretados e operações para terceiros no formato ACMI - modelo em que se fornece a aeronave junto da tripulação, da manutenção e dos seguros necessários, conhecido no mercado como arrendamento com tripulação (ou wet lease). É exatamente assim, por exemplo, que a Wamos opera atualmente os A330 em nome da GOL.

Já a menção a um Airbus A330-900neo da GOL possivelmente a serviço da Etihad num arrendamento a seco (isto é, apenas o avião, sem tripulação e sem suporte técnico) é o ponto que chama atenção. O plano divulgado para a estreia do A330neo na GOL indica a primeira operação em 16 de janeiro de 2027, na rota Galeão – Lisboa, com o jato a assumir os voos para Nova York em 28 de março.

Diante do que foi comunicado hoje, abre-se a possibilidade de que os primeiros A330neo da GOL voem na Etihad Airways antes de, então, seguirem para o Brasil e passarem a operar a partir do Rio de Janeiro rumo a Portugal e aos Estados Unidos.

Paralelo histórico: A330 da TAM, Congonhas e a origem da Etihad

Já visto?

Há um detalhe histórico curioso: os dois primeiros Airbus da TAM Linhas Aéreas (hoje LATAM Brasil), de matrículas PT-MVA e PT-MVB - os mesmos que protagonizaram o lendário pouso em Congonhas com o comandante Rolim Amaro em 1998 - também já estiveram ligados à Etihad Airways.

No fim de 2003, esse par de A330-200 foi transferido para a South African Airways, na África do Sul. Em junho do ano seguinte, as aeronaves seguiram para a companhia dos Emirados Árabes Unidos, onde passaram a voar com as matrículas A6-EYX e A6-EYY e receberam a pintura completa da Etihad.

Depois, os A330 seguintes, de matrículas PT-MVD e PT-MVE, também foram colocados em arrendamento a seco para a empresa árabe, tornando-se A6-EYA e A6-EYB. Na prática, foram os primeiros aviões operados pela Etihad Airways: inclusive o PT-MVE fez o voo inaugural da companhia em 12 de novembro de 2003 entre Abu Dhabi e Beirute, no Líbano, com a matrícula A6-EYA, como mostra a foto mais acima.

Essas quatro aeronaves formaram o núcleo inicial do que viria a ser uma grande empresa - e que, por uma nova ironia do destino, hoje é comandada por um brasileiro, o executivo Antonoaldo Neves, ex-CEO da Azul Linhas Aéreas e da TAP Air Portugal:

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