Pular para o conteúdo

Argentina e Israel aprofundam cooperação militar e modernização do Exército Argentino

Soldado em campo aberto com fuzil e equipamentos militares, ao lado de veículos blindados.

A relação bilateral entre a Argentina e Israel segue se aprofundando em ritmo acelerado. Embora a recente visita do presidente Javier Milei ao Oriente Médio, voltada à assinatura de novos Memorandos de Entendimento (MoU), estabeleça uma espécie de guia para o vínculo, a cooperação militar entre os dois países vem ganhando corpo com foco particular na modernização do Exército Argentino.

Até o momento, e com a atualização dos VC TAM para o padrão 2C-A2 em andamento, outras frentes vêm sendo impulsionadas pelo Ministério da Defesa, liderado pelo tenente-general Carlos Presti. Essas iniciativas se organizam em três eixos: armamento individual, incorporação de uma nova plataforma de artilharia autopropulsada sobre rodas e a modernização dos TAM VCTP.

A seguir, apresentamos um panorama do estágio atual desses três pilares centrais da agenda de defesa entre Argentina e Israel.

Incorporação de novos fuzis IWI ARAD

Conforme noticiado recentemente pela Zona Militar, e a partir de declarações do secretário de Assuntos Internacionais para a Defesa, tenente-coronel (R) licenciado Daniel Enrique Martella, durante uma palestra na Universidade da Defesa Nacional (UNDEF), o Exército Argentino aguarda a chegada dos primeiros lotes dos novos fuzis ARAD, fabricados pela Israel Weapons Industries (IWI).

No calibre 7,62 mm - com disponibilidade também em 5,56 mm -, tanto o ARAD 7 quanto o ARAD 5 têm como objetivo se firmar como substitutos futuros dos atuais FN FAL, em serviço no Exército Argentino há décadas. Mesmo após um programa de modernização, o FAL ainda demanda uma troca, aguardada há anos.

Ainda assim, os lotes iniciais a serem recebidos - em uma data que não foi divulgada e permanece tratada com reserva pela Força e pelo Edifício Libertador - tendem a ser menores. A ideia, com isso, seria iniciar de forma gradual a capacitação do efetivo com o novo fuzil, um aspecto relevante sempre que se incorpora uma nova capacidade e um novo sistema de armas.

Novo veículo de artilharia sobre rodas (VAR)

Como vem sendo registrado há anos por meio da divulgação de diferentes projetos - incluindo iniciativas no Banco de Investimento Público (BAPIN) -, o Exército Argentino necessita incorporar uma nova plataforma de artilharia autopropulsada.

Ao acompanhar e atualizar a visão sobre o emprego da artilharia em conflitos atuais, com destaque inequívoco para a guerra na Ucrânia, a instituição colocou como prioridade a adoção de um novo Veículo de Artilharia sobre Rodas (VAR). Entre os candidatos mais consistentes analisados até aqui está o ATMOS, um obuseiro autopropulsado sobre rodas de origem israelense que, em avaliações anteriores conduzidas pela Força, obteve apreciação favorável.

O tema ganha ainda mais peso porque, desde a desativação dos AMX MK F3 há quase uma década, o Exército Argentino passou a contar apenas com uma quantidade limitada de meios de artilharia autopropulsada, concentrados em um núcleo reduzido de obuseiros Palmaria de 155 mm.

Por outro lado, considerando a relevância do projeto para recompor e renovar capacidades do Arma de Artilharia, a Força também vem examinando outras alternativas equivalentes. Essas propostas, diante da ampla oferta de opções e fornecedores, deverão disputar espaço na avaliação oficial com o ATMOS.

Modernização dos Veículos de Combate de Transporte de Pessoal (TAM VCTP)

Por fim, a terceira linha de ação dentro desse vínculo revitalizado - e diretamente alimentada pela experiência e pelas competências obtidas na modernização dos VC TAM - envolve a atualização de um lote de veículos de transporte de pessoal VCTP.

Embora o programa ainda esteja em fase de avaliação e definição, para delimitar o escopo final, a modernização, a depender do nível e da dimensão adotados, incluiria a substituição e renovação de diferentes equipamentos instalados nos atuais blindados de lagartas. A proposta busca, ainda, ampliar a comunalidade de componentes com os VC TAM atualizados ao padrão TAM 2C-A2. Inclusive, foi considerada a hipótese de trocar a torre do blindado por um novo modelo de origem israelense, o que poderia acrescentar capacidades adicionais e ampliar o alcance do programa.

Mesmo assim, a situação financeira enfrentada pelas Forças Armadas exige cautela até que haja definições, assim como a resolução de detalhes contratuais e legais entre os dois países. Esse é um ponto que a agenda bilateral precisaria endereçar caso a intenção seja avançar mais um passo no aprofundamento do relacionamento em defesa.

Como apontou dias atrás o secretário de Assuntos Internacionais para a Defesa, tenente-coronel (R) licenciado Daniel Enrique Martella, em declaração registrada pela Zona Militar em publicação anterior, o funcionário “... reconheceu a existência de diversos obstáculos que têm desacelerado o avanço dessas iniciativas. Entre eles, mencionou diferenças nos processos administrativos e normativos internos, além de dificuldades de natureza econômica, particularmente ligadas às modalidades de pagamento. Enquanto fornecedores internacionais costumam exigir pagamentos antecipados para consolidar contratos, a prática habitual na Argentina se baseia na quitação de saldos contra entrega”.

Renderizações: Zona Militar.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário