Historicamente ligada à segurança automotiva, a Volvo também vem ganhando destaque, nos últimos anos, quando o assunto é sustentabilidade. Um exemplo disso foi o anúncio de que a marca pretende encerrar o uso de motores a combustão a partir de 2030, colocando a eletrificação no centro da estratégia - e o Volvo XC40 Recharge abre esse novo capítulo.
Só que a Volvo não está sozinha nessa transição. No caminho rumo à nova fase, ela encara concorrentes como Audi Q4 e-tron, Mercedes-Benz EQA, Volkswagen ID.4, Skoda Enyaq iV e Kia EV6.
A dúvida é direta: o XC40 Recharge consegue se impor mesmo quando alguns rivais já nasceram desde o início como elétricos, ao contrário dele? Para responder, voltamos a encontrar o primeiro Volvo 100% elétrico, depois de o Diogo Teixeira já ter passado ao volante.
Igual a si mesmo
Se não fosse a falta da grade dianteira e o silêncio com que se desloca, muita gente provavelmente nem perceberia que este Volvo se “alimenta” apenas de elétrons. O que ele deixa de ter em exclusividade visual, por outro lado, compensa com discrição - e isso mesmo lembrando que o XC40, embora siga fielmente a identidade de design da marca sueca, é o modelo mais ousado da linha (ao menos até a chegada do C40 Recharge).
Eu, particularmente, gosto bastante das linhas do XC40 Recharge, sobretudo quando aparece na cor “Verde sage” (exclusiva das versões elétricas), como era o caso do carro avaliado. Agora passo a pergunta para vocês: o que acham do visual do XC40 Recharge? Deixem a opinião na caixa de comentários.
Por dentro, a receita muda muito pouco em relação aos demais XC40. Seguimos com uma cabine de estilo bem Volvo, com grande parte dos comandos físicos eliminada e suas funções reunidas na tela do sistema multimídia.
No uso diário, o espaço interno continua atendendo bem uma família jovem - embora, nesse quesito, o ID.4 e o Enyaq iV sigam como referências. Já o porta-malas oferece 414 litros, abaixo do que se vê na versão com motor a combustão (460 l), e é “auxiliada” pelo prático compartimento dianteiro (com 31 l), útil, por exemplo, para guardar os cabos de recarga.
Potência para “dar e vender”
Mesmo sendo derivado de um C-SUV, o XC40 Recharge exibe números que costumam aparecer em SUVs 100% elétricos maiores (e bem mais caros). Com dois motores elétricos - um no eixo dianteiro e outro no traseiro -, o XC40 Recharge entrega 300 kW de potência, o equivalente a 408 cv, além de 660 Nm, cifras que soam como as de um… esportivo.
Com isso em mente, e apesar de marcar 2188 kg, tudo acontece rápido ao volante do XC40 Recharge - muito rápido. Sem modos de condução além do “Off Road”, o SUV da Volvo exibe desempenho de respeito e é divertido explorar sua capacidade de “disparo” - o 0 aos 100 km/h é feito em apenas 4,9s.
Se o desempenho chama atenção, o sistema “One Pedal Drive” também merece destaque. É verdade que os primeiros quilômetros pedem alguma adaptação, mas, assim que a lógica do sistema fica natural, a tendência é praticamente abandonar o pedal de freio (exceto em situações de emergência, claro) e aproveitar a suavidade dessa condução.
Preço alto, mas…
Naturalmente, tanta força tem seu custo - e ele não é baixo: o modelo está disponível a partir de 57 151 euros.
Ainda assim, façam comigo a comparação com os rivais citados. O Q4 e-tron mais potente, o 50 quattro, entrega 299 cv e custa 57 383 euros; o EQA 350 4MATIC, com 292 cv, chega a 61 250 euros; o ID.4 GTX, com 299 cv, sai por 51 513 euros; o Enyaq iV começa em 46 440 euros, mas fica nos 204 cv; e apenas o Kia EV6 GT oferece mais potência, com impressionantes 585 cv, porém também sobe para 64 950 euros.
Potente, mas poupado
Para “alimentar” os dois motores elétricos do Volvo XC40 Recharge, há uma bateria de íons de lítio com 78 kWh de capacidade (75 kWh de capacidade útil), um valor alinhado ao padrão do segmento. Com ela, a Volvo declara autonomia no ciclo WLTP de 416 km, que pode chegar a 534 km em uso urbano.
Depois de alguns dias com o XC40 Recharge, dá para dizer que a Volvo foi tão competente na eficiência quanto no desempenho. Durante a avaliação, a média ficou sempre entre 18 kWh/100 km e 20 kWh/100 km, mesmo com um estilo de condução que nem sempre priorizou a economia.
É claro que, quando a gente se empolga com os 408 cv e 660 Nm, os números sobem de forma perceptível - mas sem chegar ao ponto de gerar dúvidas reais sobre alcançar o destino. Em outras palavras, o XC40 Recharge faz um bom trabalho para “afastar” a famosa ansiedade de autonomia.
Onde os 2188 kg aparecem de maneira mais evidente é em curvas ou ao passar por irregularidades e depressões no asfalto. Atenção: o XC40 Recharge continua previsível e seguro, mas os cerca de 500 kg extras em relação às versões com motor a combustão “roubaram-lhe” parte da eficácia, e nem o centro de gravidade mais baixo resolve completamente.
É o carro certo para si?
Além das qualidades já conhecidas no XC40 - como o visual bem resolvido e os sistemas de segurança -, a configuração 100% elétrica soma as vantagens típicas das propostas movidas apenas a elétrons.
É verdade que ele não é o SUV mais barato do segmento, mas também é fato que, pelo valor pedido pela marca escandinava, nenhum rival entrega o mesmo nível de potência ou desempenho.
Os 408 cv deixam a direção do Volvo XC40 Recharge mais divertida, enquanto a boa gestão da bateria e a capacidade de “recuperar” cerca de 80% da carga total em 40 minutos em um carregador de corrente contínua (150 kW) permitem encará-lo, com tranquilidade, como o único carro de uma família.
Diante desses argumentos - e lembrando que este é apenas o primeiro capítulo elétrico da Volvo -, dá para dizer, sem grande receio, que a marca sueca não precisa olhar para o futuro com preocupação: ela parece pronta para a “era da eletrificação”.
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