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Teste da Renault Kangoo: mais “civilizada” e versátil

Carro SUV elétrico branco Renault Kangoo 24 em ambiente interno moderno com plantas e móveis.

Desde que estreou em 1997, e depois de duas gerações, a Renault Kangoo virou uma das grandes referências entre os pequenos furgões comerciais - embora, como qualquer modelo, também sinta o peso do tempo.

Foi por isso que comecei este teste da terceira geração da Kangoo com uma expectativa especial e, confesso, bem pessoal. Minhas primeiras “aventuras automobilísticas” aconteceram ao volante de um exemplar da primeira geração; naturalmente, eu queria entender como evoluiu o utilitário que, ano após ano, costuma aparecer entre os mais vendidos do segmento.

Para deixar a avaliação ainda mais interessante, este teste aconteceu pouco depois de eu ter colocado à prova uma de suas principais rivais, a Volkswagen Caddy. Assim, deu para medir com mais clareza até que ponto a proposta francesa tem “estofo” para se firmar como uma referência.

Cada vez mais “civilizada”

Ficaram para trás os tempos em que veículos comerciais eram pouco mais do que “caixas com quatro rodas”. A nova Renault Kangoo ilustra bem essa mudança. Mesmo mantendo um visual claramente mais utilitário - sobretudo nesta versão de carga -, o desenho segue a identidade da linha atual da Renault.

É por dentro, porém, que a aproximação com o universo dos carros de passeio aparece com mais força. Entre qualidade percebida dos materiais e a lista de equipamentos, a experiência a bordo remete muito mais a um automóvel de uso pessoal do que a um veículo estritamente de trabalho.

Aliás, se não fosse o compartimento de carga logo atrás dos bancos dianteiros, seria fácil imaginar que estamos em um modelo como um Clio.

E as boas notícias não param aí. Mesmo com a aparência mais moderna, a Renault Kangoo não abriu mão de soluções pensadas para quem precisa transformá-la em um “escritório itinerante” - e é nesse ponto que a experiência da Renault no segmento fica evidente.

Há vários compartimentos fechados para guardar itens, diversas portas USB, o suporte de smartphone bastante prático estreado pelo Dacia Sandero e até a alavanca do câmbio posicionada mais alta, o que ajuda quem passa muitas horas dirigindo a Kangoo.

Nesse aspecto, para ser justo, a Kangoo se coloca como uma das referências do segmento, superando propostas como a Caddy que, apesar de ter um interior moderno e bem montado, entrega menos alternativas de porta-objetos e flexibilidade.

Espaço para “dar e vender”

Cada vez maiores, os furgões equivalentes ao segmento B (dá para chamá-los de B-Vans?) hoje oferecem volumes de carga que, alguns anos atrás, eram encontrados apenas em opções maiores.

No caso da Kangoo que avaliei, estamos falando de um compartimento com 3,3 m3 de volume (3,9 m3 com o banco dianteiro rebatido), com 1706 mm de comprimento e 1517 mm de largura (1247 mm entre as caixas de roda). E, mesmo sendo números muito bons, a Renault ainda criou soluções para ampliar a praticidade no dia a dia.

Para começar, o sistema “Open Sesame by Renault” elimina o pilar B (o central) e entrega o maior vão de acesso lateral direito da categoria, com 1446 mm.

Além disso, atrás do banco do passageiro há uma divisória em rede que, assim como o próprio banco, pode ser rebatida. Com isso, dá para levar objetos com até 3053 mm de comprimento total - há carros mais curtos!

Pensando no trabalho pesado, a Kangoo oferece capacidade de carga de até 644 kg e seis ganchos de fixação no piso do compartimento. Na prática, e como pude comprovar ao rodar com ela, esse conjunto faz da nova Renault Kangoo uma das opções mais versáteis do segmento, facilitando muito a rotina de quem depende do veículo como parceiro profissional.

Ao volante da Kangoo

Em um carro de trabalho, o espaço e a capacidade de carga são fundamentais - mas o desempenho e a facilidade de condução contam tanto quanto. Aqui, começo destacando a posição de dirigir da Kangoo, que é, como o restante do projeto, bem próxima à de um automóvel de passeio.

Outro ponto que ajuda no uso diário é a possibilidade de equipar, como opcional, um retrovisor interno digital (que exibe a imagem da câmera traseira). Isso contorna um dos maiores inconvenientes das versões de carga: a falta de visibilidade para trás.

Rodando na estrada, o comportamento se mostrou, acima de tudo, neutro - não por acaso, a base é a mesma usada por Clio e Captur. A direção tem boa precisão e um peso bem acertado e, mesmo sem carga, a Kangoo se mantém “sempre na ordem”, permitindo ritmos mais altos sem sustos.

Já o motor Diesel, o onipresente 1.5 dCi, se destacou principalmente pela economia - algo decisivo nesse tipo de veículo. Durante o teste, mesmo com a Kangoo carregada, as médias ficaram na casa de 5,5 l/100 km; e, com condução mais tranquila e a caçamba vazia, cheguei inclusive a 4,6 l/100 km.

Por fim, as prestações deixam clara a “dupla personalidade” desse motor. Em baixa rotação ele é “quase inexistente”, dependendo bastante da entrada do turbo para ganhar vida. A partir daí, fica bem mais interessante e permite fazer ultrapassagens com segurança.

Esse jeito mais “preguiçoso” em baixa e mais “atlético” em médias e altas do 1.5 dCi faz com que seja comum recorrer ao câmbio manual de seis marchas. Ele é agradável e suficientemente preciso e também ajuda nos bons consumos, já que tem relações um pouco longas.

É o carro certo para você?

Com mais de 20 anos de presença no mercado, a Renault Kangoo é o resultado do auge de décadas de experiência acumulada pela Renault nesse segmento (uma trajetória que começou com a saudosa Renault 4F) - e isso aparece claramente ao dirigir.

Das soluções de porta-objetos ao desempenho do motor, passando pelo baixo consumo e pelo conforto ao rodar, tudo contribui para que a Kangoo volte a ser, mais uma vez, uma das principais opções entre os pequenos comerciais.

Além disso, os intervalos de manutenção relativamente longos do motor (30 mil quilômetros ou dois anos) reforçam a proposta francesa como uma “boa amiga” de quem trabalha com o veículo. Por fim, o preço mais alto espelha a evolução dos comerciais e a maior proximidade com os automóveis de passeio.


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