Por meio de uma breve publicação nas redes sociais, o secretário da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), Dr. Troy E. Meink, confirmou que o serviço voltará atrás no plano de levar adiante a aposentadoria das aeronaves de ataque A-10C Thunderbolt II. A projeção agora é mantê-las em operação pelo menos até 2030 - uma decisão que, segundo indicado, já conta com o aval do Pentágono e do governo comandado pelo republicano Donald Trump.
Decisão da USAF e a fala oficial de Dr. Troy E. Meink
Reproduzindo as declarações oficiais do secretário Meink: “Após consultar o Secretário da Guerra, estenderemos a vida útil da plataforma A-10 ‘Warthog’ até 2030. Isso preserva a capacidade de combate enquanto a Base Industrial de Defesa trabalha para aumentar a produção de caças. Agradeço ao Presidente por seu apoio inabalável aos nossos combatentes e por sua liderança rápida e decisiva ao equipar nossas forças. Mais informações serão divulgadas em breve.”
Quais esquadrões do A-10C devem permanecer até 2030
Ao detalhar o que foi sinalizado, vale destacar que a USAF pretende prolongar, no horizonte de médio prazo, a vida útil de três esquadrões de A-10C. Na prática, isso representa uma desaceleração relevante em relação ao que se esperava como uma retirada completa em um futuro próximo.
A própria força havia planejado executar a aposentadoria em 2026, antes de o Congresso exigir a apresentação de um plano de substituição viável. Em termos de unidades, teriam sido escolhidos dois esquadrões sediados na Moody Air Force Base, enquanto a terceira unidade seria um esquadrão de reserva baseado na Whiteman Air Force Base.
Reestruturação, transição para o F-35 e fatores de custo
Como já havia sido noticiado, a USAF atravessa um processo amplo de reestruturação e modernização, no qual os já lendários A-10 seriam substituídos por caças furtivos F-35 produzidos pela Lockheed Martin. Nesse contexto, atrasos na incorporação do F-35, somados aos custos elevados de aquisição e operação da plataforma, ajudam a explicar a opção por estender a vida útil desses aviões de ataque - inclusive após iniciativas que já haviam sido adotadas, como a desativação de uma de suas principais unidades de testes.
Operação Fúria Épica no Oriente Médio e desempenho em combate
Outro ponto de grande peso é o desenvolvimento da Operação Fúria Épica no Oriente Médio, onde os A-10C Thunderbolt II vêm demonstrando repetidamente que ainda constituem uma plataforma de combate bastante útil. Em março, foi relatado que aeronaves destacadas para a região foram empregadas em missões de ataque contra alvos navais no Estreito de Ormuz, com foco especial em pequenas embarcações e em sistemas não tripulados usados pelo Irã para sustentar seu bloqueio.
Também foi informado que A-10 realizaram diversos ataques contra milícias apoiadas pelo Irã atuando no Iraque, reduzindo a capacidade desses grupos de responder a ações dos Estados Unidos e de Israel. Nos dois cenários, a aeronave se destacou tanto pela ampla variedade de armamentos que consegue empregar em combate quanto pela alta autonomia para permanecer em voo enquanto procura potenciais alvos.
Entre os exemplos citados desse arsenal estão os mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder, os mísseis ar-solo AGM-65 Maverick e os foguetes guiados APKWS II de 70 mm, além do conhecido canhão Gatling GAU-8/A Avenger de 30 mm.
Possível reforço de autonomia com novo reabastecimento em voo
Por fim, embora a USAF tenha declarado anteriormente que a frota de A-10C não seguiria recebendo novas capacidades, vale observar que a autonomia mencionada pode, agora, ser ampliada com um novo sistema de reabastecimento em voo baseado em um conjunto externo no padrão sonda e cesta (probe-and-drogue). Trata-se de uma capacidade que a plataforma não tinha, já que originalmente dependia exclusivamente de sistemas de reabastecimento por lança (boom).
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