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Tesla Model 3: como virou líder do segmento D na Europa em 2021

Carro elétrico branco Tesla Model 3 estacionado em showroom com pontos de recarga ao fundo.

Em 2021, o Tesla Model 3 alcançou um resultado duplo no mercado europeu: além de ter sido o elétrico mais emplacado, acabou, de forma até inesperada, como líder absoluto do segmento D.

Tradicionalmente, essa faixa é território dos grandes alemães - BMW Série 3, Mercedes-Benz Classe C e Audi A4.

Ainda assim, no fechamento de 2021, quem apareceu em primeiro foi o Model 3, da norte-americana Tesla. O feito chama atenção porque o carro é exclusivamente elétrico e oferecido apenas como sedã, enquanto os rivais germânicos contam com mais tipos de motorização (gasolina, diesel, híbridos plug-in) e, na gama, também têm opção de perua.

No total, o Tesla Model 3 somou 141 429 unidades vendidas na Europa em 2021 (17.º modelo mais vendido no ranking geral), um avanço expressivo de 64% frente a 2020 - com o destaque adicional de ter sido o modelo mais vendido na Europa em setembro e dezembro. Ele ficou com folga à frente do BMW Série 3, que registrou 116 250 unidades (-2% em relação a 2020), ocupando a segunda colocação.

Já o Audi A4 e o Mercedes-Benz Classe C apareceram mais atrás, com 54 934 unidades (-29%) e 52 430 unidades (-35%), respectivamente.

Como chegou o Tesla Model 3 à liderança do segmento D?

Sem tirar o mérito do Model 3, é importante lembrar que o mercado europeu em 2021 sofreu fortemente com a escassez de chips. Por isso, a maioria das montadoras passou a priorizar na produção os modelos de maior margem de lucro, mesmo quando outros veículos eram mais procurados.

Um exemplo claro: o Série 3 da BMW recuou 2% em comparação com 2020, enquanto o X3, SUV equivalente (e mais rentável), teve um salto de 12% nas vendas.

Também conta o fato de a Tesla ter sido uma das marcas que melhor administrou a falta de chips, reagindo com rapidez. Como desenvolve e controla seu próprio software, a empresa o reescreveu para conseguir usar outros chips cuja fabricação não estava tão comprometida - uma flexibilidade que outras fabricantes de automóveis não conseguiam bancar.

Ainda assim, entre as marcas alemãs, a BMW foi a que melhor atravessou a crise dos semicondutores, fechando 2021 com um recorde de vendas. Só que o crescimento da Tesla foi muito mais forte: suas vendas globais avançaram 87%, chegando a um pouco mais de 936 mil unidades.

O «rei» dos elétricos

O desempenho do Tesla Model 3 no segmento D já é marcante, mas esse crescimento também garantiu ao modelo o título de elétrico mais vendido da Europa em 2021, tirando a liderança do menor e mais acessível Renault Zoe. E a diferença não foi pequena.

Se em 2020 o Renault Zoe ficou a uma «unha negra» de bater 100 mil unidades vendidas na Europa e, ainda assim, levou o posto de elétrico mais vendido, em 2021 o Tesla Model 3 simplesmente «estilhaçou» essa marca ao chegar às já citadas 141 429 unidades.

Tudo isso mesmo com o Model 3 posicionado dois segmentos acima do Zoe e com um preço de entrada também mais alto.

Em 2021, o Renault Zoe teve queda de 28% e parou em 71 614 unidades, praticamente metade do volume do modelo norte-americano. Parte dessa retração pode ser atribuída à crise dos semicondutores, mas também ao avanço de novas opções 100% elétricas, o que vem fragmentando mais o mercado.

E agora?

O 2021 brilhante do Tesla Model 3 na Europa é um feito relevante, mas pode ser «sol de pouca dura». Curiosamente, não por se esperar, já em 2022, uma reação forte de todos os rivais - sejam os alemães ou outros.

A maior ameaça ao domínio do Model 3 pode estar dentro de casa: o «irmão» Model Y, que começou a ser comercializado na Europa no ano passado.

Neste ano, o Model Y passa a ser produzido na fábrica europeia da Tesla, nas imediações de Berlim, na Alemanha, o que deve ajudar a reduzir as limitações de entrega de unidades no continente.

Com isso, fica a pergunta: até onde vai a «fome» dos europeus pelos modelos da Tesla? E quanto a marca norte-americana ainda pode crescer no «velho continente»?

Fonte: JATO


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