Quando chegou ao mercado, no ano 2000, o Volkswagen Lupo GTI ganhou fama quase imediata por ser visto como o herdeiro espiritual do primeiro Golf GTI, lançado em 1976.
E era fácil entender o motivo: assim como o clássico, o Lupo GTI era compacto, leve e usava um quatro-cilindros em linha de 1600 cm³, exatamente a mesma cilindrada do Golf GTI original.
Os números também reforçavam essa proximidade. O 1.6 - o mesmo que equipava o contemporâneo (e hoje pouco lembrado) Polo GTI - entregava 125 cv às 6500 rpm e 152 Nm às 3000 rpm, ou seja, 15 cv e 12 Nm a mais do que o primeiro Golf GTI.
Essa vantagem ajudava a neutralizar o ganho de peso do Lupo em relação ao Golf - 975 kg vs 810 kg - e, com isso, garantir desempenho superior. Até aqui, música para os nossos ouvidos…
No Volkswagen Lupo GTI, o 0–100 km/h era feito em 8,2s (-0,9s), enquanto a velocidade máxima chegava a 205 km/h (+23 km/h). Números que se encaixavam perfeitamente no nível de esportivos da época, como o Peugeot 106 GTI.
Guerra aos quilos
Por ter um projeto mais recente, o peso extra fazia sentido: havia mais rigidez estrutural e também mais itens de segurança e conforto.
Ainda assim, a marca alemã não ficou parada e adotou soluções para manter a massa sob controle. Como? Com alumínio no capô, nas portas e nos paralamas.
"Tanto empenho Volkswagen… gostamos disso."
Essa busca por cortar quilos virava um contraste saboroso com o que acontecia no restante da indústria. Foi justamente nessa fase que os carros passaram a crescer sem medida - e a engordar mais rápido do que a gente entre o Natal e o Ano-Novo.
Vestido a rigor
O desenho típico do Lupo recebia uma dose extra de esportividade: bitolas mais largas e rodas de 15″ preenchiam com mais presença os paralamas alargados; o para-choque dianteiro, totalmente na cor da carroceria, trazia três entradas de ar bem marcadas; e, atrás, só a dupla saída de escape central já era motivo suficiente para conquistar uma legião de fãs.
A altura do solo reduzida em 20 mm e um novo spoiler traseiro - discreto para os padrões de hoje - fechavam muito bem a transformação visual do Lupo para uma proposta mais esportiva.
Compare isso com a realidade atual, complexa e tortuosa, em que até modelos sem qualquer ambição esportiva parecem muito mais agressivos…
Eficaz, mas cativante
A redução de 20 mm na altura do solo vinha acompanhada de molas e amortecedores específicos, que ajudaram bastante a construir a boa reputação dinâmica do modelo. O Volkswagen Lupo GTI era rápido e eficiente, mas também realmente divertido ao volante.
"Já estou com vontade de ir procurar um num site de classificados…"
Ele ficou ainda mais interessante quando, dois anos após o lançamento, o câmbio manual de cinco marchas deu lugar a um de seis. A mudança, graças às relações mais próximas, facilitava manter o motor no regime ideal - um motor com ótimos giros médios e altos -, “puxando” pelo nosso pé direito.
O termo “pocket rocket” (pequeno foguete) não podia encontrar um melhor cúmplice do que o Volkswagen Lupo GTI.
Sobre o “Glórias do Passado.”. É a rubrica da Razão Automóvel dedicada a modelos e versões que, de alguma forma, se destacaram. Gostamos de relembrar as máquinas que um dia nos fizeram sonhar. Embarque com a gente nesta viagem no tempo aqui na Razão Automóvel.
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