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Teoria de Einstein–Cartan com geometria torsional prevê remanescentes estáveis de buracos negros, capazes de armazenar informação e conectá-la à física do campo de Higgs

Jovem estudando conceitos de física com modelo atômico holográfico em laboratório iluminado.

Teoria de Einstein–Cartan com geometria torsional prevê remanescentes estáveis de buracos negros, capazes de armazenar informação e conectá-la à física do campo de Higgs

Um dos maiores enigmas da física atual - o “paradoxo da informação de buracos negros” - pode, enfim, ter encontrado uma saída elegante. Além disso, a mesma ideia pode ajudar a esclarecer de onde vem a massa das partículas fundamentais.

O paradoxo da informação e a evaporação de Hawking

Na década de 1970, Stephen Hawking demonstrou que buracos negros emitem uma radiação muito fraca, o que faz com que percam massa e, aos poucos, evaporem. O problema é que, do jeito que o processo aparece quando combinado com a mecânica quântica, essa evaporação implicaria perda de informação - contrariando o princípio da unitariedade. O novo caminho explorado no estudo parte de uma descrição geométrica do espaço com dimensões extras.

Einstein–Cartan em 7 dimensões e G2‑variedade com torção

Os pesquisadores analisaram as consequências de uma teoria gravitacional de Einstein–Cartan formulada em 7 dimensões sobre uma estrutura matemática chamada “G2‑variedade com torção”. Ao contrário da Relatividade Geral padrão, esse modelo permite não apenas a curvatura do espaço-tempo, mas também o seu “torcer” (torção). Em densidades de Planck (a densidade limite da matéria prevista pela mecânica quântica), essa torção gera uma força repulsiva que impede que o buraco negro evapore por completo. Assim, em vez de desaparecer, ele deixa um “remanescente” estável com massa de cerca de 9 × 10-41 kg.

Esse remanescente, segundo os autores, funciona como um arquivo: a informação permaneceria preservada na forma de “modos quase-normais” do campo torsional. No caso de um buraco negro com massa comparável à do Sol, o remanescente poderia guardar por volta de 1,515 × 1077 qubits de informação - o suficiente para contornar o paradoxo.

Do campo torsional ao campo de Higgs: massas, matéria escura e sinais observáveis

O trabalho também propõe uma ligação com a física de partículas. Quando a descrição passa de 7 para 4 dimensões, a geometria fornece uma explicação para a origem da escala eletrofraca (~246 GeV), associada ao campo de Higgs, responsável por conferir massa às partículas. Nessa leitura, o valor de expectativa de vácuo do campo torsional coincide com a escala eletrofraca.

E por que essas dimensões adicionais ainda não apareceram em observações diretas? As partículas associadas a elas teriam massas da ordem de 8,6 × 1015 GeV, muito além do alcance do Grande Colisor de Hádrons. Ainda assim, a proposta traz previsões que podem ser confrontadas com dados. Por exemplo, remanescentes estáveis de buracos negros poderiam compor uma fração da matéria escura. Além disso, marcadores gravitacionais desses objetos - ou vestígios da geometria em 7 dimensões na radiação cósmica de fundo e em ondas gravitacionais do Universo primordial - poderiam servir como evidência a favor do modelo.

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