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Modernização da Força Aérea da Índia: Su-57 ou F-35 enquanto o AMCA amadurece

Homem em uniforme militar interage com hologramas de aviões de caça sobre mesa com mapa estratégico.

A Força Aérea da Índia está no meio de um ciclo relevante de modernização e expansão de capacidades para atender às diretrizes estratégicas definidas por seus principais planejadores. O objetivo envolve tanto elevar o número de esquadrões disponíveis quanto ampliar a variedade de plataformas na aviação de combate - incluindo a exigência de incorporar caças furtivos de quinta geração. No momento, com o programa AMCA ainda longe de estar pronto, o país se vê dividido entre o Su-57, promovido pela Rússia, e o F-35, impulsionado pelos Estados Unidos.

Entendendo as necessidades da Índia

Para situar a realidade atual da Força Aérea da Índia, vale lembrar que as autoridades militares estabeleceram como necessidade estratégica operar um total de 42 esquadrões. Essa meta reflete a preocupação com o fortalecimento do poder aéreo da China e, ao mesmo tempo, responde ao risco persistente de um confronto com o Paquistão - país com o qual a Índia entrou em combate ao longo do ano passado.

Apesar disso, hoje a Índia conta com apenas cerca de 29 esquadrões, número impactado pela retirada recente dos antigos e ultrapassados MiG-21 de origem soviética. Atualmente, a espinha dorsal da frota de caça é formada pelos Su-30MKI. Paralelamente, a força se prepara para incorporar mais de uma centena de Rafale que seriam comprados da França, em um passo inicial dessa transição, sustentado por um investimento superior a 325 bilhões de rúpias.

Além disso, o país avança - ainda que de forma lenta - na formação de uma frota de 180 caças LCA Tejas Mk1A. Esse processo tem sido prejudicado pelos atrasos na entrega dos motores F404 que irão equipá-los, mas traz um ganho adicional por se tratar de uma plataforma de produção nacional.

O programa AMCA, uma fruta ainda verde

No campo da quinta geração, a Índia também mantém um programa próprio para projetar e fabricar localmente um caça desse nível: o AMCA. O projeto recebeu sinal verde do governo indiano para avançar na construção de um primeiro protótipo a partir de maio de 2025, quando se registrou a seguinte declaração: “Em um esforço significativo para melhorar as capacidades de defesa autóctones da Índia e fomentar um sólido ecossistema industrial aeroespacial nacional, Raksha Mantri Shri (NdE: a denominação em hindi para o ministro da defesa) aprovou o Modelo de Execução do Programa de Aviões de Combate Médios Avançados (AMCA).”

Ainda assim, desde então, poucas informações realmente relevantes vieram a público a ponto de indicar um avanço consistente - ou seja, de permitir tratar o AMCA como uma alternativa concreta para equipar a Força Aérea da Índia no curto prazo, mesmo com o desenho em desenvolvimento desde 2023. Entre os pontos mais importantes divulgados, destaca-se a escolha da francesa Safran para contribuir no codesenvolvimento dos motores da nova aeronave em parceria com o Gas Turbine Research Establishment (GTRE), com a expectativa de chegar a um turbofan de 110–120 kN.

Diante desse quadro, permanece a dúvida se a Índia conseguirá cumprir o cronograma originalmente traçado, que previa construir um protótipo em três anos e realizar o primeiro voo em até um ano após esse marco. Com a intenção de contar com ao menos cinco protótipos na fase de testes, Nova Délhi deverá aportar um investimento próximo de 15.000 milhões de rúpias; ainda assim, o projeto segue em um estágio bastante inicial de maturação.

Alternativas para o futuro próximo: Su-57 ou F-35?

Considerando tudo isso, a Força Aérea da Índia tem duas opções principais para adquirir, no curto prazo, uma plataforma de quinta geração - o que permitiria ao AMCA evoluir sem ficar refém de necessidades imediatas. Segundo relatórios locais, a disputa atual se daria entre o Su-57 e o F-35, com o modelo russo aparecendo, hoje, como aquele que reúne mais apoiadores. A China, por sua vez - o único outro país com caças de quinta geração - seria descartada por completo, tanto pelas preocupações geopolíticas já mencionadas quanto pelo fato de supostamente já ter oferecido seu J-35 ao Paquistão.

Em termos mais específicos, analistas indianos apontam que o caça que Moscou tenta exportar teria como vantagem a possibilidade de produção conjunta com a indústria local, algo que conversa diretamente com a política de “Feito na Índia” presente em diversas compras do país. Inclusive, em agosto de 2025, já havíamos noticiado a resistência do governo de Narendra Modi em avançar com acordos de defesa que aprofundem ainda mais a relação com os EUA, e também a sinalização contrária a aquisições que não reforcem a autonomia estratégica indiana - o que não surpreende, considerando o histórico da política externa de Nova Délhi.

Outro ponto citado nos relatórios envolve as restrições operacionais associadas à plataforma norte-americana, que tenderia a impor limites mais severos (em especial burocráticos) para integrar armamentos nacionais no avião produzido pela Lockheed Martin. Soma-se a isso o desgaste nas relações com Washington devido à política tarifária, fator relevante na medida em que a operação do caça no longo prazo dependeria da manutenção de boas relações - sobretudo quando chegar o momento de adquirir pacotes de atualização.

Por fim, também é relevante considerar que a Rússia teria oferecido apoio à Índia para desenvolver o AMCA caso o país opte pela compra do Su-57, o que poderia acelerar de maneira significativa o programa. Em ocasiões anteriores, o diretor executivo da United Aircraft Corporation (UAC), Vadim Badekha, já deu a entender que a empresa estaria disposta a trabalhar com as instalações usadas na fabricação do Su-30MKI, envolvendo, naturalmente, parceiros industriais indianos no processo.

Imagens empregadas a modo ilustrativo

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