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Novo Bentley Flying Spur: a análise completa

Carro de luxo preto dirigindo em estrada sinuosa com montanhas e árvores ao fundo.

Bentley Flying Spur: o que ele é e onde se encaixa

O novo Flying Spur chegou. A geração anterior era, na prática, uma versão de quatro portas do Continental GT; agora a marca tira o “Conti” do nome - desta vez basta “Flying Spur” - para deixá-lo como um modelo próprio dentro da linha. Ele ainda tem parentesco com o Continental GT mais recente, mas as diferenças, tanto na parte mecânica quanto no visual, são muito maiores do que antes.

Ele não é tão suntuoso nem tão caro quanto o gigantesco Mulsanne, porém a Bentley garante que o Flying Spur fica acima do que se espera de um Classe S ou Série 7 “comuns” (mesmo nas versões de maior volume).

Visual e identidade do Bentley Flying Spur

O Spur antigo era grande demais para ser realmente esportivo e não tinha a elegância necessária para se afirmar como um GT de verdade. Como era essencialmente um Continental cupê alongado, as proporções nunca ficaram totalmente naturais. Por isso, este novo carro aparece com um rosto bem mais corajoso.

Dá para notar: grades grandes e largas, linhas mais marcantes, vincos mais profundos, tampa do porta-malas mais comprida e baixa, e saídas de ar nos para-lamas com o formato de um “Flying B”. A proposta foi dar ao sedã uma identidade mais clara e independente. O estilo vai depender do seu gosto, mas, do nosso ponto de vista, a estratégia funcionou - ele tem a presença e a atitude que faltavam no anterior.

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Interior, banco traseiro e pacotes de luxo

Por dentro, sim, ele mudou. Há pontos em comum com o Continental GT atual, porém as maiores transformações estão na parte traseira. Antes de tudo, você precisa decidir: duas poltronas individuais atrás ou um banco inteiriço para três ocupantes.

Depois vem a dúvida sobre o pacote de entretenimento traseiro - e vale a pena marcar essa opção. Com ele, entram telas de 10 polegadas com Wi‑Fi e um controlador com tela tátil retrátil. Ele tem mais ou menos o tamanho de um smartphone e comanda de tudo: desde trocar o canal de TV até ajustar os bancos traseiros com aquecimento/ventilação/massagem. Esse comando ainda consegue espelhar instrumentos do painel para acompanhar velocidade e mapas da navegação.

Também faz sentido escolher as mesas tipo piquenique que descem do encosto. E a geladeira atrás do apoio de braço central. E o sistema de som Naim de 1100w, enorme.

É verdade que o cooler e os amplificadores do áudio comem uma parte considerável do porta-malas, mas ainda sobra espaço para colocar dois jogos de tacos de golfe mais finos no vão restante.

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Ele virou mais limusine?

Com todas essas opções, sim: a proposta do Flying Spur mudou de maneira clara. O anterior tentava ser um carro para o motorista, o que era otimista demais para um sedã pesado de quatro portas. Este aqui adota um tom mais relaxado.

A suspensão pneumática continua, mas as molas ficaram 10-13 por cento mais macias do que antes. As buchas da suspensão, por sua vez, estão 25-38 por cento mais suaves. Além disso, ele passa a ter vidro duplo acústico, vedação dupla e um escapamento mais silencioso, reduzindo o “ronco” no banco de trás.

Nada disso, porém, faz dele um carro “mole”. O resultado é mais refinamento. Pode não chegar ao nível de serenidade de um Rolls, mas certamente se comporta com muita educação.

Desempenho, acerto de chassi e o que considerar pelo preço

Se a ideia é andar muito rápido, a melhor notícia é o W12 6 litros biturbo com 616bhp - o Bentley sedã mais potente de todos os tempos (incluindo o Mulsanne). A aceleração de 0 a 96 km/h acontece em 4.3 segundos, e ele entrega isso com uma determinação implacável.

O carro ficou 50kg mais leve e, ao mesmo tempo, 4 por cento mais rígido do que antes. A bitola dianteira (distância entre as rodas no mesmo eixo) aumentou 2cm, enquanto atrás ela cresceu 3.5cm, deixando a postura mais plantada no chão.

A suspensão oferece quatro modos, indo do conforto ao esportivo. No modo totalmente confortável, ele alivia o impacto sem ficar “fofo” demais. No totalmente esportivo, o conjunto fica mais firme sem virar algo áspero. São ajustes relativamente pequenos, mas que, por algum motivo, deixam este Spur mais equilibrado, com reações mais intencionais. Em dinâmica, talvez o maior feito seja o seguinte: ele nunca parece um carro de 2.3 toneladas.

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Em dinheiro, há o que ponderar. Partindo de £140,900 na versão de entrada, o Spur se posiciona entre o Classe S mais caro e o Rolls-Royce Ghost mais barato. Ainda assim, ele ocupa esse “meio do caminho” com muita segurança.

No fim das contas, trata-se de um Bentley em grande parte feito à mão - e a sensação de especialidade é compatível com o que custa (principalmente na configuração Mulliner, que começa em £150k). O Classe S - especialmente o novo - pode ser uma limusine mais completa no sentido estrito, mas não é tão distinto nem tão exclusivo quanto o Spur. Já um Ghost pode impor mais respeito, porém a diferença de preço dá para levar um ou dois hatches esportivos bastante bons.

Se você nos perguntasse alguns anos atrás, a resposta seria simples: guarde dinheiro para um Rolls. Hoje? A decisão exigiria bem mais reflexão. Este é, de fato, um carro extremamente refinado…

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