A indústria automotiva europeia pode encarar um novo gargalo nas cadeias de suprimentos por causa das recentes restrições chinesas à exportação de terras raras. O aviso foi feito por Roberto Vavassori, presidente da associação italiana de fabricantes de componentes automotivos (ANFIA).
Estoques no limite, alerta da ANFIA
Em entrevista ao Automotive News Europe, Vavassori disse que, apesar de as montadoras terem conseguido manter as linhas de produção nos últimos meses, os estoques desses insumos essenciais praticamente se esgotaram. “Esse colchão já não existe”, afirmou o dirigente durante a conferência ForumAutoMotive, realizada em Milão.
As terras raras são consideradas matérias-primas críticas porque entram na fabricação de motores elétricos, semicondutores e sistemas de defesa - e a China concentra a maior parte do refino e do processamento desses materiais no mundo.
Terras raras e as restrições chinesas na exportação
Mesmo depois de um acordo fechado em julho para acelerar os embarques voltados à Europa, Pequim continuou exercendo forte controle sobre as exportações. Na última semana, o governo chinês anunciou novas restrições, aumentando a incerteza para a indústria automotiva europeia.
Entre as chamadas terras raras estão elementos como neodímio, disprósio e térbio, essenciais para produzir os ímãs usados em motores elétricos e em outros componentes.
Segundo a ANFIA, um bloqueio na exportação pode atingir diretamente a produção de veículos elétricos e reduzir o ritmo da transição energética no setor.
Vavassori também ressaltou que o mercado global de terras raras é relativamente pequeno - estimado em menos de cinco bilhões de dólares (4,3 bilhões de euros) -, mas exerce influência desproporcional sobre toda a indústria automotiva mundial, devido ao seu peso estratégico.
Europa tenta reduzir dependência com o Regulamento das Matérias-Primas Críticas
O alerta ocorre enquanto a Europa busca diminuir a dependência da China por meio do Regulamento das Matérias-Primas Críticas, legislação comunitária voltada a ampliar a extração, a produção e o refino interno desses materiais até 2030.
Ainda assim, a implementação avança mais devagar do que o desejado, e qualquer nova limitação chinesa pode comprometer metas industriais e climáticas ligadas ao «velho continente».
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