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Li Auto i8: teste de colisão com caminhão de 8 toneladas gera polêmica

Carro SUV elétrico branco LI-18 SAFE exibido em ambiente interno moderno e minimalista.

Um vídeo de teste de colisão colocou o Li Auto i8 elétrico, com 2600 kg, frente a frente com um caminhão de oito toneladas - e o resultado surpreendeu. No impacto, o caminhão chegou a ficar com as quatro rodas fora do chão e a cabine quase se desprendeu do chassi, cena que rapidamente se espalhou pelo mundo.

Só que, em vez de reforçar a mensagem que a marca provavelmente buscava, a gravação levantou uma nuvem de questionamentos. Não foi apenas o caminhão que “voou”: também cresceram as dúvidas sobre como o teste foi feito e o tamanho da controvérsia que veio em seguida.

Como foi o teste de colisão da CAERI com o Li Auto i8

O ensaio foi conduzido pelo China Automotive Engineering Research Institute (CAERI), um órgão estatal de certificação. A intenção da Li Auto era evidenciar a resistência estrutural do novo modelo em um cenário extremo - uma batida frontal contra um caminhão.

Na configuração do teste, o i8 vinha a 60 km/h, enquanto o caminhão avançava a 40 km/h. Com isso, a velocidade relativa no momento da colisão foi de 100 km/h.

O que o vídeo mostrou sobre a estrutura do Li Auto i8

Mesmo com a enorme diferença de massa entre os veículos, o i8 - que a marca define como SUV, embora visualmente passe longe disso - aparentou se sair muito bem. Os sistemas de segurança atuaram como esperado e a estrutura pareceu dissipar a energia do impacto de forma eficiente.

Pelo que se vê nas imagens, não houve (aparentemente) deformação nos pilares dianteiros, e a célula de segurança permaneceu íntegra. Quem acabou cedendo foi o caminhão: foi ele que "vergou".

A polêmica justamente nasceu dessa reação do caminhão, um Chenglong H5, da Dongfeng Liuzhou Motor (subsidiária do Dongfeng Motor Group). Em uma colisão desse tipo, entre um veículo leve e um pesado, o mais comum é o automóvel sofrer os maiores danos.

Construtor do caminhão não perdeu tempo a reagir

A Dongfeng reagiu rapidamente ao crash-test, alegando que um de seus produtos foi usado sem que a empresa fosse informada. O ponto central, segundo a montadora, é que a segurança do caminhão passou a ser colocada em dúvida.

A empresa acusou a Li Auto de empregar o caminhão de maneira indevida, com potencial de induzir o público ao erro e de prejudicar a reputação da marca. A resposta foi direta e dura.

Já a Li Auto afirmou publicamente que o propósito do teste não era avaliar a segurança do caminhão. Segundo a marca, tratava-se de uma unidade usada, adquirida por uma empresa parceira da CAERI, e não houve intenção de usar o vídeo como ataque ao nome da Dongfeng no segmento de pesados.

O que a CAERI disse sobre modificações e condições do caminhão

A própria CAERI corroborou esses pontos. O instituto mencionou a compra do caminhão e as alterações realizadas para permitir condução remota, além da adição de carga para atingir os 8000 kg e da desativação dos sistemas de segurança.

No comunicado, a entidade definiu o procedimento como “uma colisão não padrozinada entre veículos” e descreveu o caminhão utilizado como uma “barreira móvel”.

Ainda assim, a repercussão já estava posta, e o debate segue longe de se encerrar. O vídeo ganhou escala, mas não exatamente pelos motivos pretendidos. O que parecia apenas uma vitrine de segurança para um novo modelo virou, na prática, um problema de gestão de crise.

As trocas de acusações entre os envolvidos e as incertezas do público continuam. O Li Auto i8 entrega, de fato, a proteção que o vídeo sugere em uma colisão frontal com um caminhão? E, afinal, o teste é confiável?

Pelo clima nas redes e a reação da Dongfeng, a sensação é de que a explicação não convenceu. E o que começou como uma demonstração de força pode acabar pesando contra a imagem da Li Auto.

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