Consistência. Esta é a palavra-chave de Miguel Oliveira para a temporada 2022 do Mundial de Motociclismo MotoGP, agora com a nova KTM RC16. E essa consistência depende tanto do piloto português quanto do trabalho da KTM Factory Racing Team.
Depois de um ano com muitos altos e baixos, Miguel Oliveira entra em 2022 procurando justamente a regularidade que não conseguiu manter ao longo de 2021.
Vale lembrar o contraste: na primeira metade do campeonato, o português somou três pódios e uma vitória. Já na segunda metade da temporada, o panorama mudou por completo.
Com uma lesão no punho atrapalhando o desempenho, Miguel Oliveira não encontrou na KTM RC16 as armas necessárias para brigar pelas primeiras posições. É desse ponto que parte a campanha de 2022 no MotoGP.
A “nova” KTM RC16 2022 de Miguel Oliveira
O protótipo usado por Miguel Oliveira passou por uma grande “revolução” no fim da temporada de 2021 - relembre toda a história dessa evolução neste ESPECIAL Razão Automóvel.
Desde então, a KTM RC16 tem mostrado dificuldade para acompanhar o ritmo de evolução dos protótipos da Ducati, Yamaha, Suzuki, Honda e até da Aprilia - a única marca que, além da KTM, nunca conquistou um título na categoria principal do MotoGP.
Na avaliação dos pilotos da fabricante austríaca, a KTM RC16 2021 nunca conseguiu extrair o máximo dos pneus que a Michelin desenvolveu para a última temporada. Falhas de tração na saída de curva e complicações na frenagem - associadas a carcaças menos rígidas - foram os principais pontos negativos apontados ao protótipo do ano passado.
É justamente nesses aspectos que Miguel Oliveira espera ver uma evolução marcante na KTM RC16 2022. A base técnica, porém, permanece alinhada ao conceito dos últimos anos: motor V4 em um chassi de dupla trave em aço, braço oscilante de carbono e suspensões WP.
Uma moto única no pelotão do MotoGP
É sobretudo nesses dois últimos itens que a KTM RC16 2022 segue se diferenciando das rivais. Enquanto praticamente todo o grid do MotoGP adota chassi de dupla trave em alumínio e suspensões fornecidas pela Ohlins, a KTM continua apostando em uma receita bem diferente.
No caso das suspensões, a KTM prefere usar a WP - marca da qual é proprietária - para equipar seus protótipos. É uma escolha que já provou ser capaz de vencer corridas, mas que ainda demora a entregar a consistência necessária para disputar um campeonato na categoria principal.
Ponto forte ou ponto fraco?
Há quem diga que essas decisões do fabricante austríaco representam o “calcanhar de Aquiles” da KTM RC16 2022. A direção da marca discorda.
Em relação ao chassi de aço, os engenheiros da KTM defendem que se trata de uma liga metálica com a qual têm mais domínio, o que permite chegar a soluções com maior rapidez.
Além disso, conseguem produzir derivações (evoluções) do chassi da KTM RC16 em menos tempo e identificar com mais clareza onde é preciso aumentar ou reduzir flexão e rigidez, conforme a necessidade.
Já a escolha pelas suspensões WP é tratada como uma estratégia da KTM. Para a marca austríaca, o MotoGP funciona como um “tubo de ensaio” para desenvolver tecnologia voltada aos modelos de produção - e, por isso, faz sentido utilizar sua própria fornecedora de suspensões.
O lado negativo é que a WP conta com apenas quatro protótipos da KTM coletando dados durante um Grande Prêmio. A Ohlins, por outro lado, tem 18 protótipos e cinco marcas contribuindo para o desenvolvimento de suas soluções.
A “magia negra” do MotoGP
Na visão dos pilotos, na “era moderna” do MotoGP um dos pontos mais decisivos é a gestão eletrônica do motor. Com potências que passam de 265 cv, não há como o piloto administrar tudo apenas no punho direito, em conjuntos que pesam somente 157 kg.
A KTM sempre teve um dos motores mais fortes do MotoGP, mas em 2022 precisará tornar o V4 mais dócil. Só assim será possível reduzir a degradação dos pneus.
Para entender o peso dessa gestão de potência, basta notar que os protótipos de MotoGP só conseguem entregar potência máxima na 5ª e 6ª marchas. Antes disso, a potência é restringida pelos sistemas de tração e anti-wheelie (anti-empinada).
Desde 2016, todos os protótipos do MotoGP usam a mesma central eletrônica, fornecida pela Magnetti Marelli. O que as marcas podem fazer é ajustar os parâmetros do software de gerenciamento. É aí que mora parte da “magia negra” do MotoGP.
É algo invisível, não é um componente mecânico, mas pesa muito em uma modalidade em que cabem mais de 20 pilotos dentro do mesmo segundo.
Consistência. Consistência. Consistência
Já mencionamos consistência? Como dito no início, esta é mesmo a palavra de ordem para a KTM RC16 2022.
A capacidade da KTM RC16 2022 de ganhar corridas já não é questionada; o que falta ao protótipo austríaco é alcançar a consistência tão desejada, aquela que define projetos campeões.
Quanto aos pilotos, a confiança é total - especialmente em Miguel Oliveira, que já provou ao longo da carreira que, para vencer, precisa apenas de uma moto realmente competitiva.
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