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O robô humanoide do projeto Pemba vai tentar escalar o Everest

Robô equipado com piqueta escalando montanha nevada próxima a acampamento com barracas coloridas.

Nem todo robô humanoide nasce para virar atração de palco. Em breve, um deles deve encarar um desafio que parece mais coisa de alpinista veterano: tentar subir o Everest - e com um objetivo bem específico, ligado ao meio ambiente.

A gente já se acostumou a ver humanoides fazendo coreografias, demonstrando golpes de kung-fu ou executando tarefas domésticas básicas. Só que a próxima vitrine para esse tipo de tecnologia pode ser bem mais íngreme. Literalmente.

O projeto Pemba é liderado pelo engenheiro Pablo Berlanga Boemare. A ideia é levar ao topo das montanhas mais altas do mundo um robô humanoide - um Unitree G1 adaptado para condições extremas. Recentemente, ele concluiu a subida do Chimborazo, um vulcão no Equador que chega a 6.263 metros de altitude. E o próximo passo? A montanha mais alta do planeta, nada menos que isso.

“97% da superfície da Terra é inacessível aos robôs. Então, levamos Pemba ao topo do Everest para corrigir isso.”

Um robô alpinista, mas por quê fazer isso?

Escalar o Everest seria só para impressionar? Bem longe disso - não é a mesma conversa dos robôs que dançam. Como explica Pablo Berlanga Boemare, a missão tem uma meta ecológica. O plano é desenvolver capacidades de alpinismo em robôs para que eles consigam patrulhar regiões isoladas. Estamos falando de altas montanhas, mas um robô turbinado por IA também poderia monitorar outros lugares pouco povoados do planeta, como a Amazônia ou a savana, para prevenir a caça ilegal, recolher lixo, observar a fauna e até ajudar no combate ao desmatamento. Seria um tipo de vigilância mais eficiente do que câmeras espalhadas aqui e ali - e um reforço valioso para quem atua na proteção ambiental.

O desafio, porém, continua enorme. Pemba não subiu o Chimborazo totalmente sozinho: em trechos mais difíceis (com inclinação acima de 30%), ele precisou ser carregado. A proposta agora é seguir aprimorando o robô e torná-lo 100% autônomo. Mais do que isso, o Everest funciona como um laboratório ideal para colocar suas capacidades técnicas à prova. Frio extremo, vento cortante e, principalmente, nenhuma chance de recarregar: um inferno tanto para humanos quanto para um androide. Ainda assim, Pemba foi modificado para essas condições, já que consegue operar até -47 °C. Será que aguenta o ritmo no “teto do mundo”?

Segundo o The Kathmandu Post, a escalada do Everest - fortemente regulamentada - coloca a equipe do Pemba diante de uma lacuna jurídica. Mesmo assim, as autorizações devem ser concedidas para uma expedição em setembro, outubro ou novembro. O robô deve ser transportado até diferentes acampamentos-base, onde fará testes em condições reais. Por lá, ele vai circular em um raio de 200 metros ao redor do acampamento para executar tarefas específicas, como recolher resíduos. Não é exatamente a ascensão ao cume como a gente imagina, mas ainda assim é uma operação de peso:

“Nenhum robô bípede jamais caminhou em um terreno misto de rochas, gelo e morainas com a qualidade do Everest.”

E se, no futuro, o Himalaia acabar cheio de robôs patrulheiros?

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