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Toyota Prius: consumo real e evolução do híbrido

Carro branco Toyota Prius-Evo elétrico exposto em ambiente moderno com parede verde ao fundo.

Se você gosta de números, o novo Toyota Prius é daqueles carros que ganham a conversa pelo cansaço - do jeito mais nerd e satisfatório possível. As duas cifras que melhor resumem o pacote são estas: agora ele promete 72,4 mpg e apenas 89 g/km de CO₂ (algo como 25,6 km/l, em medida mais familiar por aqui). Na versão topo T Spirit, por causa das rodas maiores de 17 polegadas, cai para 70,6 mpg e 92 g/km (cerca de 25,0 km/l). O mais curioso é que, no ciclo urbano, os números “cheios” se mantêm exatamente iguais graças ao sistema híbrido elétrico.

Ainda assim, não dá para encarar este Prius como uma virada de mesa. A proposta é claramente mais evolução do que revolução - então quem espera um salto gigante como o que houve da primeira para a segunda geração pode se frustrar. No geral, tudo ficou melhor, mas ele chega lá com a mesma fórmula básica: motor a gasolina, motor elétrico e bateria, agora “caprichados” com itens de apelo ecológico como ar-condicionado com partida remota (para pré-resfriar o carro pelo chaveiro, três minutos antes de entrar) e, opcionalmente, painéis solares no teto para manter a ventilação funcionando enquanto você deixa o carro estacionado.

Mas não pense que “evolução” é só maquiagem. Se havia algo a melhorar, a Toyota mexeu. A tensão da bateria subiu de 500 V para 650 V - e tensão maior significa menos corrente, o que reduz perdas por calor nos cabos. A bateria ficou menor, 90% do sistema híbrido é novo e existe até uma válvula no escapamento que direciona calor mais diretamente para o líquido de arrefecimento do motor, ajudando tudo a chegar mais rápido à temperatura ideal de funcionamento.

A mudança mais evidente é o novo motor 1,8 litro, que elevou a potência para 134 bhp. Não é um número para tirar o fôlego, mas essa força extra deixa a vida na estrada bem mais tranquila, porque o motor não fica girando tão alto e “berrando” com tanta frequência. E, em tese, isso também deveria melhorar bastante o consumo em viagens mais longas e rápidas.

Na prática, porém, a história não foi tão linear. A gente não andou economizando no pé, é verdade, mas a média ficou em 53,6 mpg (por volta de 19,0 km/l). Isso coloca o Prius bem perto do que entregam vários diesels “econômicos” convencionais. E esse ganho de potência levanta uma pergunta: se a ideia do Prius é economia, por que mexer tanto no desempenho? Em relação ao anterior, a potência subiu 24%, mas o consumo melhorou só 10% e as emissões, 14%. Os dois últimos números vão na direção certa, mas dá para imaginar o quanto poderiam ser melhores se a Toyota não tivesse corrido atrás de mais bhp.

Agora existem três modos de condução: Eco, Power e o EV (só elétrico). Alternar entre eles é muito simples - há um conjunto de botões logo ao lado do seletor CVT eletrônico (fly-by-wire). O “Power” entrega exatamente isso: deixa o acelerador menos contido e facilita bem as ultrapassagens. Não tem o “empurrão” em marcha de um diesel, mas pelo menos o Prius agora ultrapassa sem parecer que você está prestes a fazê-lo explodir. Como no Prius anterior, o motor elétrico ajuda com bastante torque nas acelerações e, ao frear, inverte o papel: vira gerador e recarrega a bateria.

No “Eco”, ele fica com aquela sensação de que existe uma bola de tênis presa debaixo do acelerador, o que realmente te incentiva a ser mais suave. Talvez até suave demais. A rodagem só no elétrico dura muito pouco ao sair do semáforo, seja em “EV” ou em “Eco”, então basta fazer algo além de “respirar” no pedal para o Prius apitar, avisar que você acelerou forte demais e voltar para a combinação de gasolina + elétrico.

Outras decepções do Prius incluem o barulho de rodagem, intrusivo demais, e o ruído de vento - este último um pouco menos irritante. E a direção ainda passa uma sensação meio morta, embora isso provavelmente não seja uma prioridade para o Prius. Pelo menos o conforto de rodagem é bom, tanto nas rodas de 17 polegadas quanto nas de 15.

Curiosamente, se você escolhe as de 17, não pode ter o teto solar com painéis solares. A explicação seria peso e centro de gravidade. De qualquer forma, é uma opção caríssima: £1.450 - então tende a ficar para os eco-guerreiros de Hollywood, onde também existe o sol necessário para ajudar a justificar a ideia. O que vem é um head-up display de série e um interior bem mais esperto: a cabine segue extremamente prática e o painel central tem boa aparência. E, claro, continuam as telinhas “inteligentes” (e um tanto paternalistas) dizendo o quanto bem - e economicamente - você está dirigindo.

Mas, no fundo, nada disso é o principal. Os eco-guerreiros com medalhas de conhecimento presas ao “cinto” já vinham se preocupando com os custos totais do Prius anterior ao longo da vida útil - e com o impacto ambiental de fabricar e transportar tudo. A Toyota agora faz questão de enfatizar o quanto do Prius pode ser reciclado, incluindo 95% da bateria, o uso de fontes de energia bem mais limpas na fábrica no Japão e a adoção de vários plásticos de origem vegetal no carro. Ainda há dúvidas sobre a origem do níquel da bateria, mas aço/ferro também precisam ser extraídos do solo - então os carros “normais” não são tão diferentes assim.

No fim, o novo Prius é um bom carro. Ele quase te faz sentir que você está ajudando um pouco o meio ambiente só por estar ao volante. O anterior já tinha perdido parte desse brilho “do bem”, mas nesta versão o polimento volta. Não é dirigir sem culpa, mas chega mais perto do que nunca.

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