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Primeiras impressões: o novo modelo do Volkswagen Beetle

Carro Volkswagen New Beetle azul em showroom moderno com amostras de cores ao fundo.

Em pleno 2026, ainda dá para lançar um “novo” Beetle e fazer parecer novidade? A Volkswagen acha que sim - e a primeira coisa que ela quer é que você chame este carro do jeito certo.

Só que aí vem o nó da nomenclatura. Este é o Beetle novo, mas o anterior também se chamava New Beetle, e não dá muito certo dizer “New New Beetle”. Então, a VW resolveu simplificar e batizou este aqui de The Beetle. E o original, lá de trás, continua sendo apenas Beetle. Pronto: confusão oficialmente administrada.

A verdade é que a geração passada é o elefante na sala quando o assunto é este Beetle. A própria Volkswagen sabe que muitos entusiastas (como nós) viam o New Beetle como um exagero de retrô cafona - muito vaso de flor e bolhas, pouca substância. E é por isso que, apesar de ter vendido bem - mais de um milhão de carros em 13 anos -, nunca foi exatamente amado. Em um vídeo que mostrava 73 anos de história do Beetle, o último aparecia por um único segundo.

A Volkswagen está apostando que o “novo novo” muda esse jogo. A ideia agora é um Beetle mais esportivo, com engenharia de verdade por trás do visual ainda simpático. Por isso, a gama de motores é bem atual e vai do ótimo 1,2 litro TSI até o carro que testamos, o 2,0 litros TFSI de £25.000, passando por um 1,6 litro diesel. A base de chassi é, em grande parte, a do Golf: os Beetle mais completos recebem uma suspensão traseira multilink ao estilo Ford Focus, com diferencial eletrônico no eixo motriz, enquanto as versões mais simples ficam com um acerto por eixo de torção.

Até o desenho foi “endurecido”. Saiu o visual de “três bolhas” do New Beetle - este é mais largo (84 mm) e mais comprido (152 mm), além de ser mais baixo (12 mm), o que dá uma postura bem mais assentada. A VW também achatou o teto e deixou o para-brisa bem mais em pé - isso não só aproxima o carro do Beetle original, como também melhora bastante o espaço para a cabeça de quem vai atrás.

A personalização também entra no pacote, como no Mini ou no Fiat 500, então o cliente pode “batizar” o próprio carro. Na prática, dá para escolher o emblema traseiro. No Reino Unido, isso significa ficar restrito a Beetle, Volkswagen ou Turbo - uma individualidade mais ou menos como a de um fazendeiro com um Labrador. Mas você precisa insistir com a concessionária para liberar a inscrição em japonês. A VW diz que tecnicamente dá, e aqueles caracteres japoneses, cheios de personalidade, são bem mais legais do que as opções padrão britânicas.

Por dentro, há acenos ao retrô. Nosso carro era o topo de linha “Sport”, então tinha acabamento do painel com efeito de fibra de carbono e plásticos preto piano na parte superior das portas. Mas, se você escolher as versões “Beetle” ou “Design”, os carros vêm com plásticos na cor da carroceria - igualmente caprichados. O volante também agrada: é fino e do jeito certo para um carro que faz referência à época dos aros de madeira.

Só que o interior não é impecável. Os comandos modernos da VW destoam do conjunto retrô, e ainda existem “toques nostálgicos” bem ruins, como o porta-luvas que abre para cima. Ele é praticamente inútil porque é muito raso - precisa acomodar o airbag atrás - e, para piorar, parece frágil. Na real, há plástico duro e barato demais aqui dentro. Quem espera a qualidade típica de acabamento da Volkswagen talvez faça melhor em ficar com o Golf.

E o mesmo vale para quem quer um rodar mais refinado. Mesmo com a suspensão normal - a esportiva opcional é 15 mm mais baixa e ainda mais firme -, o Beetle quicava demais em ondulações e remendos. Ele simplesmente não parece tão sofisticado quanto um Golf, apesar de usar o mesmo conjunto traseiro multilink.

Por outro lado, há notícia melhor no comportamento dinâmico: a dirigibilidade agora é tão boa quanto a do Golf. Você deixa de sentir que está guiando um grande “pudim” sobre rodas, porque o Beetle ganhou bitolas mais largas, na frente e atrás, o que ajuda na aderência e na resposta ao volante. Ele ficou mais afiado - ainda não dá para chamar de hot hatch, e não é melhor do que o Golf na mesma faixa de preço -, mas pelo menos mostra mais vontade.

Este carro é muito superior ao Beetle da geração passada. Ele parece mais esportivo e é bem divertido de dirigir - certamente mais do que a maioria dos donos de Beetle vai querer ou precisar. Nós dirigimos o 2,0 litros TFSI do topo da linha, um motor compartilhado com o Golf GTI, e ele entrega potência de sobra. Só que foi “amansado” para este carro - a VW não quer que ele encoste no GTI, que é o modelo halo -, então aqui tem 197 bhp e 206 lb ft. Mesmo assim, o 0–62 mph leva apenas 7,5 segundos (0,6 segundo atrás do GTI) e, com o câmbio DSG, você praticamente não sai da faixa de pressão do turbo. Estranhamente, porém, essa opção de DSG não vem com borboletas atrás do volante - as trocas manuais têm de ser feitas na alavanca, o que soa um pouco esquisito. Também haverá uma gama de motores menores, que suspeitamos ser a melhor escolha, por casar potência e preço de forma mais sensata.

No fim das contas, então, o The Beetle é bem melhor do que o New Beetle. Mas isso também não era difícil - é como dizer que gasolina é melhor do que vapor. Onde antes você teria de ser considerado maluco para comprar o carro antigo, este aqui até constrói um bom argumento. Só que faz mais sentido na ponta mais acessível da tabela. A concorrência a £25.000 é séria demais, inclusive dentro do próprio Grupo VW. Como sempre acontece com o Beetle, você vai comprá-lo pelo que ele te faz sentir - não porque seja o melhor carro pelo dinheiro.

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