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Melhor altura para comprar um Tesla usado talvez seja agora

Carro elétrico Tesla Model S na cor vermelha exposto em ambiente fechado com piso cinza.

Carro desvaloriza - é da natureza do negócio. Alguns caem de preço mais rápido, outros resistem um pouco melhor, mas a trajetória costuma ser a mesma: sai da concessionária, roda quilômetros, envelhece e perde valor. Eu disse “quase todos” porque, enquanto escrevia, lembrei do carro novo que está lá embaixo, na garagem da Razão Automóvel, me esperando. Nos dias em que não venho no meu Volvo EX30, apareço por aqui neste velho Mercedes W201, até o preço da gasolina decretar o fim da nossa relação.

Por que os Tesla usados costumam desvalorizar

Voltando ao tema dos usados: nesse ponto, a Tesla nunca teve fama de ostentar valores residuais extraordinários. Bem diferente do que acontece com a Toyota, como vimos recentemente. E existe um motivo claro para isso: a sequência de mudanças de preço nos Tesla zero-quilômetro acabou empurrando vários modelos para desvalorizações relevantes no mercado de usados.

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FSD Supervised na Europa e o impacto nos Tesla usados

Só que essa lógica pode mudar - ou, no mínimo, perder ritmo. A chegada do FSD Supervised à Europa tem potencial para ser um desses pontos de virada. Não porque, de uma hora para outra, transforme um Tesla usado em um carro autônomo. Não transforma. Mas porque pode colocar valor concreto em milhões de carros que já estão rodando, bastando uma atualização de software e, naturalmente, a mensalidade correspondente…

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A Razão Automóvel foi o primeiro veículo português a testar esse novo FSD Supervised. Nós registramos e explicamos tudo neste vídeo:

A sigla FSD vem do nome do sistema, mas a nomenclatura ainda exige cuidado. A própria Tesla passou a adotar a designação FSD Supervised justamente para deixar explícito que a responsabilidade continua sendo do motorista. Somando os modelos com Hardware 4 aos mais antigos com Hardware 3, estima-se que existam mais de três milhões de Tesla em circulação que podem se beneficiar, em diferentes níveis, dessa evolução.

Esse primeiro teste do sistema aconteceu em Amsterdã, um dos ambientes mais desafiadores para avaliar uma tecnologia assim. Bicicletas por todo lado, pedestres, cruzamentos apertados, trânsito urbano imprevisível e aquelas situações em que a rua parece ser apenas uma sugestão no meio de tanta gente. Mesmo assim, o FSD Supervised chamou atenção pela forma natural com que encarou o desafio.

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É aqui que o mercado de usados entra no jogo. Por décadas, um carro permanecia para sempre exatamente como saiu da fábrica - a não ser que fosse um TDI e fosse parar em um dinamômetro. Mas não é disso que estou falando. Um Tesla, na “novilíngua” do setor automotivo, pode receber atualizações remotas.

Quando essas funções mexem no jeito como o carro dirige, estaciona ou ajuda o condutor, o pacote muda de figura: o carro pode ficar mais interessante. Uma espécie de Grande Irmão (Big Brother) do asfalto, só que com setas, sensores e mensalidade, claro. “Ninguém dá nada a ninguém…”

Segundo a Tesla, é questão de tempo até esse sistema ficar disponível em toda a Europa, incluindo Portugal. Pelo menos nisso, não ficamos fora do padrão europeu. Quando isso acontecer, os Tesla usados com o hardware certo podem se tornar mais desejados.

Por isso, além das perguntas que você já deveria fazer antes de comprar um Tesla usado, entra uma nova na lista: ele tem Hardware 3 ou Hardware 4?

As outras questões todas estão respondidas neste vídeo:

Usados da Tesla em Portugal

Hardware 3 vs Hardware 4: o que verificar antes de comprar

O sistema que testamos em Amsterdã está ligado aos Tesla com Hardware 4, também chamado AI4. Esse é o hardware mais novo e mais capaz da marca, com mais poder de processamento e câmeras com resolução superior. No caso do Tesla Model 3 Highland, lançado em 2024, a vida fica mais simples: em princípio, eles já saem todos com Hardware 4. Já os Model 3 anteriores, vendidos entre 2019 e 2023, normalmente usam Hardware 3.

No Model Y, é preciso redobrar a atenção. A migração para o Hardware 4 não ocorreu ao mesmo tempo em todas as fábricas. Existem unidades de 2023 e 2024 que podem trazer hardware diferente, apesar de serem praticamente idênticas por fora. Na Europa, a aposta mais segura são os Model Y mais recentes, principalmente os produzidos depois da transição das fábricas de Xangai e Berlim para o novo hardware. Ainda assim, o melhor é sempre confirmar.

Nos Model S e Model X, o Hardware 4 começou a aparecer mais cedo, no começo de 2023, mas esse também foi um período de transição. Por isso, quando o assunto é usado, 2024 em diante costuma ser o caminho mais seguro. Antes disso, vale checar.

Um bom atalho é pedir ao vendedor uma foto da tela do próprio carro no seguinte caminho de menu: Controles > Software > Informações adicionais do veículo. Ali deve constar qual computador está instalado - com a indicação de Computador do FSD 3 ou Computador do FSD 4.

Se aparecer o Computador 3, o carro ainda pode continuar valendo a atenção. A Tesla também pretende disponibilizar uma versão mais “leve” do sistema, chamada FSD v14 Lite. A proposta é levar parte da inteligência do FSD mais recente para os Tesla mais antigos, mas adaptando tudo às limitações do Computador 3.

Na prática, isso quer dizer que muitos Model 3 usados entre 2019 e 2023, assim como muitos Model Y de antes da mudança para o Hardware 4, podem ganhar novo apelo. Não por alcançarem o nível dos modelos mais novos, mas por deixarem de ficar tão distantes deles.

Nada disso apaga a desvalorização mencionada lá no começo. Só que existem exceções pontuais: pequenas mudanças que mexem com a procura. E, no caso da Tesla, essa atualização de software pode ser suficiente para fazer parte do público olhar para esses modelos de um jeito que nunca tinha olhado até agora.


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Autor

  • Guilherme Costa: desde muito cedo, trocou a companhia dos brinquedos pelas revistas de carros. Impulsionado por essa paixão, em 2012 fundou a Razão Automóvel.
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