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Táticas invisíveis de manipulação em supermercados e na Ikea

Mulher jovem com expressão pensativa empurra carrinho de supermercado entre prateleiras cheias de produtos.

Táticas que muita gente nem percebe.

O supermercado costuma ser um campo de influência quase invisível. De acordo com a associação mundial de marketing POPAI, mais de 75% das nossas compras são decididas ali mesmo, no meio dos corredores. Ao “hackear” os nossos sentidos, as grandes redes conseguem impulsionar as vendas. Mas como elas fazem isso, na prática?

Supermercados sem janelas e a perda da noção do tempo

Olhando com atenção, dá para notar que esses estabelecimentos quase sempre não têm janelas. E isso não é por acaso. Como já explicou o Le Journal des femmes em uma matéria anterior, a intenção é fazer você perder a referência do tempo - para permanecer mais tempo na loja e, assim, comprar mais.

Iluminação no supermercado: destaque planejado para vender mais

Na mesma linha, outros veículos citam o site JRTech Solutions, referência em etiquetas eletrônicas de prateleira, que afirma:

A iluminação dos supermercados é um elemento importante para criar uma experiência de compra convidativa para os clientes. Uma boa iluminação pode ser usada para destacar estrategicamente os alimentos nas diferentes seções, criando assim uma apresentação visual atraente que chamará a atenção do consumidor para os produtos mais cuidadosamente expostos.

As lojas da Ikea nos desorientam

As lojas da Ikea são outro exemplo clássico. Alan Penn, professor da University College of London, analisou esse tipo de loja de perto e tentou explicar por que os clientes frequentemente saem do gigante sueco com compras por impulso.

Para ele, o percurso e a organização dos ambientes são pensados como um espaço “hostil”, que confunde o cliente e o faz perder a sensação de realidade. Citado pelo Rue 89, ele diz:

Vocês são rapidamente desconectados da vida cotidiana – todas as representações do mundo exterior ficam embaralhadas e até o senso de orientação é eliminado pelos zigue-zagues e pelas curvas do caminho.

E o pesquisador completa: “Ao mesmo tempo [em que vocês ficam desorientados], sugerem a vocês, por meio das cenas de exposição, como deveria ser a vida cotidiana. É mais ou menos subliminar.”
Já Carole Reddish, executiva da Ikea na Inglaterra e na Irlanda, nega essa forma de manipulação: “Nossas salas de exposição são projetadas para dar aos nossos clientes muitas ideias para organizar cada cômodo da casa, incluindo a cozinha, o quarto e a sala de estar.”

De todo modo, a expectativa é que este texto ajude você a enxergar essas estratégias com mais clareza. Fazer compras em supermercados é parte comum do nosso dia a dia, e vale a pena ter consciência dessas técnicas que tentam direcionar as nossas escolhas.

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