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Relatório “U.S. Navy´s 2026 Shipbuilding Plan” e metas para a Flota do Futuro
A Marinha dos Estados Unidos (US Navy) divulgou recentemente o relatório “U.S. Navy´s 2026 Shipbuilding Plan”, no qual define metas do plano de construção naval voltado à chamada Flota do Futuro dos EUA. Entre os eixos centrais descritos no documento, segue avançando a substituição da antiga classe Nimitz pelos novos porta-aviões de propulsão nuclear da classe Gerald R. Ford, mas o programa também esbarra em desafios industriais que forçam ajustes de cronogramas e do planejamento originalmente projetado.
De forma ampla, o Departamento da Marinha dos Estados Unidos opera 291 navios de combate, embora - conforme os preceitos legais citados - a força devesse contar com uma frota de 355 unidades. Como pano de fundo considerado determinante (e apontado no relatório), a US Navy menciona contingências industriais que acabam agravando a deterioração operacional da capacidade de adquirir e gerir navios. Ao longo das últimas duas décadas, o documento ressalta a recorrente duplicação das dotações orçamentárias em busca das metas de construção naval; ainda assim, do ponto de vista operacional, a Marinha dispõe de menos unidades.
Reforço da base industrial e construção modular distribuída
Segundo a instituição, fortalecer o processo industrial naval tornou-se um objetivo-chave dentro de um ecossistema de construção modular distribuído por inúmeros estaleiros em todo o país. A lógica apresentada é reduzir contratempos, acelerar a entrega e explorar melhor a capacidade industrial existente, considerando os múltiplos cascos navais demandados pela Marinha dos Estados Unidos.
Nesse sentido, a US Navy pretende chegar a 50% da construção naval realizada em instalações distribuídas, elevando o patamar atual, estimado em cerca de 10%.
Renovação de capacidades e a transição da classe Nimitz para a classe Gerald R. Ford (CVN)
No conjunto de programas atuais e futuros, a renovação das capacidades marítimas aparece como princípio orientador no Plano 2026 da US Navy, alinhado à Ordem Executiva nº 14269 do presidente Donald Trump, “«Restaurando o domínio marítimo dos Estados Unidos»”, além das diretrizes do Plano de Ação Marítima.
Em coerência com essa orientação, a Marinha dos Estados Unidos mantém o processo de substituição da antiga frota de porta-aviões de propulsão nuclear (CVN, Nuclear-powered Aircraft Carrier). A referência inicial é o primeiro navio da classe Nimitz, o USS Nimitz (CVN-68), comissionado em 1975.
A classe sucessora é a Gerald R. Ford, uma série de porta-aviões de propulsão nuclear atualmente em construção pelo estaleiro norte-americano Newport News Shipbuilding (NNS). A US Navy projeta um programa de fabricação de dez unidades, número pensado para substituir, navio a navio, cada unidade da classe Nimitz.
O navio líder, o USS Gerald R. Ford (CVN-78), foi entregue à Marinha em maio de 2017 e incorporado ao serviço em julho de 2017. Desde então, participou repetidamente de operações internacionais da Marinha dos Estados Unidos, incluindo as mais recentes Operation Southern Spear, Absolute Resolve e Epic Fury - sendo esta última a campanha mais longa desde o fim da Guerra Fria.
Cronograma dos navios e atrasos no Newport News Shipbuilding
Dentro da classe Gerald R. Ford, a segunda unidade, o USS John F. Kennedy (CVN-79), foi lançada ao mar em dezembro de 2019 e hoje está em fase de provas de mar antes da entrega formal à instituição, prevista para março de 2027.
Já o calendário de transferência das demais unidades menciona o terceiro e o quarto porta-aviões com datas estabelecidas no acordo com o estaleiro: o USS Enterprise (CVN-80) com entrega em 2030 e o USS Doris Miller (CVN-81) em 2032.
Diante dos atrasos no programa, o cronograma original foi estendido com novos prazos. Assim, o CVN-80 passaria a ser entregue em 2031 e o CVN-81 em 2034, “[…] devido a restrições na capacidade de construção do estaleiro, que limitaram sua habilidade de fabricar os módulos do navio”, conforme os documentos orçamentários do ano fiscal de 2027 da Marinha dos Estados Unidos.
Além disso, representantes do NNS apontaram que os atrasos na construção do USS Enterprise repercutiram no cronograma do USS Doris Miller, somando-se a dificuldades ligadas à chegada tardia de equipamentos necessários para a montagem inicial da estrutura do CVN-80.
Efeitos sobre a desativação da classe Nimitz e revisões de projeto
A transição para a classe Gerald R. Ford acabou sofrendo interrupções, o que impactou o planejamento previsto para a baixa da antiga classe Nimitz. Em meados de março deste ano, a US Navy anunciou a extensão do serviço do USS Nimitz (CVN-68), navio-insígnia da classe, até 2027, ampliando sua vida útil em mais dez meses em relação ao calendário anterior, em função do atraso na entrega do USS John F. Kennedy (CVN-79).
O relatório citado também apresenta o cronograma atualizado para a desativação da classe Nimitz: o CVN-68 seria desmantelado em 2027, enquanto o USS Eisenhower (CVN-69) seria reciclado em 2030.
Como forma de sustentar a continuidade da construção da série da classe Gerald R. Ford, a Marinha dos Estados Unidos estuda revisar os navios futuros da classe para otimizar o projeto, com a intenção de “[…] aumentar ainda mais a letalidade, melhorar a capacidade de sobrevivência e otimizar a capacidade de produção, ao tempo que se simplifica o design e se reduz potencialmente o custo”, como consta no documento.
A partir do quarto porta-aviões, a instituição planeja uma nova abordagem industrial para a construção das demais unidades da classe, concentrando a análise em ajustes na configuração da ilha, na otimização do Sistema Eletromagnético de Lançamento de Aeronaves (EMALS) e do sistema de recuperação AAG, além do arranjo dos espaços internos dos navios.
Denominações das próximas unidades (CVN-82 e CVN-83)
Por fim, a Marinha dos Estados Unidos definiu os nomes das duas próximas unidades a serem construídas: o USS William J. Clinton (CVN-82) e o USS George W. Bush (CVN-83), que serão o quarto e o quinto porta-aviões de propulsão nuclear a integrar a frota naval.
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