Nevasca total a 1.520 metros no Parque de Yellowstone
Não é exatamente aquele trajeto de levar as crianças à escola. Estamos a 1.520 metros de altitude, no meio de uma nevasca tão fechada que tudo vira branco. O asfalto ficou para trás há muito tempo; as laterais da estrada desapareceram logo depois; e agora o céu parece pesado de tanta neve. A única coisa que ainda enxergo são as hastes finas que marcam as bordas de onde, um dia, existiu uma estrada.
Lá fora há lobos e ursos, poças de lama fumegante bem ao lado do caminho e uma queda de mais de 100 metros para dentro de um cânion que fica, enfim, em algum lugar ali. Por sorte, eu estou num carro típico de “trajeto escolar”.
Jeep Grand Cherokee 2.7 CRD Overland: um 4x4 de “trajeto escolar”
O “carro do colégio”, no meu caso, é um 4x4 grande: um Jeep Grand Cherokee 2.7 CRD Overland. É só mais um dia em Montana, e eu estou no Parque de Yellowstone - onde, apesar dos avisos sobre bisões que atacam e lama escaldante, várias dezenas de pessoas acabam chifradas e cozidas até a morte todos os anos. (Pausa para piada cruel sobre os americanos.)
Um bisão em disparada chega a 30mph - o bastante para alcançar com folga o nosso Grand Cherokee nessa condição de visibilidade zero. Mesmo que ele esteja
rodando com o Quadra-Drive, o sistema 4x4 sofisticado da Jeep, que distribui torque conforme a necessidade e é mais capaz do que a maioria.
Status, presença e a concorrência (BMW X5 e M-Class Mercedes)
Mas estou me adiantando. Enfrentar nevascas que apagam o mundo é uma exigência mais teórica do que prática na “selva” suburbana onde este Grand Cherokee provavelmente vai trabalhar. Por lá, SUVs grandes, macios e com apelo fora de estrada viraram escolha de muita gente por motivos bem diferentes - status e presença física são dois deles.
Só que, nesses dois quesitos, o Grand Cherokee acabou ficando um pouco para trás com a chegada de rivais mais novos, como o BMW X5 e o M-Class Mercedes. E a própria Jeep não se ajudou quando insistiu no velho - e caro - vigor de V8 americanos, em vez de adotar os diesels menos empolgantes, porém mais económicos, que os concorrentes ofereciam.
Diesel Daimler, equipamentos e melhorias no modelo 2003
Um diesel da Daimler foi encaixado numa versão do grandalhão da Jeep há um ano e, agora, o mesmo conjunto chega ao Overland, no topo da gama, para entregar exatamente o tipo de “queimador de óleo” sofisticado que nós, europeus, aparentemente queremos.
Na prática, isso significa vir com todos os mimos: toca-CD para 10 discos, acabamento em camurça e couro, bancos com acionamento elétrico, detalhes em madeira de sequoia no painel e rodas de liga leve de cinco raios - além de rock rails para proteger as soleiras, caso você seja excêntrico o bastante para realmente o tirar do asfalto.
Para os modelos 2003, a suspensão foi retrabalhada, e tanto os freios quanto a direção ficaram mais leves - não fica claro por que acharam isso necessário, já que conduzir o Jeep grande nunca foi algo que fizesse suar. E a suspensão, antes disso, também não era exatamente dura como um tijolo.
Desempenho do 2.7 turbodiesel e consumo
O cinco-cilindros 2.7 litros com common-rail entrega aquela força tranquila e constante que se espera desse tipo de motor. São 163bhp, mas, mais importante, 295lb ft de binário com menos de 2,000 rpm. Ele cumpre o que se pede de um diesel moderno: é silencioso (tirando um leve tec-tec ao fundo na partida), não bebe demais (29.1mpg), mantém-se à vontade em velocidades de autoestrada e, ainda que não seja exatamente rápido, não passa vergonha quando precisa acelerar - por exemplo, se for convocado a arrancar mais depressa do que um bisão parado.
Feito na Áustria, com alma americana
O Overland é montado na Áustria para o mercado europeu, mas não esconde a sua essência ianque: bancos macios, rodar confortável, e o jeito - a sensação e o estilo - da cabine são tipicamente americanos. E por que não? Alguns dias nos EUA lembram que, por aqui, “andar fora de estrada” costuma significar muito mais do que apenas subir com duas rodas no meio-fio.
Kevin Blick
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