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Mini One: qualidade adulta na versão básica

Carro Mini One verde com teto preto em showroom moderno iluminado à noite.

Dizer que o nome da versão de entrada do Mini dava margem a muita dúvida parece exagero, mas corre o boato de que a BMW gastou uma fortuna absurda com consultores durante um ano inteiro para produzir milhares de opções de batismo. E, no fim, saiu o simples Mini One.

Com toda essa história, entrei no carro esperando ver um exercício caro e pouco recompensador de marketing de nicho. Com tanta propaganda de "herança e dias de glória", imaginei que a BMW estivesse a fazer um "truque mental de Jedi" num mundo ávido por reviver uma época em que os carros eram piores do que a nossa memória admite. Sem o brilho do emblema Cooper, eu apostava que o Mini One seria o responsável por desmascarar a encenação.

Primeiras impressões ao volante do Mini One

Essa desconfiança não durou nem um minuto: mesmo na configuração mais básica, a qualidade do Mini é inconfundível. Ele parece maduro demais para o tamanho e o preço que tem - a ponto de os rivais do segmento quase poderem começar a costurar bandeirinhas brancas.

Mesmo com a suspensão menos esportiva da gama e com o conjunto mecânico menos empolgante, a condução que ele entrega já soa como o negócio do século. A estrutura é rígida o suficiente para encarar curvas complicadas a velocidades ainda mais atrevidas, e há tanta aderência que, sem perceber, você vai a cada trecho mais rápido.

Curva após curva, ele contorna com uma agilidade que dá vontade de descer e conferir o emblema na tampa do porta-malas. Dá para sentir o cuidado em tornar a direção o mais direta possível: o resultado é um sistema bem calibrado, com peso na medida, que aponta a dianteira exatamente para onde você quer.

Direção, chassi e conforto de rodagem

O detalhe realmente brilhante, porém, está no conforto. Carros desse tamanho até podem ser divertidos, mas quase sempre cobram a conta na forma de compressão da coluna. Aqui, isso deixou de ser regra. O Mini pequeno absorve o piso como se fosse um carro de categoria superior.

Motor, câmbio e refinamento na estrada

O One vem com um motor 1.4 de quatro cilindros e modestos 90 cv. Levar 10,5 segundos para sair do zero e chegar a 97 km/h (equivalente a 60 milhas por hora) não é algo para perder a cabeça, e o mesmo vale para a máxima de 185 km/h (115 milhas por hora). Para ganhar embalo de verdade, é preciso esticar bastante as marchas, mas como ele consegue manter esse ritmo dentro das curvas, na prática parece bem mais esperto do que os números fazem supor.

Ajuda o câmbio manual de cinco marchas, delicioso de manusear: suave, rápido e com engates certeiros. Também faz sentido pagar 50 libras esterlinas a mais pelo conta-giros montado na coluna de direção. Nada neste carro passa sensação de banalidade.

E acabou a história de o motorista de supermini sofrer na autoestrada: em rotações mais altas, o ruído é tão bem isolado que dá para conversar com tranquilidade, sem ficar forçando a voz. E, dentro de uma cabine bem montada, a única coisa que vai tremer mesmo é o seu nervosismo.

O Mini é menor do que parece nas fotos, mas por dentro há espaço de sobra. Ele traz quatro airbags bem posicionados e tantos recursos de segurança que dá a impressão de que nem vai deixar você sair sozinho à noite.

Como a concorrência vai reagir a um novato tão atrevido ainda é um mistério. Até aqui, o placar é: Mini One - resto do mundo, zero.

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