Uma parceria improvável: Jeep e Orvis
Segurem a manchete: chegou o primeiro grande 4x4 do mundo a ostentar o nome de um fabricante de equipamentos de pesca com mosca - o Jeep Grand Cherokee Orvis.
Dá até para imaginar um futuro em que você entra numa loja e escolhe um carro com qualquer marca estampada. Que tal um Ford Scorpio Betterspecs? Um Vauxhall Astra Wonder-loaf? Um Mercedes Classe V Portakabin? Ou até um Volvo 850 Ikea?
No universo meio nebuloso do marketing, colar um nome forte no outro costuma ser considerado uma Grande Ideia. No papel, duas marcas “compatíveis” se somam e criam aquela sensação boa no comprador. Aqui, Jeep (americana, aventureira, com um ar de macho alfa) encontra a Orvis (americana, aventureira, com um toque meio certinho).
Além de tralhas de pesca com mosca, a Orvis vende por catálogo roupas “clássicas”, do tipo que cai no colo junto do jornal de domingo: Racing Green, Cotton Traders, esse estilo - peças sem ousadia, temperadas com uma dose de “tradição” meio cafona.
O que a Orvis realmente acrescenta ao Grand Cherokee Orvis
E, afinal, qual é a contribuição da Orvis para este Jeep? Porque o Grand Cherokee já é um produto bem atraente: vem com um enorme motor V6 de quatro litros (e mais algumas opções de motorização, que já já entram na conversa) e uma boa porção de mimos de conforto. Ele precisava mesmo de uma capinha de volante tricotada à mão, com um pato bordado?
Ainda bem que não. O Grand Cherokee Orvis não tem nada desse tipo. Na prática, ele é um Grand Cherokee quatro litros com o kit externo e os detalhes de interior luxuoso do V8 5,9 litros. O 5.9 é divertidíssimo (veja o First Steer, edição 49), mas, infelizmente, não existe a opção de trocar o volante para nós, britânicos. O Orvis vira, então, o jeito de levar todos os requintes num pacote com volante à direita, mais amigável para o Reino Unido.
Equipamentos de luxo e o preço no Reino Unido
O resultado é luxo à vontade: trocador de CDs com dez alto-falantes, rodas enormes de liga leve com cinco raios, couro, madeira, teto solar elétrico e mais botões e comandos do que um Boeing 767 - tudo isso por £33.495. Um Range Rover completo, com todos os opcionais, chega perto de 50 mil libras. Ai.
Pelo que entrega, é um bom negócio. Mas, se a sua prioridade é economizar cada centavo, talvez você pense num diesel - afinal, o V6 de quatro litros com câmbio automático bebe gasolina sem dó e faz 19 milhas por galão (mpg), algo como 14,9 L/100 km. E agora, apesar de muitos americanos acharem que motor a diesel é coisa de britânico ecochato “abraçador de árvores”, existe também um diesel de 2,5 litros. Mais “anti-americano” ainda: ele vem com câmbio de alavanca - quer dizer, manual.
O diesel 2,5: por que ele não convence
Só que isso erra o alvo. A alavanca de curso longo, com jeito de máquina agrícola, fica deslocada no meio do luxo de couro e madeira do Turbo Diesel Limited. E, nesse carro pesado, o quatro cilindros rosna trabalhando no limite sem transformar isso em grande avanço na estrada. Para tentar uma ultrapassagem, você precisa estar muito decidido - ou muito corajoso - e, embora ele consiga manter velocidade de autoestrada, é necessário reduzir marcha para não perder fôlego nas subidas.
E nem chega aos 30 mpg (cerca de 9,4 L/100 km); o mais realista é ficar nos “altos 20”, algo como 27–29 mpg. Não: aqui, talvez os americanos tenham razão.
Deixe o diesel de lado. Compre o Orvis. A descrição no catálogo da Orvis é perfeita: "robusto e excepcionalmente bonito... feito sob medida com o espírito aventureiro em mente." Só que essa frase é para a jaqueta e a calça Explorer Twill. "Dá para lavar!"
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