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Fiat Panda Sport: números modestos e visual esportivo

Carro vermelho Fiat Panda Sport exibido em estande com rodas pretas e detalhes em preto.

Não passa despercebido

Num mercado em que muito carro compacto tenta chamar atenção só com acabamento ou conectividade, a Fiat foi por um caminho mais direto: dar ao Panda um tempero visual claramente esportivo. E assim nasceu o Fiat Panda Sport, uma versão que parece beber da inspiração de nomes do passado como o Cinquecento Sport (ou Sporting) e o Panda 100HP (que nunca chegou por aqui).

Só que, diferente do que aconteceu na geração anterior, a marca italiana desta vez preferiu uma receita mais “pé no chão”. Em vez do 1.4 a gasolina com 100 cv do Panda 100HP, o novo Panda Sport segue com a mesma motorização mild-hybrid de 70 cv usada pelos demais “irmãos” de linha.

Dito isso, fica a pergunta: o visual mais esportivo basta para justificar o nome, ou o fato de ter “apenas” 70 cv torna o “Sport” um pouco otimista?

Comecemos pelo que mais chama olhares: o design. Aqui a Fiat não deixou nada ao acaso e conseguiu dar ao já conhecido Panda um nível bem agradável de diferenciação.

A pintura fosca exclusiva e as rodas de 16″ ajudam a deixar mais esportivo o visual normalmente “fofinho” do Panda, e, para arrematar, aparecem os tradicionais logotipos que identificam a versão.

Por dentro, às qualidades já reconhecidas nos outros Fiat Panda - boa ergonomia, montagem sem grandes ressalvas e vários porta-objetos - o Sport acrescenta painel em cor titânio, revestimentos de portas específicos, novos bancos e diferentes detalhes em ecopele.

Numa avaliação parada, o Fiat Panda Sport não decepciona e faz jus ao emblema que a marca italiana lhe deu. Aliás, nesse “campeonato dos pequeninos”, ele joga um papel semelhante ao do Hyundai i10 N Line, sem ficar intimidado esteticamente diante do modelo sul-coreano mais recente.

Números modestos

Só que, sob o capô do Panda mais “invocado”, encontramos o mesmo 1.0 de três cilindros em linha com 70 cv, associado a um motor elétrico BSG (Belt-integrated Starter Generator), que recupera energia nas fases de frenagem e desaceleração.

É aqui que o Panda Sport acaba perdendo espaço para a (pouca) concorrência. Mesmo com os compactos “esportivos” cada vez mais raros, modelos como o já citado Hyundai i10 N Line ou o Volkswagen Up! GTI entregam números mais interessantes. O primeiro oferece 100 cv e o segundo chega aos 115 cv (e, há cerca de 20 anos, o Lupo GTI já chegava aos 125 cv!).

Ainda assim, números contam só “metade” da história. Sim, são modestos, mas no uso diário o câmbio manual de seis marchas, com relações curtas, e o sistema mild-hybrid ajudam a “mascarar” a menor potência e garantem uma boa disposição ao pequeno italiano.

As acelerações nunca chegam a impressionar (nem a empolgar), mas há potência mais do que suficiente para se virar bem no trânsito e para “sair na frente” no anda-e-para urbano. Já em rodovia, essas relações curtas acabam exigindo por volta de 3000 rpm a 120 km/h.

No comportamento dinâmico, o Panda Sport entrega o que dá para esperar do nome - dentro do possível. O centro de gravidade é alto, mas a agilidade surpreende; a direção é precisa e direta na medida certa (embora leve demais no modo “City”, indicado só para manobras); e, mesmo quando forçamos o ritmo em curvas, ele mantém uma previsibilidade agradável e bons níveis de aderência.

Por fim, se na parte de desempenho a manutenção do conjunto mild-hybrid pode ter “segurado” ambições mais esportivas, no capítulo da economia ela compensa: dá para ver médias na casa de 5,0 a 5,5 l/100 km, mesmo quando tiramos o Panda Sport do seu “habitat natural”, a cidade. Já no urbano, é difícil ver o computador de bordo marcar mais de 6,0 a 6,5 l/100 km.

É o carro certo para si?

O novo Fiat Panda Sport está longe de ser um sucessor do bem mais esperto (e também mais caro e beberrão) Panda 100HP, mas cumpre bem o “papel” que recebeu: oferecer uma opção de imagem mais esportiva dentro da completa gama Panda, para quem não curte tanto o espírito utilitário das versões Cross e Life.

É verdade que o desempenho é (bem) modesto, mas o visual ajuda a se destacar na “selva urbana”, o consumo é adequado para um carro que vai passar boa parte da vida na cidade, e o comportamento não frustra.

Numa época em que existem cada vez menos compactos urbanos (e a tendência é continuarem sumindo), é sempre bom ver a Fiat apostando em mais uma variação do seu “eterno” Panda.

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