Washington, DC além dos monumentos: hotéis com memória
Em Washington, DC, explorar a cidade não se resume a visitar monumentos, museus e edifícios oficiais. Uma parte importante da história da capital dos Estados Unidos também está guardada em hotéis que, ao longo de décadas, hospedaram presidentes, diplomatas, empresários e figuras associadas a capítulos decisivos da política do país.
Mais do que endereços para passar a noite, esses hotéis acompanharam o crescimento urbano e ajudam a reconstituir a trajetória da cidade por meio da arquitetura, da localização e dos relatos ligados a cada prédio. Em muitos casos, seguem em operação nos mesmos imóveis onde conversas reservadas e acontecimentos políticos marcaram diferentes épocas.
Localização estratégica, arquitetura preservada e novas funções
Esses hotéis têm algo em comum: ficam em pontos privilegiados, próximos da Casa Branca, do Capitólio e de outras instituições do governo federal. Alguns mantêm salões, fachadas e áreas internas praticamente originais; outros passaram por adaptações e ganharam novos usos sem romper o vínculo com o passado. Para quem visita Washington, DC, a experiência de hospedagem pode se transformar em parte do próprio roteiro.
Entre hotéis instalados em antigos bancos, construções do século 19 e edifícios associados a um dos maiores escândalos políticos dos Estados Unidos, a capital oferece vivências que unem turismo, arquitetura e memória.
Hotéis próximos ao poder preservam episódios históricos
O Willard InterContinental Washington, DC é um dos exemplos mais emblemáticos da ligação entre hotelaria e história. A poucos passos da Casa Branca, o hotel recebe presidentes, diplomatas e personalidades influentes desde o século 19.
Abraham Lincoln se hospedou ali em noites que antecederam sua posse como presidente dos Estados Unidos. Foi também nos corredores do Willard que a expressão “lobbying” ganhou fama, quando cidadãos esperavam a passagem de políticos para apresentar pedidos, pautas e interesses.
Bem perto, o The Hay-Adams está construído no terreno onde ficavam as antigas casas de John Hay e Henry Adams, dois nomes ligados à história americana. O hotel conserva quartos voltados para a Casa Branca, com uma das vistas mais reconhecidas da capital.
Outro endereço com forte peso histórico é o The Jefferson, Washington, D.C. O prédio foi aberto em 1923 como uma residência em estilo Beaux-Arts e só em 1955 passou a funcionar como hotel. Em 2009, uma reforma incluiu objetos relacionados a Thomas Jefferson e restaurou a claraboia original do lobby, que permaneceu coberta por décadas.
Bibliotecas, obras de arte e espaços mais intimistas fazem parte do conceito do hotel, inspirado na figura do terceiro presidente dos Estados Unidos.
Do escândalo Watergate ao banco dos presidentes
Entre os hotéis diretamente associados a fatos políticos está o Watergate Hotel. Ele faz parte do complexo onde, em junho de 1972, ocorreu a invasão à sede do Comitê Nacional Democrata, episódio que deu início ao escândalo Watergate.
As investigações posteriores culminaram na renúncia do presidente Richard Nixon, em 1974, e fizeram com que o nome Watergate se tornasse uma referência permanente na história política americana.
Depois de uma reforma ampla, o hotel reabriu em 2016 e passou a trazer alusões ao caso em sua decoração. Uma dessas referências é o Scandal Room, ambiente montado com objetos ligados ao episódio.
Outro prédio que mudou de função sem apagar a própria origem é o Riggs Washington DC, que ocupa o antigo Riggs National Bank. Erguido em 1891, o banco ficou conhecido como o “banco dos presidentes” por administrar as finanças pessoais de vários chefes de Estado americanos e por atender embaixadas estabelecidas na capital.
A construção mantém detalhes originais e sinais da chamada era de ouro do sistema bancário americano. O antigo salão principal, com pé-direito alto e colunas coríntias, hoje abriga o Café Riggs, preservando parte da estrutura histórica do imóvel.
A sala onde aconteciam reuniões foi transformada na Riggs Suite, enquanto o antigo cofre do banco segue intacto no subsolo. É ali que atualmente funciona o bar Silver Lyan. A porta original do cofre foi mantida como parte do cenário, conectando o passado financeiro do edifício ao uso atual voltado à hotelaria e à gastronomia.
Ao longo de sua história, 23 presidentes e suas famílias tiveram vínculo com a instituição, incluindo Abraham Lincoln, Dwight D. Eisenhower e Richard Nixon. O banco também participou do financiamento da invenção do telégrafo por Samuel Morse, em 1845.
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