Em vez de decretar o fim do “carro de família” tradicional, vale olhar para o que a Hyundai conseguiu aqui. A marca chegou a um ponto em que dá para encarar, sem preconceito, a sua proposta de perua familiar como algo realmente sério. Todo mundo já se acostumou com a ideia de um coreano compacto para o dia a dia, mas subir um degrau no mercado é outra história: é aí que emblema e design pesam, a lista de equipamentos vira exigência e a construção precisa estar à altura.
À primeira vista, o i40 parece um desafio maior para um público acostumado a Mondeo e Insignia do que o Veloster, com seu jeitão diferente - e ainda assim é difícil imaginar que não vá vender. Basta ver o visual: é bonito, não é? Um carro de família em que você não se importaria de ser visto. E, por enquanto, ele chega apenas como perua; um sedã vem mais para o fim deste ano.
Há opções de motores a gasolina de 133 bhp ou 175 bhp, além de um diesel 1,7 litro com 113 ou 134 bhp. A versão mais forte pode vir com câmbio automático no lugar do manual de seis marchas que testamos. Para um diesel, ele é esperto, leve e disposto, com boa resposta ao acelerador e sem aquele funcionamento muito áspero. Aliás, passa sensação de projeto bem resolvido - como o carro todo.
Não é uma revolução em dirigibilidade - não chega a superar um Mondeo -, mas o que faz o i40 ser simpático é que ele não tenta se passar pelo que não é. Ele não busca ser esportivo. É macio, inclina em curvas e, embora contorne curvas suaves com competência, os buracos devolvem pancadas secas pelas rodas, o suficiente para incomodar a suspensão. Também há um atrito estranho na direção, que exige “passar” por ele ao virar o volante. Fora isso, é tranquilo, refinado e pouco exigente. Vai de boa em rodovias, é dócil em espaços apertados e mostra poucos defeitos. Talvez tenha um quê de eletrodoméstico, mas afinal mira o grande público.
Por dentro, o painel é bem organizado, talvez um pouco carregado no desenho, mas a Hyundai entende que o motorista precisa estar confortável: os bancos são largos e macios, e há muita regulagem do volante.
Só que tem um porém. Os preços começam em £18.395, e este aqui já encosta em £25 mil, então não sai mais barato do que Peugeot 508, Ford Mondeo ou Vauxhall Insignia - quase o contrário. A Hyundai claramente confia no que o i40 entrega. Ele vem bem equipado (especialmente na versão Premium) e, por trás do visual compacto, esconde um porta-malas de 553 litros e bom espaço para passageiros. O i40 é convincente. Convincente o bastante para fazer compradores pensarem que o mercado de carros familiares pode estar voltando.
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