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Estudo sugere que Thomas Edison pode ter criado grafeno acidentalmente em 1879

Homem idoso segurando uma lâmpada acesa em bancada de laboratório com microscópio e caderno aberto.

A fama de Thomas Edison como inventor que vivia à frente do seu tempo pode ganhar mais um capítulo com um estudo recente.

Pesquisadores da Universidade Rice levantam a hipótese de que Edison talvez tenha produzido, sem querer, grafeno em 1879 - um “material maravilhoso” que só viria a ser fabricado oficialmente 125 anos depois.

O que é o grafeno e por que ele chamou tanta atenção

O grafeno é uma lâmina de carbono com apenas um átomo de espessura, algo que parece simples à primeira vista. Ainda assim, ele é extremamente resistente, leve e flexível, além de apresentar características que podem fazê-lo atuar como supercondutor e servir de plataforma para estados quânticos exóticos.

A ideia do grafeno foi proposta pela primeira vez em 1947 pelo físico canadense Philip Wallace. Já o isolamento bem-sucedido ocorreu em 2004, realizado pelos físicos Andre Geim e Konstantin Novoselov. Essa conquista rendeu à dupla o Prémio Nobel de Física de 2010.

Mas, de acordo com a nova investigação, Edison pode ter chegado antes - mesmo sem se dar conta do que tinha em mãos.

Edison e o possível grafeno acidental em lâmpadas de filamento

De forma irónica, a pista de que Edison poderia ter criado grafeno por acidente também surgiu por acaso. Uma das principais técnicas atuais para produzir grafeno é o aquecimento Joule por flash - em termos práticos, aplicar um pulso elétrico a um material resistivo à base de carbono para elevá-lo a temperaturas acima de 2.000 °C (3.632 °F).

“Eu estava a tentar descobrir qual seria o menor e mais simples equipamento que poderia ser usado para aquecimento Joule por flash, e lembrei que as primeiras lâmpadas frequentemente utilizavam filamentos à base de carbono”, afirma Lucas Eddy, cientista de materiais da Universidade Rice.

Para verificar se Edison poderia ter gerado grafeno sem intenção durante os testes iniciais que levaram às suas lâmpadas mais estáveis, a equipa da Rice obteve lâmpadas de estilo semelhante, com filamentos de bambu ricos em carbono.

Essas lâmpadas foram ligadas a uma fonte de energia de 110 volts em corrente contínua (CC) e acionadas por 20 segundos de cada vez. Em seguida, os filamentos passaram por uma análise detalhada.

Como a equipa confirmou a formação de grafeno

Ao microscópio, os investigadores observaram que o filamento mudara de cor, passando de cinzento para prateado. A espectroscopia confirmou que partes do filamento se tinham convertido em grafeno.

Esse grafeno, no entanto, provavelmente duraria pouco. A menos que fosse raspado do filamento após pulsos curtos de uso, o material acabaria transformado em grafite com a utilização contínua da lâmpada.

Mesmo que Edison tivesse percebido o que tinha produzido, é provável que o grafeno não lhe fosse particularmente útil naquele momento histórico. Ainda assim, a possibilidade abre espaço para novas reflexões.

“Descobrir que ele poderia ter produzido grafeno inspira curiosidade sobre que outras informações estão escondidas em experiências históricas”, diz James Tour, químico da Universidade Rice.

“Que perguntas os nossos antepassados científicos fariam se pudessem juntar-se a nós no laboratório hoje? Que perguntas conseguimos responder quando revisitamos o trabalho deles com uma lente moderna?”

A pesquisa foi publicada na revista ACS Nano.

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