Em 1982, a Audi conquistou, pela primeira vez, o Mundial de Ralis. Naquele momento, o Audi Quattro - com motor turbo de cinco cilindros e tração integral - pegou a concorrência de surpresa e mudou para sempre o esporte. Vale a pena voltar a essa fase.
Quarenta anos depois, as reverberações daquele marco ainda seguem ecoando no tempo e no asfalto - e hoje ganham forma no novo Audi RS 3 (geração 8Y).
Ele é o derradeiro representante dessa “era de ouro”. A fórmula continua ali: motor turbo, layout de cinco cilindros e sistema quattro. Só que, nesta geração 8Y, essa “receita” ficou mais refinada do que nunca.
Na minha avaliação, trata-se do melhor carro do segmento e do melhor Audi RS 3 de toda a história - e eu dificilmente sou tão taxativo nas análises. Assistam ao vídeo e tirem a prova:
O melhor desportivo do segmento
Há vários motivos por trás dessa afirmação. Para começar, o novo Audi RS 3 é mais rápido do que os principais rivais. Seja o Mercedes-AMG A 45, o BMW M2 ou o M135i, nenhum deles consegue superar os 3,8s que o RS 3 leva para ir de 0 aos 100 km/h.
Além disso, com um eixo traseiro cooperativo e uma dianteira que não se rende à subviragem, o Audi RS 3 impressiona tanto nas curvas quanto nas retas - não por acaso, é o compacto mais rápido em Nürburgring.
Para completar, o Audi RS 3 carrega um “pedigree” que os adversários não conseguem igualar, funcionando como ponte para uma história riquíssima iniciada com o Audi Quattro.
Duas personalidades
Um dos principais “ingredientes” de um bom esportivo compacto é justamente conseguir exibir “duas personalidades”. Em outras palavras: ser esportivo quando a gente pede, mas também entregar competência quando o ritmo baixa.
Neste primeiro contato, ficou claro que o Audi RS 3 realmente consegue unir o “melhor de dois mundos”.
O espaço interno está em um bom patamar e o nível de acabamento é impressionante, como já é típico nas propostas da Audi.
O conforto a bordo também aparece em destaque, sem cobrar o preço de comprometer a eficiência dinâmica - e nem o prazer ao volante.
Para isso, ajuda bastante o controlador de dinâmica modular do veículo (mVDC), que faz com que os sistemas de chassi trabalhem de forma mais precisa e coletem rapidamente dados de todos os componentes relevantes para a dinâmica lateral (sincroniza as duas unidades de controlo do repartidor de binário, os amortecedores adaptativos e o controlo de binário por cada roda).
No meio de tudo, apenas o consumo acaba “atrapalhando” o RS 3 quando o assunto é a rotina de um carro de uso diário.
Para vocês terem uma noção, ao longo deste primeiro contato - em que o foco foi explorar ao máximo o potencial do cinco cilindros em linha - a média ficou em elevados 17 l/100 km.
Infelizmente é o último
Na Europa, a eletrificação da Audi se aproxima cada vez mais - o último Audi com motor a combustão será lançado em 2025 - e, por isso, este RS 3 surge como o capítulo final de uma era.
Afinal, ele segue fiel ao cinco cilindros em linha e não traz qualquer tipo de eletrificação.
Talvez exatamente por ser o último da “sua espécie”, a Audi tenha se dedicado mais do que nunca - e o resultado salta aos olhos: o novo Audi RS 3 é o melhor de todos.
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