O Mercedes-AMG CLS 53 4MATIC+ pode não ser o maior cupê de quatro portas que a divisão de Affalterbach oferece - nem o mais focado em desempenho -, mas é, sem discussão, o mais sofisticado no visual.
Com 5,01 m de comprimento, ele chama atenção por onde passa. Ainda assim, faz isso na medida certa: com um toque de agressividade que o diferencia dos outros CLS, sem apagar o carisma que sempre foi marca registrada do modelo.
E essa combinação fica ainda mais evidente na versão Limited Edition que testamos. Além do estilo exclusivo, ela acrescenta uma camada extra de raridade a este “cupê de quatro portas”. A questão é: essa receita ainda faz sentido hoje?
Não é um AMG GT 4 portas
Mesmo após a atualização mais recente, o Mercedes-AMG CLS segue sem oferecer o V8 que aparece, por exemplo, no Mercedes-AMG GT 4 portas. Por isso, não existe uma configuração 63.
Com isso, quem assume o posto de opção mais forte e mais esportiva da linha é justamente o 53 4MATIC+ que mostramos aqui.
Só que, ainda assim, este CLS não é um AMG GT 4 portas. Ele entrega menos dramatização e menos agressividade, mas compensa com mais elegância e um nível maior de requinte - e isso, naturalmente, divide opiniões.
Com um desenho menos chamativo, o CLS acaba se posicionando como uma alternativa mais discreta e refinada, mesmo usando a pintura cinza fosca - item de série na Limited Edition, limitada a 299 unidades e com custo de 11 850 euros - e os grafismos exclusivos do exemplar avaliado.
Quem não tem um V8 “se vira” com um seis em linha
Como já citei, não é o desejado V8 biturbo da AMG - aquele de que tanto gostamos - que movimenta este Mercedes-AMG CLS 53 4MATIC+. No lugar dele está o seis cilindros em linha (M 256) biturbo de 3,0 l, com 435 cv e 520 Nm, aqui acompanhado por um sistema mild-hybrid de 48 V.
Mas não se enganem: a proposta mais refinada e a presença impressionante (de novo: são 5,01 m de carro e quase duas toneladas) não tiram o peso das credenciais esportivas e dinâmicas deste conjunto.
Estamos diante de um modelo assinado pela AMG, e isso fica evidente desde o instante em que sentamos ao volante. Principalmente quando escolhemos os modos de condução mais ambiciosos, como o modo Race (com modo Drift), exclusivo do pack AMG Dynamic Plus e de série nesta versão.
O acerto de chassi é tão preciso, a entrega de potência é tão bem distribuída e a condução envolve tanto que, em pouco tempo, a gente esquece que está guiando um carro dessas dimensões.
E, para completar, ele não deixa de ser rápido. Perdão: muito rápido. O sprint de 0 a 100 km/h acontece em 4,5s, e a velocidade máxima fica limitada a 270 km/h (com o pack AMG Dynamic Plus).
O tamanho engana
Um automóvel desse porte não deveria contornar curvas e frear do jeito que este Mercedes-AMG CLS 53 4MATIC+ faz. A ponto de a sensação parecer quase “errada” quando isso acontece. Lembro de ter sentido algo parecido quando testei o BMW X7 M50d.
Mas é justamente essa luta constante contra as leis da física que torna o Mercedes-AMG CLS 53 4MATIC+ tão marcante. E, toda vez que aumentamos o ritmo e encaramos uma estrada de forma mais agressiva, acabamos admirando o trabalho dos engenheiros em Affalterbach.
A frente aponta com muita precisão, a traseira gira na medida exata para ajudar a sair de curva com velocidade e, quando necessário, os discos dianteiros perfurados mostram uma força de frenagem (e uma resistência) que dá confiança para “atacar” a próxima.
E aí entra a dupla motor e câmbio AMG Speedshift 9G-DCT, que combina perfeitamente com esse chassi.
O motor é forte em toda a faixa e reage sempre de imediato. Impressiona nas acelerações, mas principalmente nas retomadas, quando aproveita a ajuda da máquina elétrica para nos lançar para a frente.
E, se o motor oferece uma faixa de uso bem ampla, é o câmbio AMG Speedshift 9G-DCT que permite explorar tudo isso por completo. Esse efeito fica ainda mais evidente nos modos mais esportivos, que atuam diretamente na transmissão, no motor, na direção e na calibração dos amortecedores.
Este é o carro certo para você?
Eu confesso que não é simples encaixar este Mercedes-AMG CLS 53 4MATIC+ em uma “caixinha”. Afinal, se a linha CLS sempre foi associada a elegância e sofisticação - mais um GT do que um esportivo puro -, esta versão CLS 53 AMG acaba mexendo com a lógica.
Ele mantém um visual mais contido e menos agressivo que o AMG GT 4 portas, por exemplo. E, ao reduzir o ritmo e selecionar o modo Comfort, segue exibindo sem esforço suas credenciais de grande estradista.
Mas, quando pedimos, o CLS muda de personalidade e entrega uma experiência de condução que não deve nada a muitos esportivos.
Ele é rápido, preciso e muito envolvente - exatamente o que esperamos quando aparece a estrada (e o momento) certos. E, ao mesmo tempo, consegue ser equilibrado, previsível e confortável o suficiente para encarar um trecho mais longo em rodovia sem “estourar” o orçamento nem a coluna.
E aqui vai um parêntese sobre consumo: terminei este teste de quatro dias com média de 12 l/100 km. Em rodovia, respeitando os limites de velocidade, dá para cair facilmente para perto de 10 l/100 km. Já na cidade, vi muitas vezes números acima de 14 l/100 km.
Voltando às impressões finais, trata-se de uma proposta com imagem claramente premium, interior caprichado e uma versatilidade que permite tanto ser um “devorador de quilômetros” na estrada quanto uma opção exigente (q.b) e divertida ao volante nas vias certas.
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