Os carros ficam a cada geração mais complicados, mais pesados e também mais caros - e a Citroën quer virar essa página com o Oli, um conceito com que a marca francesa diz “basta” e que funciona como vitrine para soluções de futuro.
Assim como já aconteceu com o “pequeno” Ami, o Oli questiona o que se entende por automóvel e propõe um retorno ao essencial. A receita, segundo a própria Citroën, passa por simplicidade, baixo custo e durabilidade.
Por enquanto, trata-se apenas de um protótipo. Ainda assim, diversas ideias mostradas aqui devem chegar aos próximos carros de produção da Citroën, incluindo o novo logotipo - que resgata o desenho e o formato do primeiro emblema da marca, de 1919.
Abordagem radical, responsável e minimalista
O Oli é, na prática, um laboratório sobre rodas. A Citroën o define como “um manifesto ousado que dá ideias (…) exequíveis, focadas na redução de peso e da complexidade, para maximizar a eficiência, a versatilidade e a acessibilidade”.
A proposta é dizer “basta” ao exagero - seja de tecnologia, de potência ou de autonomia - e priorizar o que importa. Ao cortar componentes e simplificar o conjunto, o projeto fica menos complexo, o que tende a reduzir tanto o preço de compra quanto o custo de uso.
E a lógica vai além do projeto: ao empregar materiais simples e reciclados, o Oli busca aumentar a vida útil e diminuir gastos de manutenção, já que, em teoria, cada peça pode ser trocada de um jeito direto e barato.
Com um custo total de posse baixo como meta, a ideia é que, se for preciso substituir uma porta, um farol ou um para-choque, a Citroën consiga fornecer peças recicladas de forma responsável, reaproveitadas de outras unidades do Oli que já não estejam em operação.
Os pneus mais duráveis da história
Os para-choques, as caixas de roda e as portas simétricas ilustram bem essa filosofia - e o mesmo vale para os pneus, desenvolvidos em parceria com a Goodyear, que prometem durar até 150 000 quilómetros.
E esse marco seria apenas o começo: com profundidade de banda de rodagem de 11 mm, esses pneus podem ter o piso renovado até duas vezes. Segundo a Goodyear, os Eagle Go Concept podem chegar a uma vida útil total de até 500 000 quilómetros.
As rodas de 20" também seguem a mesma linha de inovação com foco em sustentabilidade. Elas são híbridas, combinando alumínio e aço, e os designers da Citroën as descrevem como uma reinterpretação das “jantes de ferro” de antigamente.
Design a serviço da funcionalidade
Todas essas escolhas aparecem também na cabine, onde o foco é praticidade, versatilidade e resistência ao uso.
No lugar de um painel cheio de telas, o Oli traz um painel simples e simétrico, que atravessa toda a largura do veículo e só é interrompido pela coluna de direção.
Para dimensionar o nível de simplificação, o painel e o console central do Oli somam apenas 34 peças - quando um hatchback atual “convencional” normalmente exige 75 peças nessa área.
O smartphone vira protagonista, porque assume as funções de infotainment e comunicação, que são “espelhadas” em uma tela que ocupa toda a largura na parte inferior do para-brisa.
Essa mesma lógica foi aplicada ao áudio: em cada extremidade do painel existe um encaixe para acomodar uma caixa de som Bluetooth cilíndrica e portátil.
Os bancos mais simples (e inovadores) do mundo
Mesmo assim, o ponto alto do interior do Oli são os bancos. Eles foram feitos em poliuretano termoplástico com impressão 3D e utilizam só 8 componentes - bem menos do que os cerca de 50 componentes de um banco moderno considerado convencional.
Como usam uma estrutura tubular e uma malha flexível que a marca francesa compara a um cogumelo, esses bancos deixam a luz passar através deles, o que ajuda a reforçar a sensação de espaço dentro deste protótipo.
SUV, utilitário ou picape?
E já que o assunto é espaço, o Oli permite rebater os bancos traseiros para criar uma grande área de carga na parte de trás - quase como em uma picape tradicional.
Só que os “truques” do Oli não param aí: em ambos os lados do carro, logo abaixo dos bancos traseiros e com acesso quando as portas traseiras estão abertas, há compartimentos discretos de armazenamento para levar, por exemplo, um kit de primeiros socorros.
Nas laterais, do lado de fora do veículo, aparecem ganchos que podem servir para prender diferentes tipos de objetos.
Um protótipo 100% funcional
Apesar do visual futurista, o Oli não é apenas uma maquete: ele é um conceito totalmente funcional. O protótipo usa uma plataforma real, a E-CMP, a mesma que serve de base para o Citroën ë-C4.
O conjunto é 100% elétrico e recebe energia de uma bateria de 40 kWh, suficiente para uma autonomia máxima de 400 quilómetros.
Para priorizar eficiência, a velocidade máxima é limitada a 110 km/h. A Citroën declara consumo médio de apenas 10 kWh/100 km e informa que a carga de 20% a 80% pode ser feita em 23 minutos.
Além disso, o modelo conta com tecnologia “Vehicle to Grid” (V2G) e “Vehicle to Load” (V2L), podendo injetar energia de volta na rede e também fornecer energia a um pequeno dispositivo elétrico.
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