Dizem que duas cabeças pensam melhor do que uma. Mas e dois motores: trabalham melhor do que um só? O Peugeot E-5008 Dual Motor pode esclarecer essa dúvida.
Se você olhou as fotos antes de começar este teste, já deve ter notado qual é a grande diferença em relação aos outros Peugeot E-5008: aqui estamos falando da versão Dual Motor. Em vez de um único motor elétrico, são dois - um em cada eixo - permitindo tração integral (quatro rodas motrizes).
Na dianteira continua o conjunto principal, com 213 cv e torque máximo de 343 Nm, praticamente em linha com a versão de entrada do Peugeot E-5008. A novidade é o segundo motor elétrico no eixo traseiro, que acrescenta 113 cv e 166 Nm.
Somados, eles entregam potência máxima combinada de 325 cv e 509 Nm, o que coloca este SUV familiar entre os Peugeot mais potentes de todos os tempos. Um título que chama atenção - mas que também tem seu custo.
Por fora, a única distinção realmente visível é o emblema “Dual Motor” na tampa traseira, que dá acesso ao porta-malas. No restante, este Peugeot E-5008 GT Dual Motor é idêntico às demais versões GT, as mais completas dentro da linha da marca francesa.
Interior (quase) sem diferenças
Na cabine, por ser uma versão GT, ele traz o que há de mais caprichado na gama Peugeot 5008: bancos em alcântara e couro, além de telas maiores e com aparência mais sofisticada. E, como estamos diante de um Peugeot E-5008, a capacidade para até sete ocupantes está garantida - mas já chego nesse ponto.
Ao dirigir, a identidade é bem “Peugeot”. A evolução mais recente do i-Cockpit mantém o volante pequeno, que nem sempre casa de forma intuitiva com o quadro de instrumentos. Em compensação, a instrumentação faz parte de um grande painel horizontal: os dados de condução ficam diretamente à frente do motorista, enquanto o restante aparece mais ao centro do painel. Em resumo: ou você gosta muito, ou não gosta.
Na segunda fileira, saem de cena os três assentos individuais que existiam na geração anterior do 5008. Ainda assim, o lugar do meio segue sendo mais confortável do que o comum em vários rivais. E, por ser um 5008, ainda existem mais dois assentos disponíveis.
Até aqui, tudo na mesma linha. Só que, na terceira fileira do Peugeot E-5008 Dual Motor, existe um ponto diferente: para acomodar o segundo motor elétrico no eixo traseiro, o piso do porta-malas precisou subir um pouco, o que afetou o volume disponível.
Mesmo assim, são 201 litros quando os sete lugares estão em uso e quase 700 litros quando apenas cinco pessoas viajam a bordo.
Dois é melhor que um?
Comparado a praticamente todas as outras versões da gama, a mudança central do Dual Motor é justamente ter dois motores elétricos, e não apenas um. Só que isso traz prós e contras. Começando pelas más notícias.
Além de “roubar” espaço do porta-malas, o segundo motor vem acompanhado de um aumento de peso que se aproxima de 100 kg em relação à versão com um motor só. E há outro detalhe: a bateria incluída aqui é a de menor capacidade, com 73 kWh de capacidade útil.
Com esse conjunto, fica fácil prever que a autonomia sofre e que os consumos também tendem a piorar. Afinal, com 325 cv respondendo ao pé direito, a vontade de repetir aquelas arrancadas que colam as costas no banco também aparece com mais frequência.
Então e as boas notícias?
Do lado positivo, ter um motor em cada eixo significa tração nas quatro rodas, o que melhora a capacidade de colocar força no chão quando a ideia é sair rápido do lugar ou encarar pisos com menor aderência. Alguém falou em férias na Serra da Estrela, em Portugal?
Na prática, esse sistema permite que o Peugeot E-5008 vá de 0 a 100 km/h em 6,5s, e a velocidade máxima declarada também sobe de 170 para 180 km/h.
Durante o teste com o E-5008, confirmei rapidamente a vontade de repetir as acelerações que empurram o corpo contra o assento. Também ficou claro que, para um SUV de proposta familiar com quase 2,5 t em movimento, o comportamento dinâmico está longe de ser ruim.
Por outro lado, deu para ver que os consumos não têm qualquer pudor em passar de 20 kWh/100 km. A marca declara 18,7 kWh/100 km para esta versão Dual Motor, mas o meu registro foi de 20,2 kWh/100 km. Ainda assim, é uma diferença relativamente pequena.
Já a autonomia oficial com a bateria carregada é menos empolgante. Nos dados de fábrica, o número é de 466 km, mas durante o teste - com ar-condicionado ligado e uso totalmente normal - eu não consegui bater 400 km por 10 km: ou seja, 390 km.
Então, voltando à pergunta “dois motores elétricos são melhores do que um?”. Bem… depende do motorista. Se você quer mais potência e desempenho aprimorado, sim. Se a prioridade é autonomia e menor gasto de energia, não.
Equipamento e preço de versão exclusiva
O Peugeot E-5008 Dual Motor é oferecido em um único nível de equipamentos - e não é um GT “comum”, é mais do que isso. A configuração “Launch Edition” parte da base GT e acrescenta itens que, em geral, aparecem apenas como opcionais.
Na última linha da tabela, aparece o preço base de 54 700 euros. E, na página seguinte, já com alguns extras adicionados, está o valor da unidade testada: 56 170 euros.
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