Sem qualquer aviso prévio, o estande da Citroën no Salão de Paris de 2008 acabou tomado por um superesportivo extremamente ousado: o GT by Citroën.
Um superesportivo de uma marca conhecida pelo símbolo do duplo chevron? Era algo inédito - e ele não passou despercebido. Com proporções dramáticas e traços marcantes, exibia uma presença que continua a impressionar hoje tanto quanto no dia da estreia, algo bem alinhado com a tradição estética da fabricante francesa.
Parceria Citroën e Polyphony Digital no Gran Turismo
Para entender por que uma criação tão arrojada sequer existiu, é preciso ir a outro universo: o virtual - mais precisamente o dos videogames, dentro do mundo de Gran Turismo.
Foi justamente uma colaboração entre a Citroën e a Polyphony Digital, o estúdio responsável por Gran Turismo, que fez o GT by Citroën se tornar realidade… ainda que primeiro no ambiente digital.
Esse projeto começou a ganhar forma a partir de Takumi Yamamoto, designer da marca e autor do desenho do GT by Citroën, graças à amizade dele com Kazunori Yamauchi, diretor da Polyphony Digital e criador de Gran Turismo.
Do virtual para o real
Mesmo assim, o GT by Citroën não ficaria restrito às telas. Ele teria estreia no Gran Turismo 5 Prologue e, depois, cruzaria a fronteira para o mundo físico, quando Takumi Yamamoto e Jean-Pierre Ploué (na época, chefe de design da Citroën) convenceram a direção da empresa a autorizar a construção de um protótipo. Ainda bem que insistiram…
Basta olhar com atenção: se a Citroën já carregava um histórico de modelos visualmente audaciosos, este superesportivo elevava a aposta a outro patamar.
Linhas, aerodinâmica e soluções móveis
Como em tantos superesportivos, grande parte do desenho podia ser explicada pelo trabalho em túnel de vento. Segundo a Citroën, o carro reunia diversos componentes aerodinâmicos móveis, além de fundo plano e um difusor traseiro grande e bem destacado.
Interior futurista e detalhes pouco comuns
Por dentro, o nível de vanguarda era semelhante. O acesso acontecia por portas com abertura em borboleta; as informações ao motorista apareciam em um head-up display; e havia soluções raras, como o indicador da marcha selecionada instalado no teto.
A visão de Takumi Yamamoto para 2025
A proposta representava a ideia de Takumi Yamamoto sobre como os superesportivos poderiam ser em 2025 - e, como era de se esperar, já se imaginava um amanhã sem hidrocarbonetos. No jogo, o GT by Citroën era um elétrico alimentado por uma célula de combustível a hidrogênio. Com um motor em cada roda, anunciava 789 cv e velocidade máxima de 375 km/h.
Quando chegou a hora de transformar o sonho digital em um veículo de verdade, veio o choque com a realidade: o conjunto mecânico futurista precisou ser deixado de lado. Para que o protótipo físico pudesse andar por conta própria, a solução foi um V8 convencional (ao que tudo indica, de origem Ford), montado atrás dos ocupantes e responsável por mover exclusivamente o eixo traseiro.
Produção à vista?
Depois da revelação, o impacto do GT by Citroën foi enorme. Em pouco tempo, começaram as especulações sobre uma possível fabricação do superesportivo - e, por alguns instantes, tudo sugeria que a Citroën levaria a ideia adiante, ainda que em números mínimos (seis unidades).
Mas, com o mundo entrando em uma crise financeira profunda, esses planos acabaram sendo, infelizmente, cancelados.
Assim, o GT by Citroën permaneceu restrito ao universo virtual, aparecendo em outras versões posteriores de Gran Turismo.
Já o protótipo físico - totalmente funcional e capaz de ser conduzido - virou tema de diversos artigos e vídeos. Aqui fica um relativamente recente, cortesia do canal Supercar Blondie, que permite ver em mais detalhes o “que poderia ser” um superesportivo da Citroën.
O som do V8 é hipnotizante!
Sobre o “Glórias do Passado.”. Esta é a seção da Razão Automóvel dedicada a modelos e versões que, de alguma forma, se destacaram. Gostamos de relembrar as máquinas que um dia nos fizeram sonhar. Embarque com a gente nesta viagem no tempo aqui na Razão Automóvel.
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