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Renault Express Van: faz sentido ao lado da Kangoo?

Van Renault Express prata exibida em showroom com luz natural e grandes janelas ao fundo.

A Renault Express ficou fora de cena por muito tempo e a responsabilidade de ocupar esse espaço acabou caindo sobre a Renault Kangoo, que rapidamente virou uma das referências entre os comerciais leves e emplacou como sucesso de vendas. Em 2021, vimos a Express voltar - agora convivendo com a Kangoo na linha de utilitários da Renault - e fica a pergunta: essa estratégia é coerente?

A resposta é direta: sim. A intenção da Renault é “cobrir melhor o mercado” e, com duas apostas dentro do mesmo segmento, a marca francesa aumenta as chances de alcançar mais perfis de clientes.

Com esse “renascimento” da Express Van explicado, vale entender o que ela entrega e por que, para determinados usos, pode até fazer mais sentido do que a própria Kangoo.

Sai Dacia Dokker, entra Express Van

A Renault Express Van chega para ocupar o espaço deixado pela Dacia Dokker, com a qual divide a plataforma e que deixará de ser vendida. E aqui aparece a primeira diferença importante em relação à “irmã” Kangoo: a base da Kangoo é a mesma plataforma usada, por exemplo, no Clio e no Captur.

Por isso, a Express Van parte de soluções mais antigas - mas isso não é motivo para descartá-la. Tirando a “carroceria” e a estrutura, o restante foi retrabalhado e melhorado para atender às expectativas do cliente de hoje. Especialmente no comportamento em estrada e no conforto, como veremos adiante.

No visual, as semelhanças com a Kangoo são claras, principalmente na frente. Já na traseira, o parentesco com a Dacia Dokker fica mais evidente.

Por dentro, há plásticos rígidos e acabamento simples, porém a montagem passa confiança. Na posição de dirigir, os comandos ficam sempre bem “à mão”, os bancos dão conta do recado em viagens mais longas e a regulagem do volante é satisfatória. Se há uma crítica, é a alavanca do câmbio, que poderia estar um pouco mais alta.

Como dá para imaginar, a cabine da Express Van oferece muitas áreas para objetos, das laterais das portas ao porta-luvas. Ainda assim, a prateleira superior de armazenamento é a que mais ajuda na rotina.

Equipamento de série convence?

A unidade que testei era a de topo, com o nível Confort (há outros três: Eco Leader Essencial, Eco Leader Confort e Essencial). E o pacote de série é bem honesto: retrovisores externos com ajuste elétrico e função de desembaçamento, assistente de partida em rampa, piloto automático, faróis automáticos, ar-condicionado e rádio com entrada USB.

Só que o carro avaliado também trazia alguns opcionais que, mesmo elevando um pouco o preço, considero quase indispensáveis, como: câmera de ré (a traseira e as laterais são totalmente “fechadas”, e sem ela tudo complica), central multimídia Easy Link de 8” com infotainment e tapete de borracha na área de carga.

Espaço para (quase) tudo

E já que entramos no assunto do compartimento de carga, mesmo ficando um passo distante da “irmã” Kangoo em alguns pontos, a Express oferece espaço “de sobra”.

A largura útil, por exemplo, é de 1,44 m, a altura útil é de 1,25 m e o comprimento útil de carga chega a 1,915 m. No total, são 3,3 m³ de volume útil e 580 kg de capacidade de carga útil.

Nos acessos, é verdade que não existe a solução inédita “Open Sesame by Renault” da Kangoo, mas isso não impede a Express de ser prática e versátil.

A porta lateral corrediça do lado direito (de série e com 71,6 cm de largura) e a abertura de 180º dos dois painéis traseiros resolvem bem o acesso à área de carga. Ali dentro, há vários pontos laterais de amarração que fazem muita diferença quando levamos volumes maiores.

Agora, o motor

Até aqui, a Renault Express Van não só me agradou como também me surpreendeu em alguns detalhes. A tela multimídia, com espelhamento do smartphone, e os diferentes espaços de porta-objetos foram destaques positivos. Mas e o motor?

A unidade que conduzi vinha com o Diesel 1.5 dCi de quatro cilindros - também usado na Kangoo - entregando 95 cv e 240 Nm, combinado a um câmbio manual de seis marchas. O torque vai exclusivamente para as duas rodas dianteiras.

Com um funcionamento bem comedido e marcado por grande eficiência, ele “casa” com a proposta, principalmente porque entrega o que se pede mantendo médias muito baixas. Em um uso mais controlado, num trajeto misto, dá para rodar sempre perto de 5 l/100 km.

Nos dias em que fiquei com ela - e que, naturalmente, já aproveitei para fazer algumas pequenas mudanças (com essa capacidade de carga disponível, tinha de ser…) - percorri 553 km, a maioria em rodovia. Ao devolvê-la nas instalações da Renault Portugal, o computador de bordo apontava média final de 5,9 l/100 km.

E ao volante?

Na estrada, a condução é bem neutra e, por isso, não decepciona. Como esperado, não empolga - mas seria estranho esperar algo diferente de um veículo desse tipo e, ainda por cima, de entrada na linha de comerciais da Renault.

E o fato é que, nos dias com a Express Van, a sensação constante foi a de que ela entregava mais do que o necessário para um uso diário, simples e prático. Aliás, “descomplicada” é um termo que, para mim, define bem essa proposta.

Só que ser descomplicada e pronta para o trabalho não quer dizer que a Express Van seja “simplória”. Mesmo com peso na traseira, ela se mantém equilibrada e previsível, e a direção - curiosamente - tem um peso muito bom.

A única observação está nos giros mais baixos do motor, em que percebi alguma dificuldade de resposta antes da entrada do turbo. Passando disso, na faixa intermediária, o cenário muda: o conjunto ganha fôlego e fica sempre bem disponível.

Ainda assim, esse pequeno “defeito” não chega a incomodar e é fácil contornar usando mais o câmbio, que inclusive tem um engate bem agradável.

É o carro certo para si?

A Kangoo continua sendo o melhor retrato de anos de experiência da Renault nesse segmento e vem ficando cada vez mais próxima do refinamento e das qualidades que vemos em um carro de passeio, como o Clio, por exemplo. Essa evolução trouxe um preço mais alto e, nesta geração, um aumento de dimensões - e é exatamente aí que a Express entra.

O “pacote” pode soar menos atraente de início: não traz tanto equipamento, não tem o mesmo padrão de acabamento interno e não é tão refinada. Por outro lado, a proposta mais simples derruba o preço e ela também é Classe 1, enquanto a Kangoo, para ser, precisa de um dispositivo eletrônico de cobrança.

Ao mesmo tempo, mantém a versatilidade, o conforto e os consumos aos quais a Renault já vem nos acostumando nesse tipo de veículo, além de oferecer os mesmos 3,3 m³ de volume de carga da Kangoo. A Renault Express Van é uma opção válida? Sem dúvida.


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