Audi TT Roadster: capota, conforto e a realidade do clima
O que é isto, então?
O novo Audi TT Roadster é aquele tipo de carro que combina perfeitamente com um dia de primavera, sol e céu aberto. Só que o nosso test-drive em Maiorca acontece debaixo de uma chuva bíblica - e, para completar, com um pouco de neve no alto das colinas. Ou seja: nada de passeio com a capota aberta, a menos que você seja adepto de sofrer por esporte.
Absolutamente protegidos dentro de um túnel comprido, dá para confirmar o essencial: a capota do TT realmente abre e fecha sem drama, mesmo em movimento, a velocidades de até 50 km/h. Com ela levantada, o isolamento é tão bom que você quase se convence de que está num cupê. O defletor de vento retrátil faz o que promete, e os bancos aquecidos também - com aquecimento ao nível do pescoço. Aliás, funcionam tão bem que, se você exagerar, dá até para ficar enjoado de tanto calor.
Ainda assim, se esquentar demais, basta baixar a capota. Claro: isso considerando que não esteja caindo o mundo.
O que, na Grã-Bretanha, é praticamente o padrão...
Verdade - mas britânico adora conversível, e o TT é um queridinho. Dizem até que ele sempre foi pensado como roadster; o cupê-conceito que roubou a cena teria sido “promovido” no fim, por política interna entre chefões. Então, se você compra um TT Roadster, a ideia é que está com a versão mais fiel do esportivo da Audi.
Esportivo? Sério?
O próprio Dr Ulrich Hakenburg, um dos “pais” do TT dentro da Audi, já admitiu que o original era 80% estilo e pouco sobre condução. Só que agora, na terceira geração, o foco mudou. O material de imprensa chega a falar em “derrapagem controlada”.
E, de fato, o TT MkIII cupê já mostrou que está mais voltado ao motorista do que nunca - e tirar o teto para criar o Roadster quase não mexe nisso.
Motores do Audi TT Roadster: TDI, TFSI e TTS
Nível Porsche Boxster?
Também não é para tanto, mas o TT Roadster tem recurso. A gama segue a do cupê: há um 2.0 TDI de 181bhp, com tração dianteira e câmbio manual; um 2.0 TFSI com 227bhp, disponível com manual ou automatizado de dupla embraiagem S tronic (com tração dianteira ou integral); e, no topo, o TTS, que sobe a pressão do turbo para 306bhp e já traz o pacote tecnológico que se espera de uma versão bandeira.
Os números do diesel - 65mpg e 114g/km - certamente vão colocar essa opção no topo da lista de muito jovem executivo ambicioso, naquela última “loucura” antes de cair na escolha sensata imposta pela família e pelo gestor da frota.
E o diesel, como fica?
O Ultra pode ser o TT mais “cabeça” e menos “coração” da linha, mas com acabamento S line continua com uma presença impecável - como acontece com qualquer TT. Nós marcaríamos a opção da suspensão padrão, mesmo que isso signifique rodar 10 mm mais alto: o ganho em conforto vale.
Por ser tão econômico, o 2.0 TDI surpreende no resto. O torque empata com o do TTS, só que, com apenas as rodas dianteiras lidando com tudo isso, ele pode dar trabalho - ainda mais nas estradas que pareciam rios onde o guiamos. O som também não decepciona: um borbulhar meio diferente, bem de leve lembrando o cinco cilindros a gasolina da Audi no ur-Quattro original.
Por enquanto, não existe opção de tração integral quattro para o diesel - uma pena, porque ajudaria muito num cenário desses.
Comportamento, quattro e tecnologia a bordo
E os a gasolina?
No TTS, o quattro já é padrão; no 2.0 TFSI de 227bhp, ele é opcional - mas a maior parte das vendas a gasolina deve ficar sem tração nas quatro. O chassi de tração dianteira é bem acertado, só que não espere derrapagens - controladas ou não.
Para isso, você precisa do sistema quattro, que realmente manda bastante força para trás. Dá, sim, para fazer a traseira do TT querer sair sob aceleração, pelo menos nas condições absurdamente escorregadias que enfrentámos. A direção tem um peso bem colocado e é precisa, mesmo sem ser exatamente rica em informação.
Curiosamente, apesar do salto grande de potência de 227bhp para 306bhp, o TTS é menos fácil de “brincar”, porque tende a agarrar e ir embora: a tração é muito forte. No fim, o modelo menos potente acaba a oferecer um chassi mais solto e divertido.
Um TT? Divertido?
Sim - com a ressalva de que até os moradores locais escorregavam com seus hatches velhos, em condições que fariam Noé pegar as ferramentas de carpintaria.
Se você escolheu a versão esportiva, existe a possibilidade de ajustar o carro por um seletor de modos de condução da Audi. Só que a diferença entre as configurações não é tão marcada; na prática, o melhor é deixar em modo automático e deixar o próprio carro decidir se você está a conduzir de forma mais Dinâmica ou mais Confortável.
No TTS, dá vontade de mexer um pouco mais: acelerar as trocas do câmbio automático, que é suave e contínuo; aumentar o som e a resposta do acelerador; e, ao mesmo tempo, suavizar a firmeza da suspensão de amortecimento magnético (que é padrão) para Conforto, usando o modo Individual configurável. Ainda assim, não dá para dizer que você se diverte mais do que no carro menos potente.
Depois de acertar tudo, a tendência é parar de mexer - até porque o cockpit virtual encolhe os mostradores enquanto você está a ajustar as coisas.
Ah, sim: aquele painel digital bonito...
A ideia é ótima e, com uso, funciona mesmo. Ainda assim, vale investir tempo para aprender como tudo opera antes de sair a conduzir; caso contrário, você corre o risco de acabar colado no carro da frente enquanto tenta dominar os vários botões no volante e os menus que não são poucos.
No resto, a cabine do TT segue um padrão caprichado: design bem pensado, materiais, encaixes e acabamento em nível altíssimo. E, sinceramente, é o mínimo que se espera de um TT.
Devo comprar um?
Se a prioridade for apenas condução pura, ainda escolheríamos um Boxster básico, mesmo que seja mais lento. Mas o TT Roadster é bom o suficiente para entendermos perfeitamente por que alguém iria querer um.
Ele está mais perto do rival mais duro do que nunca - e ainda por cima é lindíssimo. Mas, no caso do TT, isso nunca foi novidade, não é?
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