O novo Jeep Avenger é para quem busca estilo, zero emissões e um pouco de história. É um objeto de desejo - e cobra por isso.
O novo Jeep Avenger tem tudo para virar um “caso de estudo”. Quando a gente pensa em Jeep, vem à cabeça um veículo pronto para o fora de estrada, com aquele visual americano, motores a combustão enormes e vocação para cruzar o mundo.
Só que o novo Jeep Avenger foge completamente desse estereótipo. Ele é elétrico, tem pouco mais de 4 metros de comprimento e, ainda assim, basta olhar para reconhecer de cara que é um Jeep. Os códigos de estilo da marca ajudam, claro - mas tem algo além disso.
Mesmo ao volante, senti um “ADN Jeep”, embora este seja o primeiro modelo 100% elétrico da fabricante. Mais adiante explico o motivo, depois de dois dias convivendo com ele antes da chegada ao mercado nacional.
Estas são as minhas primeiras considerações:
Interior agradável, mas…
Em Portugal, o preço do Jeep Avenger vai partir de 39 700 euros - por aqui, a marca não vai vender nem a versão de “acesso” em termos de equipamentos, nem as variantes com motor a gasolina.
Ainda assim, é um valor coerente com outros 100% elétricos deste segmento, como o seu “irmão” Peugeot e-2008 (com quem divide a plataforma) ou o Mazda MX-30.
O problema é que, mesmo com o preço na faixa da concorrência, fica difícil não notar que a seleção de materiais poderia ser mais cuidadosa. Eles não são ruins; simplesmente não entregam a sensação de qualidade que a gente espera de um carro que encosta nos 40 mil euros.
Felizmente - como eu comento no vídeo em destaque - esse é um dos poucos pontos negativos que consigo atribuir ao interior do Jeep Avenger. O encaixe e a montagem são bons, o pacote de equipamentos é interessante, a tecnologia está bem resolvida e o espaço interno é um ponto forte.
A Jeep aproveitou muito bem os 4 metros de comprimento deste SUV, construído sobre a plataforma e-CMP2 da Stellantis. Isso aparece tanto no espaço para os ocupantes quanto no volume do porta-malas, que chega a competir com modelos familiares pequenos do segmento acima.
Condução Jeep? Sim
Lá no começo, eu disse que existe algo na forma como este Jeep Avenger dirige que nos leva direto ao universo da marca norte-americana - mesmo com todos os componentes inseridos no ecossistema Stellantis.
Primeiro, a “aura” Jeep que vem de vários detalhes por dentro e por fora já ajuda bastante. Depois, há pequenas soluções com pegada aventureira - não para o fora de estrada, mas pensadas para a cidade - que reforçam essa ideia.
A carroceria inteira traz plástico preto nas áreas mais suscetíveis a toques e amassados, justamente para proteger as partes pintadas. Não importa o ângulo: a primeira superfície a encostar num carro ou numa parede tende a ser o plástico. A nossa carteira agradece.
É um detalhe, sem dúvida. Mas dá mais tranquilidade para usar o carro de um jeito mais relaxado… como um Jeep. Até porque dirigir na cidade está cada vez mais parecido com uma aventura.
Aí entra a dinâmica. Como expliquei no vídeo em destaque, o comportamento deste Jeep Avenger merece elogios: é previsível, passa segurança e ainda consegue ser divertido. Ao mesmo tempo, o conforto de rodagem não foi sacrificado. Não sei como, mas a Jeep acertou em cheio esse equilíbrio e entregou o melhor dos dois mundos.
Uma parte disso, com certeza, vem da quantidade de mudanças que esta “versão 2.0” da plataforma e-CMP recebeu. A Jeep revisou mais de 55% dos componentes e o resultado fica claro ao volante.
Preço do Jeep Avenger
Como eu já tinha mencionado, apesar de não ser barato, o Jeep Avenger aparece com preço compatível com o que os rivais diretos cobram.
No nosso país não existirão versões a gasolina, então sobram as opções elétricas - que naturalmente custam mais. O preço sobe, mas a qualidade dos materiais no interior continua a mesma.
Por esse valor - ou até por menos - existem outras alternativas para quem quer um 100% elétrico. Só que o Jeep Avenger não foi feito para quem busca apenas um elétrico: ele é para quem procura algo a mais.
É para quem quer sair do padrão, valoriza design e gosta da ideia de dirigir um produto que funciona como uma afirmação de estilo. Na prática, é a fórmula do Fiat 500 transportada para o universo Jeep. Se vai dar certo? Não tenho muitas dúvidas.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário