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A história do Renault Scénic: do Mégane Scénic ao Scénic IV

Carro Renault Scenic MPV dourado exposto em salão moderno com grandes janelas e iluminação natural.

Com a Espace provando que a receita podia dar certo, ficou a pergunta: a Renault conseguiria repetir o feito em um carro menor e mais barato? Hoje a resposta é clara. O Renault Scénic - que nasceu como Mégane Scénic - virou um dos primeiros monovolumes (MPV) compactos lançados na Europa e conquistou um sucesso enorme.

O modelo chegou às lojas em 1996, mas o nome Scénic já havia aparecido cinco anos antes, em 1991, em um concept exibido no Salão do Automóvel de Frankfurt. Assim como aconteceria com o carro de produção, aquele concept adiantava a proposta de como poderia ser um futuro MPV compacto.

O nome Scénic, na verdade, vem de um acrônimo que pode ser entendido como Conceito de Segurança Integrada em um Novo Automóvel Inovador.

Renault Mégane Scénic, 1996-2003

Foi em 1996 que a primeira geração finalmente estreou no mercado. Bem distante do concept original, ela adotou a designação Mégane Scénic, passando a integrar a ampla família Mégane dentro da gama. A ideia era levar para um segmento bem mais acessível os mesmos pilares da Espace - conforto, versatilidade, espaço interno, segurança e boa habitabilidade.

Mesmo sendo um conceito ainda novo (e estando entre os primeiros MPV compactos do mercado), suas qualidades como carro de família foram rapidamente reconhecidas - e nem a própria Renault esperava que ele se tornasse um fenômeno. O resultado veio naturalmente com o título de Carro do Ano Europeu em 1997.

Esta primeira geração também acabaria sendo, de longe, a mais vendida de toda a linhagem: 2,8 milhões de unidades encontraram compradores. As gerações seguintes não chegaram perto desses números - a concorrência apareceu logo, espalhando o mercado por alternativas como a Citroën Picasso e a Opel Zafira.

Entre as versões marcantes, vale destacar o Scénic RX4, com tração nas quatro rodas, suspensão mais alta e reforçada - um prenúncio da onda de SUV e crossovers que, mais tarde, tomaria conta das ruas?

A primeira geração do Renault Scénic foi eleita Carro do Ano Europeu em 1997.

Renault Scénic II, 2003-2009

Na segunda geração, o desenho externo seguiu alinhado ao da segunda geração do sedã Mégane, mantendo também uma continuidade visual com o próprio Scénic I. O Renault Scénic II se diferenciava por ser o único monovolume do segmento a oferecer três configurações: uma versão curta, com cinco lugares e 4,30 m, e duas versões longas, com cinco ou sete lugares e 4,50 m.

Além de novas possibilidades de entretenimento que a tecnologia permitiu incorporar, o familiar francês passou a trazer itens como freio de estacionamento automático, faróis bi-xênon, cartão mãos-livres, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, controle e limitador de velocidade, além de assistência ao estacionamento.

Um detalhe que chamou atenção foi a alavanca de câmbio, que a partir daí passou a ficar em uma ponte conectada ao painel.

Em 2003, a segunda geração do Renault Scénic alcançou cinco estrelas nos testes Euro NCAP, tornando-se o automóvel mais seguro da categoria.

Renault Scénic III, 2009-2016

A terceira geração do monovolume compacto da Renault manteve as duas carrocerias, diferentes em tamanho e design: Scénic e Grand Scénic. A apresentação aconteceu em março de 2009, no Salão de Genebra. No Grand Scénic, as lanternas traseiras têm desenho em forma de bumerangue e parecem apontar para a dianteira do carro; já no Scénic, elas ficam orientadas para a traseira.

Os dois ofereciam 92 l de capacidade em espaços de porta-objetos distribuídos pela cabine, uma área multimídia e assistência sonora e visual para manobras. A gama de motores também foi atualizada, com opções renovadas a diesel e a gasolina. Em essência, o Scénic de terceira geração deixou de lado um estilo mais “lúdico” e passou a apostar em uma aparência mais elegante.

De forma curiosa, ele passou por dois facelifts: o primeiro, em 2012, com novos faróis e para-choques; e o segundo, em 2013, quando o para-choque dianteiro foi substituído por outro que trazia um emblema maior e integrado a uma nova grade frontal - elemento que passou a fazer parte da identidade da Renault.

A queda de popularidade dos MPV e a ascensão dos SUV pesaram ainda mais durante o ciclo dessa geração. Para completar, ela foi lançada em um momento em que o mundo atravessava uma das crises econômicas mais severas de que há memória, o que também se refletiu nas vendas. Foram comercializadas mais de 600 mil unidades - bem abaixo de 1,3 milhões da geração anterior e distante dos 2,8 milhões da original.

Renault Scénic IV, 2016-

Em 2011, a Renault apresentou no Salão de Genebra o R-Space, um concept car criado para empurrar o Scénic rumo a uma nova fase: a fase da família contemporânea, diversa, que quer um carro prático, mas que também se destaque pelo desenho.

Segundo Laurens van den Acker, diretor de design da Renault, a quarta geração do Renault Scénic seria uma espécie de última chance para o MPV. Por isso - assim como já tinha acontecido com a Espace - a solução foi reinventá-lo, adicionando mais estilo e até alguns traços de SUV e crossover, justamente os tipos de veículo que seguem dominando o mercado.

A altura em relação ao solo aumentou, e as rodas também: ele é oferecido exclusivamente com rodas de 20″. A oferta continua com duas carrocerias e duas capacidades - cinco e sete lugares. Os pontos que fizeram da primeira geração um referência para famílias seguem presentes - espaço, versatilidade, acessibilidade e boa visibilidade -, mas, diante da força dos SUV, os argumentos não têm sido suficientes.

Depois de um período em que chegou a emplacar mais de 300 mil unidades por ano, em 2018 o número não passou de 91 mil - ainda há esperança para o Renault Scénic e para os MPV em geral?


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