Quer custos de uso reduzidos, mas não é fã de elétricos? Este Mitsubishi Colt GPL pode ser a resposta.
No papel, dá aquela sensação de déjà-vu: motor 1,0 de três cilindros, linhas bem familiares e o emblema de uma marca japonesa aplicado sobre uma base francesa. Sim, o Mitsubishi Colt voltou a ser atualizado seguindo a mesma receita do Renault Clio.
Há ajustes visuais, mas a mudança que realmente importa é técnica. O Mitsubishi Colt Bi-Fuel traz uma carta que pouca gente se arrisca a jogar em 2025: ele roda com gasolina ou GPL. Num mercado cada vez mais obcecado por elétricos, esse compacto aposta numa alternativa tradicional para encarar o aumento do custo de vida - e, no fim das contas, faz mais sentido do que parece.
Vale reforçar: os sistemas de GPL atuais, em segurança, não têm nada a ver com os do passado - aqueles que até renderam vídeos preocupantes nas redes sociais. No caso do Colt, o conjunto de GPL é original de fábrica e já sai instalado diretamente na linha de montagem.
As alterações de visual do Mitsubishi Colt não são exatamente novidade e já apareceram em outras avaliações do modelo. Ainda assim, o que mais salta aos olhos está na frente, com faróis e uma grade mais elaborados. A intenção é clara: criar distância do Renault Clio.
Objetivo pouco alcançado, como dá para perceber nesta galeria de imagens:
Por ser um compacto “raiz”, com pouco mais de 4 metros de comprimento, a cidade é o seu habitat natural. Mesmo assim, o Mitsubishi Colt está longe de ficar restrito ao uso urbano e dá conta do recado como carro de família, inclusive em viagens mais longas.
Há espaço suficiente (desde que tudo seja bem organizado) e desempenho para encarar deslocamentos com a família sem que ninguém chegue ao destino de mau humor.
Os anos começam a pesar
Embora o Mitsubishi Colt seja relativamente recente e tenha ganhado uma nova identidade externa, não dá para esquecer que ele herda praticamente tudo do Renault Clio - e esse projeto chegou ao mercado no fim da década passada. O sucessor, ao que tudo indica, ainda deve ser apresentado neste ano.
Por isso - e tirando o painel de instrumentos digital - a maior parte dos componentes e até a aparência interna já começa a denunciar o passar do tempo.
Em qualidade, segue sendo questionável a diferença de acabamento entre a parte dianteira e a traseira - nem o revestimento dos bancos é o mesmo. Em compensação, o espaço continua adequado para um carro desse segmento.
Quatro adultos viajam com um bom nível de conforto, a posição de dirigir é acertada e só é preciso se acostumar a procurar os comandos do rádio, que continuam numa haste própria do lado direito da coluna de direção, atrás do volante.
O seletor que permite escolher entre gasolina e GPL fica do lado esquerdo do painel.
A principal mudança trazida pelo sistema Bi-Fuel, porém, está sob o assoalho do porta-malas: o tanque de GPL reduz o volume total disponível. Ainda assim, são 340 litros de capacidade - suficientes para a rotina do dia a dia sem grandes limitações.
Pequeno, mas muito competente
Ao dirigir, o Mitsubishi Colt entrega exatamente o que promete. O motor 1,0 de três cilindros tem cerca de 100 cavalos de potência - e, em alguns momentos, até parece que há mais. A força vem de forma progressiva, o ruído é discreto e a condução fica fácil graças ao câmbio manual de seis marchas, com relações bem escolhidas.
Além disso, com um chassi bastante equilibrado, ele segue sendo um compacto divertido de guiar. A alternância entre gasolina e GPL é praticamente imperceptível, a não ser que você esteja de olho no painel. Em certas situações, dá para notar apenas um eventual «clique», mas é preciso prestar muita atenção para perceber.
O que aparece com mais clareza é o consumo médio que, como costuma acontecer, fica mais alto no GPL do que na gasolina. A grande vantagem, no entanto, continua a mesma: o preço do GPL.
Na data de publicação deste teste, o preço médio do litro de GPL estava pouco acima de 90 centavos, praticamente metade do valor da gasolina.
Durante o nosso ensaio, em um trajeto misto - estrada, rodovia e bastante cidade - registramos média de 6,5 litros na gasolina e de 8,5 litros no GPL. Apesar da diferença significativa, na ponta do lápis isso acaba resultando em um custo de uso menor.
Uma fasquia cada vez mais rara
Falando de carros de passeio zero-quilômetro no mercado nacional, um preço na casa dos 20 mil euros está cada vez mais raro, e já são poucas as marcas com ofertas abaixo desse patamar.
A Mitsubishi, com o Colt, é uma delas - e, embora esse não seja exatamente o valor da versão a GPL, ele fica bem perto…
Com o extra da pintura metálica incluído, o preço final chega a 20 757 euros - lembrando que os valores indicados não incluem despesas de regularização, transporte e preparação do veículo.
A unidade avaliada é do nível de equipamentos Kaiteki, que já traz painel de instrumentos digital, ar-condicionado automático e um sistema multimídia simples, mas com compatibilidade com Android Auto e Apple CarPlay.
O preço agressivo, somado à simplicidade do conjunto e à autonomia combinada, transforma o Colt Bi-Fuel numa opção especialmente interessante para quem roda muitos quilômetros por mês. E, diferente de várias propostas eletrificadas, aqui não existem apps, carregadores nem curva de aprendizado: é abastecer e seguir.
Bem simples, não é? Eu também gosto quando as coisas são assim.
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