Em time que está a ganhar não se mexe. Desde 1998, 12 milhões de unidades foram vendidas no mundo, e hoje sai um Focus novo a cada 90 segundos. Mantido esse ritmo, ele ultrapassaria o Model T até 2017.
Para quem recebeu a missão de dar uma reestilizada no Focus de terceira geração, ainda assim não faltavam pontos a corrigir. O painel, por exemplo, pedia socorro: era quase uma aula prática de como tornar botões minúsculos e espalhá-los de forma aleatória.
Interior e tecnologia no Ford Focus MkIII
Isso mudou. O console central agora dá para usar sem precisar de lupa, e uma tela sensível ao toque de 8 polegadas (20,3 cm), com um sistema de multimídia bem pensado, assume as funções de navegação e entretenimento. A lista de tecnologias do Focus MkIII já impressionava quando foi lançado, e, nesta atualização, os recursos opcionais de estacionamento automático e de prevenção de colisões foram aprimorados.
Motores 1.5 e desempenho
Também há motores novos. Um diesel 1,5 litro com foco em economia, abaixo de 99 g/km de CO₂, chega em duas calibrações e deve responder por quase metade das vendas no Reino Unido. No topo da gama não-ST, entra um novo 1,5 litro a gasolina, turbo e de quatro cilindros - igualmente com duas configurações: 148 e 180 bhp.
A versão de 180 bhp, no geral, impressiona bastante. Em baixa rotação, pode parecer um pouco preguiçosa, mas acima de 2.500 rpm há uma boa faixa de binário, entregue com uma linearidade que lembra um motor aspirado. Ele gosta de subir de giro e, embora isso seja divertido para quem gosta de conduzir, também atrapalha na missão de atingir o consumo prometido de 51,4 mpg (cerca de 18,2 km/l).
Acerto de chassi e comportamento dinâmico
Outra crítica importante ao MkIII era a falta de brilho dinâmico - justamente algo que fez o Focus original ser tão celebrado. As alterações no chassi, desta vez, são relativamente discretas (a direção ficou mais leve e a capacidade de absorção dos amortecedores melhorou), mas o resultado final é… surpreendente. O Focus reencontrou a sua personalidade.
A sensação geral é a de que a frente e a traseira trabalham em sintonia. Os pneus dianteiros agarram com vontade, enquanto o eixo traseiro aceita participar e ajudar a fechar a trajetória em curva quando você pede. E ele mantém a compostura o tempo todo; a Ford sabe equilibrar conforto e dirigibilidade sem transformar o carro em algo duro demais. Ainda não chega a ser tão marcante quanto aquele MkI “mágico”, mas diverte - e a sua competência dinâmica não encontra rival entre os muitos concorrentes do Grupo VW.
Preços e versões
O ponto amargo é o preço. Sim, os concessionários Ford costumam cortar algumas libras, mas, considerando apenas o valor de tabela, este motor de 180 bhp - oferecido apenas na versão Titanium X, cheia de equipamentos - sai por £22,295. Ou seja, cerca de £1,000 a mais do que um Focus ST. Já a opção de 148 bhp tem o mesmo binário, os mesmos números de mpg e de CO₂ e, na configuração Zetec S menos luxuosa, faz mais sentido: £20,545. E, para quem só quer um Focus na garagem, sem se preocupar com tecnologia ou turbo, a gama começa com um gasolina morno de 84 bhp por volta de £14k.
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