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Hyundai Bayon 1.0 T-GDi de 100 cv: teste na versão Premium

SUV Hyundai Bayon verde em exposição interna com chão refletivo e painel digital ao lado.

Recentemente revelado, o Hyundai Bayon assume o papel de “porta de entrada” na família de SUVs da marca sul-coreana. Ainda assim, pelas medidas externas e pelo aproveitamento interno, ele não fica tão distante do “irmão mais velho”, o Kauai, quanto se poderia imaginar.

Diante disso, fica a dúvida: será que o modelo que passou por atualização tem “motivos para se preocupar”? Ou essa novidade da Hyundai chega justamente para atender uma faixa do mercado que o Kauai não alcança e, desse modo, ampliar a já ampla oferta de SUVs da fabricante?

Para entender quais são os trunfos do Bayon e como ele se encaixa tanto em relação ao Kauai quanto perante os rivais, colocamos o carro à prova na única configuração oferecida no nosso mercado (a Premium) e com o único conjunto mecânico disponível por aqui - o 1.0 T-GDi de 100 cv, combinado ao câmbio manual de seis marchas (com a automática como opcional).

Estética moderna

O desenho é atual e conversa com os lançamentos mais recentes da Hyundai - os faróis dianteiros bipartidos são a melhor evidência disso. Confesso que me agrada o visual diferente desse SUV compacto de nome com inspiração gaulesa.

Pelas proporções e pelo porte - 4180 mm de comprimento, 1775 mm de largura, 1490 mm de altura e 2580 mm de entre-eixos -, é difícil não enxergá-lo como adversário direto de modelos como os “primos” Volkswagen T-Cross, SEAT Arona e Skoda Kamiq.

Já na comparação com o Kauai, que é só um pouco maior (4205 mm de comprimento, 1800 mm de largura, 1565 mm de altura e 2600 mm de entre-eixos), o Bayon “esconde” bem a diferença de posicionamento. Na prática, lado a lado, a impressão é de que eles têm dimensões realmente iguais.

A distinção mais clara está no estilo: o Kauai transmite uma pegada mais dinâmica, enquanto o Bayon - sobretudo na traseira - aponta para uma proposta mais familiar. De todo modo, a Hyundai pode se dar ao luxo de estar confiante: são duas opções de tamanho parecido que acabam se complementando dentro de um segmento importante.

Onde é que já vi este interior?

Se por fora o novo Bayon é totalmente original, por dentro ele entrega várias semelhanças com o carro com o qual divide a plataforma: o novo i20. O painel tem o mesmo desenho do compacto, e isso joga a favor.

Afinal, o painel do i20 (e agora do Bayon) se destaca pela ergonomia bem resolvida (obrigado, Hyundai, por teres mantido os comandos da climatização), por um visual contemporâneo (ainda que bastante cinzento) e por uma qualidade geral competente. Vale a ressalva: não há materiais macios ao toque (é um B-SUV, então não era algo esperado), mas a montagem parece sólida e não surgiram ruídos parasitas, mesmo nos pisos mais castigados.

Em espaço interno, o Hyundai Bayon vai além do que se imagina e chega a “põe em cheque” o Kauai. Sim, ele tem 2 cm a menos de entre-eixos, porém, no banco traseiro, não há sensação de perda de espaço. E no porta-malas a surpresa é ainda maior: o Bayon supera o Kauai, com 411 litros contra 374 litros.

Considerando o que entregam concorrentes como o Skoda Kamiq (400 litros), Volkswagen T-Cross (385 a 455 litros) e Renault Captur (422 a 536 litros), o Bayon fica dentro da média do segmento. A única frustração é não trazer soluções de versatilidade, como banco traseiro com ajuste longitudinal ou porta-malas com piso duplo.

Fácil e agradável de conduzir

Meus primeiros quilômetros ao volante do Hyundai Bayon aconteceram no meio da cidade de Lisboa e, no trânsito urbano - onde ele provavelmente vai rodar com mais frequência -, a impressão inicial foi melhor do que eu esperava. Os comandos têm leveza na medida certa, sem parecerem “moles”; o ponto da embreagem é muito fácil de acertar; e o conjunto passa a sensação de estar bem ajustado para encarar a “selva urbana”.

Nesse cenário, o 1.0 T-GDi mostrou força suficiente para arrancadas mais espertas nos semáforos. A direção, precisa e rápida, ajuda a desviar das irregularidades que são “imagem de marca” de muitas das nossas estradas.

Só que, se no começo a convivência foi urbana, nos dias seguintes o uso mudou completamente. “Confinado” a longos trechos de rodovia e estradas nacionais, foi aí que o Hyundai Bayon me convenceu de vez sobre o acerto da plataforma da Hyundai (não que tivesse dúvidas).

Em velocidade, o carro se mostrou estável e pouco sensível a ventos laterais (mesmo quando fortes). O conforto também agrada: os bancos, apesar do visual simples, encaixam muito bem. A suspensão equilibra uma “benevolência” para encarar buracos sem sofrimento com a “dureza” necessária para segurar a carroceria em curvas. E a direção, que já tinha ido bem na cidade, vira uma aliada também nas serras.

Aliás, em trechos de serra, o Bayon deixa o três cilindros “cantar” com alegria (há uma sonoridade típica e até divertida), empurra com disposição e faz do SUV uma opção até… agradável de guiar. Claro que são “apenas” 100 cv e 172 Nm, mas dão conta do recado; o escalonamento do câmbio é bem escolhido e o manuseio é gostoso; e a resposta do chassi parece incentivar a procurar mais curvas.

Para as famílias jovens que o Hyundai Bayon quer conquistar, porém, talvez o ponto mais forte nem seja a dinâmica - e sim o consumo. Dirigindo de forma tranquila, registrei médias de 4,6 l/100 km; quando me esforcei para economizar, o computador de bordo chegou a marcar 4 l/100 km, algo bem típico de um Diesel! Na cidade, os números ficaram em aceitáveis 5,9 a 6,5 l/100 km e, mesmo quando “espicacei” o 1.0 T-GDi, não vi médias acima de 7/7,5 l/100 km.

É o carro certo para si?

Depois de alguns dias com o Hyundai Bayon, a resposta para a pergunta do começo ficou clara: não, o Kauai não tem por que se “preocupar” com a chegada do Bayon - mas a concorrência talvez tenha.

Com o Bayon, a Hyundai completa sua linha de SUVs com uma alternativa mais voltada a argumentos racionais do que emocionais. Com porta-malas maior e um visual que, embora moderno, traz proporções menos esportivas do que as do Kauai, o Bayon mira as famílias jovens; já o Kauai “pisca mais o olho” para quem aceita abrir mão de espaço em troca de um pouco mais de estilo.

Essa separação entre “racionalidade” e “emoção” aparece com nitidez quando se observa a oferta de motores dos dois modelos (no Kauai há de tudo, de Diesel a híbridos e elétricos) e também no posicionamento de preços (bem mais em conta no caso do Bayon).

O mais interessante é que, mesmo ao criar um “carro racional”, a Hyundai não caiu na armadilha de deixá-lo sem graça: o resultado é um conjunto equilibrado, bem equipado, econômico, espaçoso e até gostoso de dirigir. Por isso, o Hyundai Bayon merece ser considerado com carinho no “efervescente” segmento B-SUV.

Nota: à data de publicação deste artigo está a decorrer uma campanha de financiamento que permite adquirir o Hyundai Bayon por 18 700 euros.


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