A Land Rover decidiu baixar as emissões médias da sua linha e, há cerca de um ano, estreou no Discovery Sport uma versão híbrida plug-in: a P300e, que promete até 62 km de autonomia rodando só no elétrico.
Enquanto a bateria está carregada, a ideia é reduzir bastante o consumo - e, do lado das emissões, os ganhos são relevantes. Só que, junto com os pontos positivos da eletrificação, vêm também desvantagens fáceis de prever, começando pelo preço.
O conjunto elétrico (motor e bateria) adiciona peso e a solução híbrida exigiu concessões: a opção de sete lugares, um dos maiores argumentos do modelo, saiu de cena, ficando restrito a cinco.
Feitas as contas, será que este Discovery Sport continua sendo uma alternativa interessante para famílias com espírito mais aventureiro, agora que “aderiu” à eletrificação?
Passamos um fim de semana com ele como “companheiro” de viagem, tempo suficiente para entender o que entrega no mundo real. A questão é: deu para convencer? É o que você confere nas próximas linhas…
Imagem não mudou
No visual, se não fosse a tampa de recarga do lado esquerdo (a do tanque fica à direita) e o “e” no nome oficial - P300e -, seria quase impossível diferenciar este Land Rover Discovery Sport de um “irmão” sem motor elétrico.
E isso não é exatamente um problema: na atualização recebida há dois anos, o modelo já tinha ganhado para-choques revistos e uma nova assinatura luminosa em LED.
Habitáculo com tratamento semelhante
Se por fora quase nada mudou, por dentro a lógica é a mesma. As diferenças ficam por conta de ajustes voltados ao uso do sistema híbrido, como a seleção do modo de condução, e dos novos multimídias Pivi e Pivi Pro, que trazem também alguns grafismos específicos desta versão.
A maior mudança aparece atrás: a eletrificação tirou do Land Rover Discovery Sport um dos seus trunfos mais fortes, a possibilidade de oferecer sete lugares. O motivo está no posicionamento do motor elétrico, integrado ao eixo traseiro.
É um “preço” a pagar - desde que, claro, a terceira fileira de bancos não seja indispensável -, mas o espaço interno, outro destaque importante deste SUV, continua garantido.
As medidas na segunda fileira - que permite ajuste longitudinal - seguem em ótimo nível, e acomodar duas cadeirinhas infantis não vira dor de cabeça. O mesmo vale para o “desafio” de levar três crianças ou dois adultos de estatura média.
Mecânica híbrida convence?
Com 309 cv de potência combinada, o Land Rover Discovery Sport P300e é o Discovery Sport mais potente à venda hoje - um cartão de visita e tanto.
O caminho para chegar a esses números é curioso: a Land Rover foi buscar justamente o motor mais pequeno da família Ingenium, um 1.5 turbo a gasolina, de três cilindros e 200 cv, responsável por tracionar as rodas dianteiras.
Nas rodas traseiras, quem empurra é um motor elétrico de 80 kW (109 cv), alimentado por uma bateria de 15 kWh de capacidade.
Somando tudo, são 309 cv e 540 Nm de torque máximo, administrados por uma nova transmissão automática de oito marchas.
Não é esse o principal motivo para alguém comprar um Discovery Sport, mas vale o registro: o híbrido plug-in P300e vai de 0 a 100 km/h em 6,6s e chega a 209 km/h de velocidade máxima. Usando apenas o motor elétrico, dá para rodar até 135 km/h.
E a autonomia?
No total, dá para escolher entre três modos de condução: “HYBRID” (padrão, combinando elétrico e gasolina); “EV” (100% elétrico) e “SAVE” (para manter carga na bateria e usar depois).
No modo totalmente elétrico, a Land Rover anuncia 62 km de autonomia - um número interessante para um carro com o espaço e a versatilidade deste Discovery Sport. Mas, na prática - a não ser que o uso seja sempre (sempre mesmo!) na cidade -, é praticamente impossível alcançar essa marca, mesmo dirigindo com cuidado.
Sobre a recarga: em um ponto público de corrente contínua (DC) de 32 kW, são necessários 30 minutos para levar a bateria a 80%.
Em uma Wallbox de 7 kW, o mesmo processo leva 1h24min. Já em tomada doméstica, uma carga completa leva 6h42min.
E ao volante, é melhor que um Discovery Sport “normal”?
Se você desconfia do desempenho do tricilíndrico, dá para adiantar: ele combina muito bem com a proposta eletrificada do Discovery Sport. E o torque imediato do motor elétrico ajuda o SUV a ganhar fôlego sem esforço em baixas rotações.
Só que isso vale enquanto há carga na bateria. Quando ela acaba - e embora desempenho nunca chegue a ser o problema -, o barulho do motor a gasolina fica mais evidente, às vezes até demais, dentro do habitáculo, que não isola tanto quanto os “irmãos” mais velhos - e caros! -, os “Range”.
Em estrada aberta, porém, frente a um Discovery Sport “convencional”, este híbrido plug-in se mostra em nível muito bom, com um sistema híbrido de funcionamento bastante suave. Mas reforço: tudo isso enquanto ainda existe bateria no “tanque”.
É relativamente simples administrar as acelerações para reduzir as “chamadas” do motor a gasolina, principalmente na cidade, e isso aparece de forma positiva no consumo. Já fora do ambiente urbano e sem bateria disponível, é difícil baixar de 9,5 l/100 km, número que passa de 10,5 l/100 km em uso de rodovia.
No que diz respeito às sensações ao volante, e deixando de lado o “poder extra” oferecido pelo motor elétrico, o Discovery Sport P300e entrega uma experiência muito parecida com a de uma versão apenas a combustão.
Ou seja: em curvas, e mesmo com o centro de gravidade 6% mais baixo nesta configuração híbrida plug-in, o comportamento mantém características semelhantes.
É um SUV de porte grande, e isso aparece. Ainda assim, os movimentos da carroceria ficam bem controlados, com bastante aderência, o que incentiva um ritmo mais forte.
A direção é um pouco lenta, mas acerta na precisão, permitindo posicionar bem o carro nas entradas de curva. A caixa automática de oito marchas (8 kg mais leve que a transmissão automática usada em outras versões da gama) também se mostrou eficiente e sempre muito suave.
E fora de estrada?
Por ser um Land Rover, a expectativa é de capacidade acima da média quando o asfalto termina - ou, pelo menos, algo de referência. Nesse ponto, o Discovery Sport PHEV P300e se sai bem, embora tenha pequenas desvantagens em relação aos Discovery Sport “convencionais”.
A altura livre do solo, por exemplo, caiu de 212 mm para 172 mm, e o ângulo ventral passou de 20,6º para 19,5º. Ainda assim, o Terrain Response 2 - com diferentes modos conforme o tipo de terreno - funciona de maneira irrepreensível e ajuda a superar obstáculos que, no começo, pareciam mais difíceis.
Não dá para esperar um 4x4 raiz, porque ele não é. Mas entrega bem mais do que se imagina. A limitação mais clara acaba sendo a altura do solo, que pode atrapalhar se aparecer um obstáculo mais exigente.
É o carro certo para você?
O Discovery Sport sempre foi uma boa porta de entrada para o universo Land Rover e um modelo interessante para quem busca versatilidade com espaço para sete pessoas.
Na versão híbrida plug-in, o SUV britânico fica mais “verde” e ganha argumentos fortes na cidade, onde é surpreendentemente fácil rodar em modo 100% elétrico, sempre com uma condução suave e sem complicação.
Por outro lado, ele perde parte da versatilidade que o definia - começando pela queda de sete para cinco lugares. A forma como o motor elétrico foi “acomodado” eliminou o espaço da terceira fileira, o que pode pesar para famílias maiores que viam no Discovery Sport uma opção interessante.
Com poucos rivais diretos, muito por causa do posicionamento mais premium, o Discovery Sport PHEV P300e atende quem procura um carro espaçoso - o porta-malas parece não ter fim… -, capaz de encarar bem o fora de estrada e que consiga somar várias dezenas de quilômetros 100% livres de emissões.
O preço, embora alto, ainda é bastante competitivo diante de possíveis rivais híbridos plug-in e chega a ser mais acessível (cerca de 15 mil euros) do que a versão Diesel mais potente da gama - 2.0 TD4 AWD Auto MHEV de 204 cv - com a mesma especificação de equipamento.
Ainda assim, existe uma variante Diesel mais em conta, com 163 cv, que diminui essa diferença de preço - mas aumenta a diferença de desempenho -, além de entregar consumo mais interessante e sete lugares. Ela é bem equilibrada para quem quer a máxima versatilidade que este modelo britânico pode oferecer e roda muitos quilômetros por mês.
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