Fora dos Estados Unidos, a Jeep é a grande marca de automóveis mais fácil de entender.
A Cadillac não deu certo por aqui porque muita gente imaginava enormes “barcos” de luxo cheios de cromados - e acabou recebendo um sedã de linhas duras tentando ser um 5-Series. Já os Chevrolet, do lado de cá, não são aqueles carros de passeio clássicos e tranquilos; são modelos feitos na Coreia, quase como Vauxhalls de categoria inferior. Mas Jeep é diferente: todo mundo sabe o que é um Jeep - um 4x4.
Jeep Grand Cherokee na Europa: onde ele se encaixa
O Grand Cherokee totalmente novo mira praticamente o coração do mercado europeu de SUVs de luxo para cinco ocupantes: um V6 a diesel bem equipado, com reais competências no asfalto. Pense na faixa de entrada do VW Touareg, da Mercedes Classe M e do BMW X5.
Ao citar esses rivais, estamos sendo maldosos e preparando o Jeep para tropeçar? Afinal, há vários carros norte-americanos que funcionam muito bem no próprio país, mas não se adaptam por aqui. Este caso é diferente: nós o conduzimos na Europa e ele passa uma sensação de aptidão “nativa” para o uso europeu.
Estilo e acabamento: sem exageros, mas muito bem resolvido
Se a sua preferência é por SUVs espalhafatosos e chamativos, este não é o seu carro. A impressão é que os responsáveis fizeram de tudo para não receber o rótulo de mais uma “nojeira de Detroit”. A carroçaria tem vincos bem definidos, porém contidos, e o desenho do painel é discreto a ponto de quase passar despercebido.
Ainda assim, o conjunto é montado com precisão cirúrgica. E essa mesma sensação de capricho aparece ao volante.
Motor V6 diesel (241) e comportamento em estrada
O V6 a diesel entrega 241, com números de aceleração melhores do que os do 5.7 V8 a gasolina vendido nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que oferece consumo e CO2 competitivos para os padrões europeus. O nível de suavidade fica dentro do esperado - embora não seja referência absoluta - e o câmbio faz trocas macias.
A estrutura do chassi é sofisticada, e isso aparece em curvas e frenagens bem controladas. Dá para notar que ele é pesado, mas a massa não fica balançando sem controle. Os pontos negativos se resumem a um retorno ao centro do volante artificialmente forte e a ruído de vento em velocidades altas. O melhor é que ele escapa do erro comum do “SUV esportivo” com suspensão punitiva; aqui, a rodagem é flexível e relaxante.
Fora de estrada no Overland: recursos que os alemães já deixaram de lado
Para quem realmente vai para o fora de estrada, a versão Overland traz bloqueios eletrónicos do diferencial central e do traseiro, além de suspensão a ar com ajuste de altura - soluções que os alemães ou empurraram para a lista de opcionais, ou abandonaram de vez.
As bolsas de ar não servem apenas para fazê-lo passar “na ponta dos pés” por rochas enormes: em velocidade, o sistema permite baixar a altura para ganhar estabilidade e melhorar a aerodinâmica, e também consegue “ajoelhar” para facilitar o carregamento. Engate a caixa de transferência de duas velocidades em reduzida e ele sobe ou desce o que, ao se aproximar, parece um paredão. Para a maioria dos proprietários, isso pouco importa - exceto pelo significado prático: puxar um barco ou um reboque para cavalos para fora de um buraco lamacento deve ser tarefa fácil.
Preço, equipamentos e o contexto Chrysler/FIAT
Não estou a dizer que o Grand Cherokee seja o vencedor incontestável da categoria. Mas ele não decepciona em nenhum aspeto e, quando se pesa a relação entre preço e lista de equipamentos, ele tem bons argumentos. E toda essa competência tem um quê de “azarão”.
Este veículo foi concebido pela Chrysler quando a empresa atravessava o seu período mais caótico e sem dinheiro: primeiro sob o controlo de alguns capitalistas de risco teimosos e mãos-fechadas, e depois durante a falência. Só quando o Fiat Group assumiu é que os engenheiros ganharam tempo e orçamento para dar o polimento adequado ao projeto.
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