LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica estão na disputa para abocanhar uma parte do lendário império Armani - um movimento que pode reforçar ainda mais o domínio dessas casas no universo do luxo.
Poucos meses após a morte de Giorgio Armani, aos 91 anos, o destino do grupo começa a ganhar forma longe das passarelas e bem no centro do mercado financeiro. Fiel à imagem de estrategista, o “Maestro” deixou um testamento detalhado para organizar a sucessão da empresa, que completa 50 anos neste ano. Sob o comando do novo CEO, Giuseppe Marsocci, e do herdeiro Leo Dell’Orco, a companhia se prepara para vender uma primeira fatia de 15% do capital.
Como deve funcionar a venda inicial de 15% do capital da Armani
Em vez de optar por um único comprador, a direção avalia um desenho pouco comum: quebrar esse ingresso em três parcelas iguais de 5% para parceiros preferenciais apontados pelo fundador - LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica. A ideia é dar previsibilidade à base acionária e, ao mesmo tempo, evitar que alguém assuma o controle de imediato.
Fundação Armani, participação de 30,1% e direito de veto
A Fundação Armani, por sua vez, manteria 30,1% das ações e um direito de veto decisivo, assegurando que o DNA da marca não seja diluído diante do apetite dos gigantes do luxo.
Uma verdadeira máquina de caixa graças às licenças
À primeira vista, o interesse da LVMH pela Armani pode parecer inesperado num momento em que o vestuário tradicional desacelera. Só que, nos números, a história é outra. A Armani funciona, na prática, como um grande grupo híbrido: ao somar as licenças de cosméticos e de ótica, a receita salta para 4,25 bilhões de euros.
Enquanto a área de moda opera com margem operacional de 3%, os itens licenciados conduzidos por L’Oréal e EssilorLuxottica entregam margens entre 17% e 20%. Desse modo, só a divisão de beleza representa 1,5 bilhão de euros em faturamento, impulsionada por êxitos globais como o perfume Stronger with You, que virou um fenômeno entre consumidores jovens.
O objetivo de quem entrar no capital, portanto, é garantir esses fluxos financeiros robustos e aproveitar uma imagem de marca que continua entre as mais poderosas do planeta.
O capital pode se abrir ainda mais no futuro
Ainda assim, os três interessados enxergam caminhos estratégicos bem diferentes. A LVMH tem musculatura para comprar a casa inteira, trazer a produção de óculos de volta para dentro do grupo via sua subsidiária Thélios e aplicar sua experiência em varejo na operação de moda. Já a L’Oréal poderia defender um formato alternativo: adquirir a marca sobretudo para blindar o negócio de beleza, deixando a administração mais complexa do vestuário sob responsabilidade de terceiros.
Vale registrar, porém, que o testamento estabelece um cronograma de travas: depois dessa primeira etapa de 15%, somente entre 2028 e 2030 o grupo poderá vender uma participação majoritária, chegando a 70% do capital, para um desses parceiros - a menos que, no fim, opte por abrir o capital na Bolsa.
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