Plataforma do Fiat 500 e tecnologia de motor do Ford Ka
Um dos efeitos positivos de a Ford ter reduzido custos e desenvolvido o novo Ka sobre a mesma plataforma do Fiat 500 é poder aproveitar a tecnologia de motores da Fiat. Na prática, isso coloca no Ka, pela primeira vez, um diesel com injeção common-rail - e, de repente, o carrinho fica bem mais utilizável. Com o diesel, ele ganha o fôlego extra que facilita viagens em velocidades mais altas e deixa de ficar limitado apenas à clássica ida ao supermercado.
Economia e custos: CO2, consumo e preço
Isso não significa, porém, uma vantagem financeira automática. O Ka a gasolina emite 119g/km de CO2, enquanto o diesel fica em 112g/km; portanto, nenhum dos dois recebe benefício fiscal, já que nenhum baixa do “número mágico” de 100g/km. Mesmo considerando a diferença de 12mpg (o 1.3-litre 74bhp TDCi tem consumo médio de 67.3), seria preciso rodar quase 20,000 miles por ano (cerca de 32.000 km) para que o diesel realmente entregasse economia no custo de uso. Não surpreende que a Ford estime que o TDCi represente apenas quatro por cento das vendas.
Por isso, optar por um Ka diesel em vez de um a gasolina não é uma decisão baseada em bolso. E isso fica ainda mais evidente porque o diesel custa £700 a mais do que o gasolina (além de o diesel existir apenas na versão Zetec, a topo de linha).
Na direção: desempenho, câmbio e conforto em estrada
Do ponto de vista de dirigir, contudo, dá para defender que o valor adicional compensa. O Ka diesel parece mais “à vontade”, e também é como se as expectativas sobre o comportamento dinâmico do Ka baixassem naturalmente. De algum jeito, no TDCi, você percebe menos o quanto a geração anterior era absurdamente boa de guiar. Você o aceita pelo que ele é: com esse motor, o Ka vira apenas uma ferramenta para ir do ponto A ao ponto B, nada além disso. Ele não é divertido e nem pretende ser. Já o gasolina fica comprometido demais pela comparação imediata com o antecessor.
O número de aceleração em destaque não empolga - 13.1 segundos de 0-62mph (aprox. 0-100km/h) -, mas na cidade e na rodovia ele nunca parece tão lento assim. Dá para ficar na faixa da esquerda sem a sensação de ser uma chicane móvel. A maior disponibilidade de torque em relação ao gasolina ajuda, claro (107lb ft contra 74lb ft), assim como a entrada cedo do turbo e o facto de haver apenas cinco marchas. Com isso, o motor quase nunca cai abaixo do regime de entrada do turbo, a 1,800rpm.
A ausência de uma sexta marcha traz um pouco mais de “tec-tec” de diesel do que seria o ideal, e esse ruído não desaparece totalmente nem na rodovia. Ainda assim, em velocidade alta há menos ruído, vibração e aspereza (NVH) do que no gasolina. No fim das contas, é exatamente isso que importa neste carro - e é o que o torna uma ferramenta mais completa. Ele deveria ser tão confortável a 70mph (cerca de 113km/h) quanto é rodando tranquilamente pela cidade. Não é interessante nem divertido, mas é justamente aí que os compactos a diesel precisam entregar. E este carro - desculpe, Ka - entrega.
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