Pular para o conteúdo

Indonésia avança para receber o porta-aviões italiano Garibaldi

Dois oficiais da marinha analisam desenhos técnicos de drones navais perto de um grande navio de guerra no porto.

Desde meados do ano passado, o Ministério da Defesa e a Marinha da Indonésia vêm concentrando atenção e esforços na busca e incorporação de uma nova plataforma de projeção estratégica, materializando o interesse na aquisição do porta-aviões italiano Garibaldi, desativado pela Marina Militare em 2024. Nos últimos meses, as tratativas entre os governos dos dois países avançaram de maneira positiva, incluindo a apresentação de propostas para o reaparelhamento do navio, sua preparação e modernização, com a perspectiva de emprego também para o desdobramento de veículos aéreos não tripulados.

Negociações Indonésia–Itália pelo porta-aviões Garibaldi

Declarações oficiais recentes indicam que a confirmação da aquisição pode ocorrer nos próximos meses, enquanto seguem as gestões e negociações para definir diferentes pontos relacionados a uma eventual venda por parte da Itália. Nesse contexto, Roma ganhou espaço na avaliação oficial indonésia após transferências recentes de modernos navios-patrulha da classe Thaon di Revel.

Possível doação e orçamento para retrofit do Garibaldi

As declarações mais recentes, atribuídas à Marinha da Indonésia por meio do chefe do Escritório de Relações Públicas e Informação de Defesa (Karo Humas Infohan) do Secretariado-Geral do Ministério da Defesa, o brigadeiro-general TNI Rico Ricardo Sirait, foram além ao afirmar que o porta-aviões Garibaldi seria transferido na forma de doação pela Itália.

Giuseppe Garibaldi é uma doação do Governo da Itália. O orçamento preparado pelo governo da Indonésia está destinado às necessidades de retrofit ou ajustes para que ele se adapte aos requisitos operacionais da TNI Angkatan Laut”, declarou o brigadeiro-general TNI Rico à imprensa local.

Na mesma linha, somaram-se as falas do chefe do Estado-Maior da Marinha da Indonésia (KSAL), o almirante TNI Muhammad Ali. Ele manifestou o desejo de que as gestões cheguem a um desfecho favorável e que o porta-aviões possa chegar ao país antes ou durante 5 de outubro, data de grande relevância para as Forças Armadas do país do Sudeste Asiático, quando celebram o aniversário de sua criação.

“Em relação ao Garibaldi, ainda está em processo. A esperança é que ele possa chegar à Indonésia antes do aniversário das Forças Armadas”, afirmou o almirante TNI Muhammad Ali no dia 12 de fevereiro.

Modernização: portadrones, UAVs e maquetes no Indodefence

Apesar dessas sinalizações, a transferência e doação do porta-aviões desativado pela Marinha Italiana deve ser acompanhada com cautela. Como já foi apontado, antes de uma eventual entrega à Indonésia, o navio precisaria passar por um processo abrangente de preparação e por modificações para atender aos requisitos operacionais do país.

Para esses objetivos, a Fincantieri apresentou em 2025 uma proposta voltada a adaptar o porta-aviões para o emprego de veículos aéreos não tripulados, convertendo-o em uma espécie de portadrones.

Também é relevante registrar que, durante a Indodefence do ano passado, realizada em Yakarta, empresas locais exibiram uma maquete do porta-aviões Garibaldi com alterações substanciais. O conceito apresentado incluía um Grupo Aéreo Embarcado composto por aeronaves de asa fixa e helicópteros, além de veículos aéreos não tripulados com grande semelhança aos modelos turcos Bayraktar TB3; não ficou claro, porém, se essas empresas fariam ou não parceria com a companhia italiana para executar esse tipo de trabalho.

Pela empresa italiana, nas palavras do responsável de vendas da Unidade de Negócios Navais, Mauro Manzini, foi afirmado que: “O Giuseppe Garibaldi está em boas condições e ainda tem aproximadamente entre 15 e 20 anos de vida útil. O navio pode ser transferido após um processo de reacondicionamento adaptado às necessidades específicas da Marinha da Indonésia”.

Teto de US$ 450 milhões aprovado pela BAPPENAS

Antes dessas novidades, o Ministério do Planejamento Nacional da Indonésia (BAPPENAS) havia aprovado um teto de financiamento de 450 milhões de dólares para a compra do porta-aviões e dos equipamentos necessários à sua futura operação, por meio de agências de crédito à exportação, credores bilaterais ou instituições privadas.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário