Entre todos os integrantes da “tribo” CUPRA, o Terramar é o que mais conversa com a vida em família. Será que a versão mais forte também é a mais eficiente de todas?
Quando soube que passaria alguns dias com o novo CUPRA Terramar, a primeira ideia que me veio à cabeça foi: mais um SUV, mais uma proposta eletrificada - como dizem os mais jovens, “outra vez arroz”. Só que, desta vez, era a configuração VZ, a mais completa e com pegada mais esportiva, trazendo o híbrido plug-in mais potente da linha, com 272 cv.
Bastaram poucos quilômetros ao volante para o Terramar começar a marcar todas as “caixinhas” do que muita gente procura em um carro de família. Com 4,52 m de comprimento, ele é um pouco maior que o Formentor e, na prática, entrega mais espaço.
E, embora cumpra bem o papel de familiar, não se limita a isso: coloque-o em uma estrada mais sinuosa e você vai entender exatamente aonde quero chegar.
Imagem conhecida, mas não menos original
Por dentro, o CUPRA Terramar traz diversos elementos que já vimos em outros modelos do Grupo Volkswagen. Ainda assim, a CUPRA consegue, de novo, ajustar quase tudo à sua própria identidade - transformando o que poderia estar a um passo do comum em algo bem mais interessante.
Há boa amplitude nos ajustes do banco e do volante, mas, por um motivo que não consegui explicar, demorou um pouco até eu achar a posição de dirigir ideal. No fim, encontrei. Já para chegar aos menus certos - seja para dar reset nos quilômetros, nas médias de consumo ou para parear o telefone - levou mais tempo. A interface ainda não é impecável. Reconheço que vem evoluindo, mas ainda exige um período de adaptação para que a gente se sinta “em casa”.
O traço mais ousado das linhas externas típicas da CUPRA também aparece no habitáculo. Em áreas como o console central e no desenho dos bancos dianteiros, com encostos de cabeça integrados, a assinatura da marca fica evidente.
O que mais chama a atenção, porém, são os materiais. Faz tempo que eu não encontrava bancos revestidos com um couro de qualidade tão alta. Isso dá um ar bem premium ao interior.
E o acabamento não deixa margem para críticas - só elogios. Quem tiver a chance de ver um de perto vai entender o que estou dizendo.
Menos porta-malas, mas mais espaço a bordo
Para quem já conhece o Formentor por dentro, o CUPRA Terramar pode parecer enorme - não tanto para quem vai ao volante, e sim para quem viaja atrás. Mesmo que os bancos traseiros não tenham a mesma originalidade dos dianteiros, o espaço interno aproveita muito bem os quase 2,7 metros de entre-eixos.
Os mais “egoístas” vão torcer para ninguém ir no lugar do meio, mas, quando necessário, quem sentar ali não deve sofrer. Seja pelo espaço para as pernas, seja pela distância até o teto. Aqui, o que realmente poderia ser melhor é a visibilidade traseira, que é um pouco limitada.
No porta-malas, o fato de esta ser a versão híbrida plug-in cobra seu “preço” pela eletrificação. Afinal, além do conjunto a combustão, é preciso acomodar em algum lugar a bateria de 19,7 kWh (úteis).
Como não havia espaço disponível sob os bancos, ela acabou “morando” na parte inferior do porta-malas. Com isso, o compartimento do CUPRA Terramar teve de abrir mão de cerca de 100 litros por causa da nova inquilina. Ainda assim, dentro dessa proposta de “carro de casa”, o Terramar passou em quase todos os testes com nota alta. Dá para viajar de férias sem preocupação.
Receita dinâmica muito equilibrada
O CUPRA Terramar talvez não tenha a agilidade de um Formentor, mas entrega um dos melhores eixos dianteiros do segmento. A direção é afiada, rápida e cheia de informação - um prazer para quem gosta de dirigir. Nesse ponto, parabéns, CUPRA. Vocês conseguiram.
A sensação é que foram até a prateleira de componentes do Volkswagen Golf GTI e “pegaram emprestada” a direção do esportivo alemão. Não é exagero.
E, felizmente, o restante do conjunto acompanha: quando percebemos, estamos andando em ritmos que não se esperaria de um carro desse tipo. Quando for assim, deixem as crianças em casa.
Sobre o híbrido plug-in, com pouco mais de 270 cv, sobra fôlego. O Terramar sempre sai em modo EV (100% elétrico) e permanece assim por boa parte do trajeto, desde que exista carga na bateria. Mesmo em subidas, em velocidades elevadas ou em rodovia, o modo EV se mostra surpreendentemente disposto, permitindo rodar como em um elétrico puro.
Já nos modos Sport e CUPRA, a lógica se inverte: o motor a combustão vira protagonista e quase não encontra oportunidade para desligar. Ainda assim, é com a força combinada de todo o sistema que aparecem os 272 cv e 400 Nm, com desempenho à altura.
E o conforto? A calibração da suspensão, um pouco mais firme, junto das rodas de 20”, ajuda a condução, mas tira um pouco do conforto em pisos ruins. Mesmo assim, a troca faz sentido: a dinâmica melhora e passa a impressão de que o Terramar é mais leve do que realmente é.
Depois de alguns dias guiando o CUPRA Terramar, a média final surpreendeu: 3,4 l/100 km de gasolina e 14,8 kWh/100 km de energia elétrica. São números que mostram boa eficiência do sistema híbrido plug-in. No uso urbano, não deve ser difícil passar dos 100 km sem gastar gasolina.
Preço competitivo, mas não olhe para os opcionais
O CUPRA Terramar VZ - ou “Veloz”, segundo a marca - fica no topo da gama, com preço base de 56 640 euros. Esse valor já inclui o híbrido plug-in mais potente disponível para o modelo, com 272 cv, além de um pacote de equipamentos de série bem completo.
Só que, em uma das minhas visitas ao configurador, ficou claro rapidinho que “completo” é sempre uma questão de perspectiva. Na prática, é mais um “essencial”. Mesmo no VZ, há vários opcionais e muitos pacotes. No carro que eu dirigi, isso empurrou o preço final para bem perto de 65 mil euros.
Sem dúvida, o Terramar VZ convence pelo desempenho, impressiona pela eficiência e é impecável no estilo. Mas, nessa faixa de preço, não faltam alternativas. Se a decisão depender do comportamento dinâmico, não precisa procurar mais: o Terramar VZ está entre os melhores do segmento.
Ainda assim, antes de encerrar, preciso confessar algo. Durante esses dias, foi difícil não criar certa empatia com este SUV. E, depois de devolvê-lo, ficou até uma sensação de vazio - daquelas que poucos carros ainda conseguem provocar. E isso, por si só, talvez seja o melhor elogio que eu possa fazer ao Terramar. Não fosse o preço, ele poderia muito bem virar o carro “lá de casa”.
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